O agronegócio brasileiro se prepara para uma mudança estrutural de mercado. Com o fechamento do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, setores que historicamente enfrentaram barreiras tarifárias e exigências técnicas rigorosas passam a enxergar o mercado europeu como novo motor de crescimento.
O impacto econômico é relevante. Estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontam que o acordo pode elevar o PIB brasileiro em 0,46% e adicionar US$ 9,3 bilhões à economia nacional no médio prazo, com efeitos diretos sobre exportações, investimentos e geração de renda no campo.
O “magret” brasileiro na mesa europeia
A catarinense Villa Germania ilustra de forma prática esse novo momento. A empresa planeja exportar 5 mil toneladas anuais de carne de pato para consumo humano na Europa até 2028, reposicionando completamente sua atuação no continente.
Para viabilizar o plano, a companhia prevê:
- R$ 25 milhões em investimentos em adequações industriais e logística;
- Incremento potencial de R$ 130 milhões por ano no faturamento;
- Expansão da capacidade de abate de 10 mil para 80 mil cabeças por dia.
Segundo Marcondes Moser, CEO da empresa, a Europa passa a ocupar papel central na estratégia.
— “A UE é estratégica para crescermos. Hoje, mandamos para lá apenas miúdos e carcaça de pato para fabricação de alimentos para pets. Nosso plano é exportar 5 mil toneladas de carne de pato por ano para consumo humano.”
Proteína animal: queda de barreiras e novos volumes
O acordo Mercosul–UE amplia significativamente as oportunidades para a proteína animal brasileira. Estão previstas:
- Aves: ampliação de 180 mil toneladas na cota isenta de tarifas;
- Carne bovina: autorização para exportação de 99 mil toneladas anuais, com tarifa zerada para cortes nobres, hoje tributados em cerca de 20%;
- Carne suína: criação inédita de uma cota de 25 mil toneladas com tarifa preferencial para o bloco europeu.
Para Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o avanço é expressivo, mas exige adaptação.
— “Vamos trabalhar para abrir o mercado europeu, que é muito importante, apesar das salvaguardas.”
O fator EUA e a rota para a Europa
A mudança na política comercial dos Estados Unidos, marcada por imposição de tarifas e maior protecionismo, também contribui para redirecionar exportações brasileiras. Produtores de ovos, frutas e outros alimentos já começam a priorizar o mercado europeu, visto como alternativa mais previsível e estratégica no novo cenário global.
O acordo, portanto, não apenas reduz tarifas, mas reposiciona o Brasil nas cadeias globais de alimentos, aproximando o agro nacional de um dos mercados mais exigentes e valiosos do mundo.
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