Os calçados asiáticos, especialmente os chineses, têm tirado o sono da indústria calçadista nacional e derrubado fortemente as exportações do setor. Para se ter uma ideia, no primeiro semestre deste ano, o Brasil exportou 48,45 milhões de pares, 25,5% menos do que no mesmo intervalo de 2023. Na Bahia, também houve queda, embora um pouco menor: de 19,40%.
“O mercado externo, além de estar bastante instável, está sendo inundado por calçados chineses, em uma concorrência desleal com qualquer outro país produtor do mundo”, reclama Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), ressaltando que os calçados chineses são exportados “a preços abaixo dos praticados no mercado, comercializados com prática desleal de comércio, além de condições trabalhistas pouco alinhadas aos padrões internacionais e uma agenda ambiental branda”.
Dados elaborados pela Abicalçados apontam que, somente em junho, entraram no País mais de 705 mil pares chineses, 261% mais do que no mesmo mês do ano passado. A China só fica atrás do Vietnã no ranking de países de origem das importações. No mesmo mês, entraram no Brasil 1,47 milhão de pares produzidos no Vietnã, 57,8% mais do que no mesmo período do ano passado. No mês de junho, as importações totais somaram 3,3 milhões de pares, 63,7% mais do que no sexto mês de 2023. Já no acumulado do primeiro semestre, as importações totais somaram 18,72 milhões de pares, 11,4% mais do que no mesmo intervalo do ano passado.
“O maior crescimento das exportações chinesas, no período, foi para os países da América Latina, com expansão de 19,8%, em volume. Na América Latina estão alguns dos nossos principais destinos. O gigante asiático está devorando nosso mercado no continente”, acrescenta Ferreira. O dirigente da Abicalçados também se diz preocupado com “rumores” sobre um possível acordo de livre comércio entre Mercosul e China. “Se hoje, mesmo com o antidumping parcial contra o calçado chinês, temos essa invasão de produtos chineses, o que dirá com tarifa zero em um acordo de livre comércio? A indústria brasileira, não somente a de calçados, irá acabar”, alerta Ferreira.
O fato é que a indústria nacional tem penado com a invasão dos calçados asiáticos. A indústria baiana, por exemplo, exportou, de janeiro a junho desse ano, 1.815.782 de pares. Em igual período de 2023 foram 2.252.158, ou seja, 19,4% a mais. A receita com as vendas externas somou, no primeiro semeste, US$41.129.969, 8,8% a menos. A queda foi menor porque a indústria local tem ampliado o valor médio do calçado exportado. No primeiro semestre de 2023 o calados baiano custava, em média, US$20,02. Agora, saltou para US$22,65 – 13,1% a mais.
Rio Grande do Sul
Os dados de junho apontam que o Rio Grande do Sul segue sendo o principal exportador de calçados do Brasil. No primeiro semestre, partiram do Estado 15,28 milhões de pares, 15,7% menos do que no mesmo período do ano passado. Na sequência, aparecem Ceará (15,28 milhões de pares, queda de 23,6% em relação ao ano anterior) e São Paulo (2,94 milhões de pares, 32,1% menos do que no mesmo período de 2023).
O principal destino das exportações brasileiras, no primeiro semestre, foi os Estados Unidos, que importaram o equivalente a 5,11 milhões de pares verde-amarelos, 3,8% menos do que no mesmo período do ano passado. O segundo destino do produto brasileiro nos seis meses foi a Argentina, que importou 4,6 milhões de pares do Brasil, 41,1% menos do que em 2023. Completando o podio dos destinos das exportações apareceu o Paraguai, que importou 3,9 milhões de pares de calçados do Brasil, 25% menos do que no mesmo período do ano passado.
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