O investimento público em cultura pode gerar impacto econômico superior ao de setores industriais tradicionais, como a indústria automobilística. A avaliação é da economista ítalo-americana Mariana Mazzucato, que esteve no Brasil para estudar a economia criativa ligada ao Carnaval.
Em entrevista à Agência Brasil, Mazzucato destacou que políticas públicas voltadas para artes e cultura produzem resultados mensuráveis em geração de emprego, renda e dinamização econômica.
“O investimento público em artes e cultura contribui muito mais para a economia do que grande parte da indústria manufatureira tradicional”, afirmou.
Segundo estudos da Fundação Getulio Vargas (FGV) e da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, cada R$ 1 investido em cultura gera retorno social de R$ 7,59. Já o mesmo valor aplicado no setor de automóveis e caminhões apresenta impacto multiplicador de R$ 3,76.
Apesar das evidências, a economista observa que governos ainda priorizam setores industriais clássicos.
“Os governos continuam investindo mais nesses setores tradicionais da indústria, mesmo que as evidências estejam aí. Não é verdade que não temos as evidências”, completou.
A análise reforça o papel econômico do Carnaval — maior manifestação cultural do país — como vetor relevante da chamada economia criativa, que envolve cadeias produtivas como turismo, serviços, comércio, moda, audiovisual e entretenimento.
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