O ano de 2026 começa com destaque para a ciência brasileira no cenário internacional. A pesquisadora Mariangela Hungria da Cunha, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), foi nomeada para receber o World Food Prize 2025, considerado o prêmio mais importante da agricultura mundial e frequentemente comparado ao “Nobel” da Alimentação e da Agricultura.
Ao comentar a indicação, a pesquisadora destacou o reconhecimento coletivo envolvido na conquista. “É uma grande honra, ainda não consigo acreditar. Com essa premiação, há também o reconhecimento do empenho da pesquisa brasileira rumo a uma agricultura cada vez mais sustentável”, afirmou.
Criado por Norman E. Borlaug, vencedor do Nobel da Paz em 1970, o World Food Prize reconhece pessoas que contribuem de forma significativa para ampliar a qualidade, a quantidade ou o acesso a alimentos no mundo.
Engenheira agrônoma formada pela USP, com pós-graduações nos Estados Unidos e na Espanha, Mariangela acumula mais de 500 publicações científicas, dezenas de prêmios nacionais e internacionais e um legado que impacta diretamente a agricultura brasileira e global.
Na Embrapa Soja, ela lidera pesquisas em fixação biológica do nitrogênio, tecnologia que permite ao Brasil economizar até 25 bilhões de dólares por ano em fertilizantes, ao mesmo tempo em que reduz impactos ambientais e fortalece a produção sustentável.
Sua trajetória, no entanto, foi marcada por desafios pessoais e profissionais. “Fiquei grávida no segundo ano da faculdade. Depois, tive uma filha especial. Diziam que minha vida tinha acabado”, relembra. Hoje, integra a lista das 100 Mulheres Poderosas do Agro, segundo a Forbes.
Inspirada pela cientista Johanna Döbereiner, Mariangela apostou na microbiologia do solo quando o tema ainda era pouco valorizado. Suas tecnologias baseadas em bioinsumos já beneficiam milhões de hectares e também a agricultura familiar, ampliando o acesso à inovação.
Mais do que uma conquista individual, a indicação ao World Food Prize simboliza o avanço da ciência brasileira e o papel da pesquisa pública na construção de uma agricultura mais eficiente, sustentável e inclusiva.
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