Em termos gerais, a economia pode ser entendida a partir dos elementos lógicos que integram sua totalidade, ou seja, na relação entre os circuitos econômicos que compõem um país. No entanto, as regiões possuem forte influência nesses circuitos, como localização geográfica, aspectos políticos e econômicos ligados à identidade do lugar. É nesse sentido que o turismo tornou-se um dos principais motores econômicos da Bahia.
Por exemplo, no primeiro trimestre deste ano, o volume de atividades turísticas no território baiano cresceu 8,9% em relação ao mesmo período de 2024. Este valor mostra-se acima da média nacional, que conseguiu registrar 5,4%.
Não é à toa que o estado recebeu quase 100 mil visitantes internacionais de janeiro a junho, um valor 62% acima em relação ao mesmo período do ano passado. É importante enfatizar que este é o segundo melhor semestre na série histórica, considerando que o primeiro ocorreu no ano de 2007.
É possível dizer que parte desse desempenho é fruto dos investimentos realizados em infraestrutura, qualificação da mão de obra em determinados segmentos produtivos, bem como fortalecimento da malha aérea. Um dos investimentos futuros, inclusive, é a retomada dos voos regulares da Cidade do Panamá para Salvador.
No entanto, a Bahia não se destaca somente pela presença internacional em seu território. Na realidade, conforme os dados do módulo de Turismo da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com o Ministério do Turismo, o estado baiano atraiu 1,8 milhão de viagens domésticas em 2023.
Este número é 62% maior que o registrado em 2012. Neste ano, de janeiro a abril, a Bahia foi um dos três destinos nacionais mais procurados pelos brasileiros. A procura representa 9% das buscas por voos nacionais realizadas de setembro de 2024 a agosto de 2025, como indicam os dados da ForwardKeys/Embratur.
O que a Bahia precisa fazer para continuar o crescimento no segmento turístico?
Ao que tudo indica, considerando que a economia tende a estabilizar-se cada vez mais, a tendência é que a Bahia continue nesse movimento de crescimento. Todavia, uma excelente estratégia é investir no turismo inteligente. Esta abordagem, conceitualmente falando, consiste na mescla entre coleta e análise de dados, a partir do uso de tecnologias como IoT, edge computing, entre outras.
A ideia geral é otimizar a experiência dos visitantes. Na escala global, a abordagem é uma forte tendência: o mercado de Inteligência Artificial (IA) aplicada ao turismo deve saltar de US$ 2,95 bi em 2024 para US$ 13,38 bi até 2030. Além disso, as estimativas mostram que a taxa anual de crescimento do setor deve ser de aproximadamente 28,7%.
A IA possibilita entender precisamente o comportamento dos visitantes e sugerir roteiros personalizados – os algoritmos identificam preferências como aspectos culturais, gastronômicos, praias, serviços de hospedagem, etc.
O uso de big data e IA, com análise preditiva de demanda, por exemplo, permitirá planejar eventos, distribuição de recursos e campanhas promocionais, fomentando a circulação das mercadorias em suas distintas escalas.
No fim, é importante enfatizar, também, que a estratégia exige articulação entre os setores público e privado. A Bahia mostra-se em uma constante de crescimento, e continuar investimento no segmento pode ser uma ótima forma de aproveitar o potencial turístico da região.