A saúde mental deixou de ser apenas uma pauta ligada ao bem-estar individual e passou a integrar a gestão estratégica das empresas brasileiras. Com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1, organizações precisarão identificar, avaliar e gerenciar riscos psicossociais no ambiente de trabalho.
A mudança amplia o escopo do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), incluindo fatores como:
- Estresse crônico
- Sobrecarga de trabalho
- Assédio
- Jornadas excessivas
- Conflitos interpessoais
- Lideranças inadequadas
Crescimento dos afastamentos
O avanço regulatório ocorre em meio a um cenário preocupante.
Em 2024, o Brasil registrou mais de 472 mil afastamentos por transtornos mentais, como ansiedade e depressão — o maior número da década.
Em 2025, os registros já ultrapassaram meio milhão de licenças, ampliando os impactos sobre produtividade, custos e sustentabilidade dos negócios.
Saúde mental como gestão de risco
A atualização foi introduzida pela Portaria MTE nº 1.419.
Na prática, saúde mental deixa de ser tratada apenas como campanha de bem-estar e passa a integrar oficialmente a gestão de riscos ocupacionais.
Segundo a médica do trabalho Ana Paula Teixeira, o cenário exige mudança de postura das lideranças.
“A saúde mental precisa ser compreendida como parte da governança de riscos e da sustentabilidade empresarial”, afirma.
Impacto global
Dados internacionais apontam que cerca de 800 milhões de pessoas convivem com transtornos mentais no mundo.
As perdas globais relacionadas ao tema são estimadas em US$ 8,9 trilhões anuais em produtividade.
No Brasil, 46% dos trabalhadores afirmam sentir estresse diariamente.
O que muda para as empresas
Com a nova NR-1, as organizações precisarão:
- Incluir riscos psicossociais no inventário de riscos
- Criar planos de ação preventivos
- Definir responsáveis e prazos
- Revisar periodicamente os riscos
- Documentar medidas adotadas
Fiscalização começa em 2026
A fiscalização das novas exigências terá início em 25 de maio de 2026.
Empresas com maiores índices de afastamentos poderão entrar no radar dos órgãos fiscalizadores.
Gestão coletiva e não clínica
A abordagem da norma não exige diagnóstico individual dos trabalhadores.
O foco está nos fatores organizacionais capazes de gerar sofrimento psíquico recorrente, como pressão excessiva, falhas de comunicação e ausência de autonomia.
Tendência de mercado
Empresas que já adotaram medidas como:
- Jornadas flexíveis
- Apoio psicológico
- Canais de escuta
- Capacitação de lideranças
relatam ganhos em produtividade, engajamento e redução do absenteísmo.
Novo cenário corporativo
Na Bahia e em cidades como Salvador, onde o setor de serviços possui forte presença, o tema ganha relevância ainda maior.
Mais do que cumprir exigências legais, a nova NR-1 inaugura um novo modelo de responsabilidade empresarial, conectando saúde mental, cultura organizacional e sustentabilidade corporativa.
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