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Capa Colunistas

Mulheres ganham 21% menos e representam 60% dos casos de burnout no país

Publisher por Publisher
03/03/2026
em Colunistas, Opinião
Tempo de Leitura: 2 minutos
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Dra. Ana Paula Teixeira

Divulgação

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Com o Brasil registrando recorde de 546 mil afastamentos por transtornos mentais, a desigualdade de gênero no mercado de trabalho desponta como fator de risco para o adoecimento feminino. Diferenças salariais, penalização da maternidade e ausência de políticas voltadas às especificidades biológicas das mulheres estão entre os principais gatilhos.

“No Brasil, a desigualdade de gênero não é apenas um número no contracheque; é um fator de risco epidemiológico”, afirma a médica do trabalho Ana Paula Teixeira, autora do livro Quando o Trabalho Dói. Segundo dados do IBGE e do DIEESE, mulheres recebem, em média, 21% menos que homens na mesma função. Entre mulheres negras, a diferença pode chegar a 47%.

O reflexo aparece nos indicadores de saúde mental. Estudos recentes apontam que mulheres concentram cerca de 60% dos diagnósticos de Síndrome de Burnout. Para a especialista, o cenário é resultado da sobrecarga, muitas vezes marcada por jornada tripla, e da pressão constante para provar competência em ambientes predominantemente masculinos.

Na Bahia, o quadro é ainda mais sensível diante do racismo estrutural. “A mulher negra, que ocupa a base da pirâmide produtiva, enfrenta maior precarização e menor rede de apoio. Sob pressão contínua, a saúde física e mental entra em colapso”, observa.

A dor invisível nas empresas

Para Ana Paula Teixeira, o adoecimento feminino revela um modelo corporativo que exige produtividade linear de corpos que não funcionam de forma linear. “O trabalho não pode ser o lugar onde a vida adoece. Ignorar o impacto emocional e as especificidades femininas compromete a própria sustentabilidade da gestão”, avalia a médica, que também atua como consultora empresarial.

Maternidade e biologia ainda são tabus

A penalização da maternidade é outro ponto crítico. Dados da Fundação Getúlio Vargas indicam que 48% das mulheres perdem o emprego até dois anos após o parto. A maternidade, segundo a especialista, ainda é tratada como custo, o que leva muitas profissionais a silenciarem dores e necessidades por medo de demissão. “Muitas mulheres ainda têm receio de engravidar, adiam ou cancelam o sonho de ser mãe para privilegiar a carreira”

Além disso, questões como período menstrual seguem fora das políticas corporativas. “A ausência de flexibilidade ignora que a saúde feminina envolve ciclos e flutuações hormonais. Não se trata de privilégio, mas de garantir produtividade sustentável”, explica.

Mudança estrutural

Especialistas defendem que enfrentar o problema exige revisão estrutural nas organizações. Entre as medidas apontadas estão auditorias salariais com recorte de raça e gênero, programas de acolhimento no pré e pós-parto, políticas de flexibilidade para períodos de maior vulnerabilidade física e ações efetivas de combate ao racismo corporativo.

Como destaca Ana Paula Teixeira em sua obra, o sofrimento no trabalho não pode ser naturalizado. “Acolher as especificidades femininas não é benefício; é estratégia de sobrevivência econômica e humanitária”, conclui, destacando que o acolhimento feminino só é possível com uma liderança que consiga unir performance com competências socioemocionais.

Leia mais:

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Tags: destaque
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