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Projeto Ceraíma retoma produção irrigada e impulsiona economia de Guanambi

REDAÇÃO por REDAÇÃO
23/04/2020
em Negócios no Campo
Tempo de Leitura: 5 minutos
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Após obras executadas pela Codevasf, projeto Ceraíma retoma produção irrigada (Fotos: Divulgação/Codevasf)

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A população do município de Guanambi, no Médio São Francisco baiano, produtores, revendedores e demais envolvidos na cadeia produtiva já estão sentindo os efeitos das obras de reestruturação e modernização do projeto público de irrigação Ceraíma, realizadas em 2019, pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).

“A realidade atual de Ceraíma está superando nossas expectativas. Um solo muito fértil, as lavouras produzindo bem demais. O bananal, por exemplo, daqui a uns três meses, já começa uma produção muito boa. Já tem várias colheitas de batata, feijão, mandioca e tomate abastecendo o mercado regional”, conta o presidente da Cooperativa Agrícola de Irrigação do Projeto Ceraíma (Cooperc), Marco Antônio Fraga.

“Um aspecto muito positivo é a geração de emprego e renda. Estima-se que esse empreendimento vai gerar, direta e indiretamente, de 3.000 a 3.500 empregos, movimentando a economia de toda a região. Guanambi cresceu depois que o projeto Ceraíma se tornou realidade nos anos 1970”, afirma o chefe do Escritório da Codevasf em Guanambi, vinculado à 2ª Superintendência Regional, Hudson Faria.

As obras de reestruturação e modernização, que representaram um investimento de R$15,9 milhões, com origem em orçamento próprio e no Orçamento Geral da União destinado à Codevasf por meio de emenda parlamentar, retomaram a irrigação e a produção, além de tornarem o perímetro mais eficiente na captação e na distribuição de água.

Estima-se que serão ofertados, entre agosto de 2019 e agosto desse ano, cerca de 4,5 hm³ (hectômetros cúbicos) de água aos irrigantes, uma economia de quase 70% quando comparada aos 15 hm³ utilizados anualmente antes de 2008, quando a irrigação foi suspensa. Isso é resultado da mudança na infraestrutura, com a substituição do antigo sistema de irrigação por sulcos pelo atual sistema de irrigação por microaspersão.

“Em breve, iremos instalar um macro medidor volumétrico para saber e informar, aos órgãos de controle como a Agência Nacional de Água (ANA), o volume exato que está sendo retirado da barragem para irrigação”, diz Hudson Faria.

A alteração no sistema fez com que o projeto passasse a ter uma alta eficiência no uso de recursos hídricos, chegando a 85% do uso da água. Hoje, Ceraíma também possui um sistema de condução de água por meio de tubulações fechadas, ao contrário das estruturas abertas que existiam antes, o que também elevou a eficiência, chegando a estimados 95%.

Um dos principais atrativos para os produtores é o fato de que a estrutura atual capta água da barragem de Ceraíma e a fornece às áreas de irrigação por gravidade, sem uso de energia elétrica.

“É um sistema que, dependendo do volume da barragem, dispensa o uso de energia elétrica por parte dos irrigantes, uma vez que a barragem está localizada em uma posição privilegiada em relação ao perímetro. Em termos de cota, pelo volume atual, permite a todos irrigantes utilizarem seus sistemas de irrigação, por microaspersão ou gotejamento, apenas com a pressão da própria barragem”, explica Hudson Faria.

Em função do bom volume atual do reservatório de Ceraíma, os usuários estão utilizando a própria pressão disponível, sem usar os sistemas de pressurização individuais existentes nos lotes. Isso reduz os custos para os irrigantes, que não têm, atualmente, a despesa coletiva com energia.

“Esse foi um dos fatores determinantes para iniciar esse cultivo em Ceraíma. Só de imaginar não pagar energia já é um salto. A gente chegou aqui, achou a tubulação pronta, a irrigação na porta do lote, você só encaixa o tubo e tem pressão da água para irrigar toda a área, sem custos. Se você falar para qualquer produtor rural que em um lugar não vai ter esse custo de energia, é pra lá que ele vai querer ir”, comemora o produtor local Pedro Henrique de Souza.

As obras de reestruturação e modernização do projeto representaram um investimento de R$15,9 milhões

Assistência Técnica

O início dos serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural e Gerencial também foi outro fator que trouxe ânimo aos produtores locais. A ação é fruto de parceria entre a Codevasf, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).

“O serviço de assistência técnica já começou. Nós fizemos uma análise de todos os produtores, do que mais se cultiva aqui na área e, após um diagnóstico, fizemos um cadastro dos cerca de 150 produtores, que foram agrupados em cinco turmas – duas turmas de banana, uma de goiaba, uma de manga e uma de pecuária de bovinos de leite. Estamos aguardando a liberação do Senar para dar continuidade ao serviço, após o final da quarentena”, explica a engenheira agrônoma Camila Nogueira Oliveira, que integra a equipe de Assistência Técnica.

“Essa assistência vai ser essencial. Muitos produtores têm noção, mas não têm o conhecimento aprofundado, por exemplo, sobre a quantidade de água ou adubo necessários a um plantio, e o técnico vai poder orientá-los. Vai ser uma evolução no projeto”, aponta o produtor local Pedro de Souza.

São 756 hectares de área irrigável, atualmente distribuídas em 112 lotes irrigados e 16 áreas produtivas adjacentes

Produção

O projeto público de irrigação Ceraíma está em operação desde o início da década de 1970, no município de Guanambi, que faz parte da área de atuação da 2ª Superintendência Regional da Codevasf, sediada em Bom Jesus da Lapa (BA). São 756 hectares de área irrigável, atualmente distribuídas em 112 lotes irrigados e 16 áreas produtivas adjacentes. O projeto conta, inclusive, com uma área agrícola experimental e educativa do Instituto Federal da Bahia (IFBA) e com uma estação de piscicultura cedida pela Codevasf.

“São cerca de 112 produtores em atividade, pois todos, sem exceção, estão cultivando em seus lotes. Praticamente toda a área plantada é nova, ou foi recuperada (manga, principalmente), pois a irrigação em si foi retomada em agosto de 2019. O destaque nesse momento inicial é a produção de culturas temporárias, como melão, olerícolas em geral, batata-doce e, mais recentemente, banana (início de produção) e manga (em trabalho de indução)”, informa Hudson Faria, chefe do Escritório da Codevasf em Guanambi.

“A produção em Ceraíma é bastante diversificada, mas tem ênfase na fruticultura. Tem muita banana, manga, goiaba, mamão, maracujá, além de mandioca, quiabo, tomate, e os gados de corte e de leite”, completa a engenheira agrônoma Camila Nogueira, da equipe de Assistência Técnica. Atualmente, a área cultivada é de 207,45 hectares.

“Temos também uva, laranja, melão, melancia, feijão, batata-doce, cebola, abóbora, de tudo um pouco e está saindo muito bem. A gente colhe e, depois de 15 a 20 minutos, já está vendendo no mercado”, revela Marco Antônio Fraga, presidente da Cooperc.

Uva, por exemplo, é a produção que está sendo iniciada pelo produtor local Pedro Henrique de Souza. “Serão três hectares da variedade Isabel, já toda implantada, no arame; meio hectare de Carmen e mais meio hectare da Violeta. Visitei alguns produtores em Petrolina, Irecê, e optei pela variedade de suco porque já trabalhávamos com venda de suco e, agora, tudo que produzir aqui já vai sair com uma marca daqui mesmo, de Ceraíma”, explica o produtor.

“A uva aqui já está plantada há três meses, e a nossa previsão é de que, em janeiro e fevereiro de 2021, a produção já esteja acontecendo. O parreiral tem um potencial de 50 mil quilos por hectare por ano, e espera-se que dure de 20 a 30 anos. De primeira, projetamos uma produção de 10 mil quilos por hectare por ano, visando a uma durabilidade maior do parreiral”, complementa Souza.

A retomada de Ceraíma beneficia também aqueles que compram os produtos oriundos do perímetro para revender. “Os principais produtos que a gente compra no projeto são batata-doce, mandioca, banana, goiaba, acerola, tomate, milho verde, além de outras culturas. São produtos da melhor qualidade. Eles costumam ser distribuídos em Guanambi e toda a região. Esse é o melhor momento de Ceraíma nos últimos 40 anos, graças a Deus e à Codevasf”, conclui o comerciante local Roberto Florêncio.

Tags: ANABahiaBom Jesus da LapaCodevasfGuanambi
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