Enquanto o calor típico da transição para o outono ainda persiste em Salvador, um problema silencioso cresce na capital baiana: o aumento dos casos de hiperpigmentação. O fenômeno, que vai além da estética, já é apontado por especialistas como um desafio de saúde pública, especialmente em uma cidade onde 83,2% da população se autodeclara preta ou parda, segundo o Censo 2022 do IBGE.
Conhecida como “epidemia das manchas”, a condição envolve o aumento de casos de melasma, hiperpigmentação pós-inflamatória e foliculite. Mesmo com a sensação de menor intensidade do sol, a radiação UVA e a luz visível continuam atuando de forma agressiva sobre os melanócitos — células responsáveis pela pigmentação da pele —, que são naturalmente mais reativos em peles negras.
Segundo a médica Danìelà Hermes, especialista em saúde de peles plurais, o problema está diretamente ligado à falta de informação e à redução dos cuidados com a fotoproteção neste período.
“Na transição de estações, as pessoas relaxam na proteção solar, mas o calor continua estimulando a formação de manchas. Existe ainda o mito de que a pele negra não precisa de cuidados, o que não é verdade”, alerta.
Diagnóstico precoce é fundamental
Além do impacto estético, a hiperpigmentação pode dificultar o diagnóstico de doenças mais graves, como o câncer de pele. Dados da Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) indicam que o diagnóstico tardio ainda é um desafio entre a população negra.
Para ajudar na identificação precoce de lesões suspeitas, especialistas recomendam o uso do protocolo ABCDE:
- Assimetria e cor: diferenças entre as partes da mancha ou múltiplas tonalidades
- Bordas irregulares: contornos mal definidos
- Diâmetro: crescimento progressivo, especialmente acima de 6 mm
- Evolução: mudanças recentes em tamanho, forma, cor ou sintomas
“Atenção redobrada é necessária, especialmente porque o câncer de pele em pessoas negras pode surgir em áreas menos expostas ao sol, como palmas das mãos, plantas dos pés e unhas”, explica a médica.
Mito da imunidade ao sol
Apesar da maior concentração de melanina, a pele negra não é imune aos danos causados pelo sol. Pelo contrário, os melanócitos são mais sensíveis a estímulos externos, o que pode levar à produção excessiva de pigmento.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, o melasma afeta entre 15% e 35% das mulheres brasileiras, com maior intensidade em fototipos mais altos, predominantes na Bahia. Homens também são afetados, especialmente em casos de foliculite agravada pelo calor e suor.
Prevenção e novas tecnologias
Especialistas destacam que a prevenção vai além do uso de protetor solar tradicional. Filtros com cor e antioxidantes são mais indicados, pois ajudam a bloquear a luz visível.
Entre os tratamentos mais seguros para peles negras, destacam-se:
- Peelings superficiais: promovem renovação celular com menor risco
- Microagulhamento: estimula colágeno e trata pigmentação com segurança
- Laser de picosegundos: tecnologia avançada que atua sem efeito térmico
“A saúde da pele precisa ser vista como um cuidado contínuo, não apenas estético, mas preventivo”, conclui Danìelà Hermes.
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