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Capa Negócios

Da fronteira agrícola ao topo global: como o Brasil se tornou líder mundial no algodão

Publisher por Publisher
07/04/2026
em Negócios, Negócios Locais
Tempo de Leitura: 3 minutos
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Algodão

Divulgação

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O que começou como uma aposta arriscada no cerrado baiano, no início dos anos 1990, transformou-se em uma das maiores histórias de sucesso do agronegócio brasileiro. Em menos de três décadas, o Brasil deixou de ser importador para se tornar o maior exportador mundial de algodão, resultado de uma trajetória construída com tecnologia, organização e articulação institucional.

No centro dessa transformação está a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), fundada em 7 de abril de 1999. Um ano depois, em 2000, surgia a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), que se consolidou como uma das estaduais mais atuantes do país.

Desde a safra 2003/2004, a Bahia ocupa a posição de segundo maior produtor nacional, com destaque para o Oeste do estado, que se tornou uma das regiões agrícolas mais produtivas e tecnificadas do mundo.

Conexão que gera escala

O modelo associativo adotado pela Abrapa, com atuação integrada entre a entidade nacional e as dez associações estaduais, é apontado como um dos pilares do sucesso da cotonicultura brasileira.

Para Alessandra Zanotto Costa, presidente da Abapa, essa conexão é determinante para o fortalecimento da cadeia produtiva.

“A Abrapa direciona e conecta. É a partir dessa integração que o trabalho das estaduais ganha escala, consistência e relevância no Brasil e no mundo. Os avanços em qualidade, sustentabilidade e competitividade não são construções isoladas, mas fruto de uma atuação coordenada”, afirma.

A virada global

Um dos momentos mais decisivos dessa trajetória ocorreu fora das lavouras. Em 2002, a Abrapa, em parceria com o governo brasileiro, iniciou uma disputa na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra os subsídios concedidos pelos Estados Unidos aos produtores de algodão.

A decisão favorável ao Brasil, em 2009, redefiniu o cenário global do setor.

João Carlos Jacobsen Rodrigues, pioneiro no cultivo do algodão no Oeste da Bahia e ex-presidente da Abrapa, relembra os desafios daquele período.

“Era uma associação com pouca estrutura e recursos. A participação das estaduais foi fundamental para viabilizar essa ação”, destaca.

Estrutura e defesa no campo

Além da atuação institucional, a organização do setor também se fortaleceu no campo, especialmente no controle fitossanitário, essencial para a sustentabilidade da produção.

“O combate ao bicudo-do-algodoeiro e a outras doenças é decisivo. Sem essa estrutura, não há produção consistente”, ressalta Jacobsen.

Para Júlio César Busato, ex-presidente da Abrapa, a vitória na OMC foi determinante para o avanço do setor.

“Foi esse momento que nos deu força para nos organizar e expandir. O programa Cotton Brazil levou ao mundo a mensagem de um algodão com qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade”, afirma.

Quatro pilares estratégicos

A cotonicultura brasileira se apoia em quatro pilares: rastreabilidade, qualidade, sustentabilidade e promoção.

Esses elementos são operacionalizados pelas associações estaduais e posicionaram o algodão brasileiro como referência internacional, com presença em feiras, missões comerciais e mercados globais.

Bahia protagonista

A Bahia, segunda maior produtora do país, segue como peça-chave nesse processo. E deve ganhar ainda mais protagonismo nos próximos anos.

Celestino Zanella, ex-presidente da Abapa e futuro presidente da Abrapa para o biênio 2027/2028, projeta um cenário de liderança global consolidada.

“A cotonicultura mundial vai depender do Brasil. A Abapa sempre teve um papel relevante nesse processo e continuará sendo protagonista”, afirma.

A história do algodão brasileiro mostra como a combinação entre tecnologia, organização e articulação institucional pode transformar uma cadeia produtiva e posicionar o país como líder global.

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