Em 2022, a produção primária florestal na Bahia (soma da extração vegetal e da silvicultura) gerou um valor de R$ 924,8 milhões, representando uma forte queda de 33,2% frente ao resultado de 2021 (que havia sido de R$ 1,385 bilhão). Esta foi a primeira retração no valor da produção florestal baiana após duas altas seguidas. Com isso, o montante gerado no estado atingiu, no ano passado, seu menor patamar em 19 anos, desde 2003 (quando o valor havia sido de R$ 838,7 milhões). Os dados são do IBGE.
A queda entre 2021 e 2022 se deu tanto por conta do desempenho da silvicultura (plantação de florestas para fins comerciais), cujo valor gerado voltou a cair após dois anos, quanto por causa do valor da extração vegetal no estado, que se retraiu após aumento no ano anterior.
De um, ano para o outro, a Bahia apresentou a maior queda do país no valor da silvicultura. Entre 2021 e 2022, houve retração de 36,7% no montante, que passou de R$ 1,249 bilhão para R$ 790,3 milhões (menos R$ 458,8 milhões em um ano).
Ainda assim, a silvicultura representava quase R$ 9 em cada R$ 10 gerados pela produção florestal no estado (85,5% do total), em 2022. A Bahia seguiu com o 7º valor gerado pela silvicultura no país.
Já a extração vegetal baiana gerou R$ 134,5 milhões em 2022, numa queda de 1,3% em relação a 2021 (R$ 136,2 milhões). Mesmo com o resultado negativo, a Bahia subiu da 9ª para a 8ª posição no ranking nacional do valor da extração vegetal.
No Brasil como um todo, o valor gerado pela produção primária florestal cresceu pelo terceiro ano consecutivo e chegou ao recorde de R$ 33,7 bilhões em 2022 (+11,9% frente ao ano anterior). O incremento se deu por conta de altas tanto na extração vegetal (+0,2%, chegando a R$ 6,2 bilhões) quanto na silvicultura, que gerou R$ 27,4 bilhões em 2022, 14,9% a mais que em 2021.
Com a retração entre 2021 e 2022, a Bahia caiu da 7ª para a 9ª posição entre os estados em valor da produção primária florestal, respondendo por 2,7% do total nacional. Minas Gerais liderava, com R$ 7,6 bilhões (22,5% do total), seguido por Paraná (R$ 5,6 bilhões ou 16,6%) e Rio Grande do Sul (R$ 3,9 bilhão ou 11,5%).
Produtos da silvicultura
Entre 2021 e 2022, todos os três produtos da silvicultura investigados na Bahia tiveram redução no volume produzido: a lenha, o carvão e a madeira em tora.
A produção baiana de madeira em tora da silvicultura registrou, de um ano para o outro, a maior queda do Brasil, reduzindo-se a menos da metade, de 11,3 milhões de metros cúbicos (m³) em 2021 para 5,5 milhões de m³ em 2022 (-51,6%). Com isso, a Bahia desceu da 7ª para a 8ª posição entre os maiores produtores de madeira em tora da silvicultura no país.
O valor de produção também teve o recuo mais intenso dentre os estados, passando de R$ 1,1 bilhão para R$ 624,7 milhões (-43,7% ou menos R$ 485,6 milhões).
A queda se deu porque os três principais municípios baianos produtores de madeira em tora da silvicultura em 2021, Caravelas, Nova Viçosa e Mucuri, não tiveram registro de produção em 2022. Quem passou a liderar a produção do estado foi Santa Cruz Cabrália, com 703,7 mil m³.
A produção baiana de lenha da silvicultura também diminuiu (-5,8%), de 1,218 milhão de m³ para 1,147 milhão de m³, entre 2021 e 2022 (-71,3 mil m³). Mesmo assim, a Bahia se manteve como o 8º maior produtor de lenha por silvicultura do país em 2022, e o valor gerado pela atividade cresceu 12,6%, indo a R$ 61,7 milhões.
Já a produção de carvão da silvicultura no estado caiu 2,3% entre 2021 e 2022, chegando a 157.848 toneladas (menos 3.758 t). A Bahia se manteve como o terceiro maior produtor nacional, abaixo de Minas Gerais (6,2 milhões de toneladas) e Maranhão (211.849 t), e o valor aumentou, passando de R$ 84,1 milhões em 2021 para R$ 104,0 milhões em 2022 (+23,7%).
O município de Entre Rios lidera a produção baiana, tanto de lenha (410,6 mil m³), quanto de carvão da silvicultura (73,6 mil toneladas).
Área
Em 2022, a área destinada à silvicultura na Bahia diminuiu pelo terceiro ano consecutivo: -2,1% frente a 2021, de 576.431 hectares (ha) para 564.459 ha.
Caravelas se manteve como o principal destaque entre os municípios baianos em 2022, com 79.449 ha dedicados à silvicultura, 14,1% do total do estado. A cidade se manteve na 9ª posição entre as maiores áreas de florestas plantadas no país.
Desde 2013, a Bahia tem a 7ª maior área de silvicultura do país. No ano passado, o estado respondia por 6,0% dos 9,472 milhões de hectares de floresta plantadas no Brasil. A área nacional de florestas plantadas cresceu 0,1% frente a 2021.
Minas Gerais (2,090 milhões de hectares, 22,1% do total), São Paulo (1,231 milhão de hectares, ou 13,0%) e Mato Grosso do Sul (1,187 milhão de hectares, ou 12,5%) detinham, em 2022, as maiores fatias da área de silvicultura do Brasil.
Produtos madeireiros
Em 2022, o volume dos produtos madeireiros extraídos da natureza continuou a cair na Bahia. A produção extrativa de madeira vem perdendo espaço ao longo dos anos em virtude da legislação ambiental, que estabelece maior rigor e controle em operações que envolvem espécies nativas.
A produção de carvão a partir de madeira nativa diminuiu na Bahia, de 2021 para 2022 (-2,9%), indo a 41.793 toneladas. Foi o sétimo recuo seguido no estado, que, apesar disso, subiu da quinta para a quarta posição entre os maiores produtores do país, ultrapassando o Piauí.
O município de Baianópolis, que já chegou a liderar a produção de carvão da extração no país e era o 4º colocado em 2021, perdeu uma posição e passou a ser o 5º maior produtor nacional em 2022, com 13,9 mil toneladas.
O 2º maior produtor de carvão por extração da Bahia é o município de São Desidério, que está na 12ª posição nacional (7,6 mil toneladas). Quem fecha o top-3 baiano é Cristópolis, que fica na 16ª colocação no Brasil (5,0 mil toneladas).
A quantidade de lenha extraída na Bahia cai seguidamente desde 2010 e, em 2022, recuou 7,8%, em relação a 2021, chegando ao seu menor patamar em 36 anos (desde 1986): 1,4 milhão de m³. A redução de 123,4 mil m³ no estado, frente ao ano anterior, foi a segunda maior do país em termos absolutos, inferior apenas à do Pará (menos 138,4 mil m³).
Com isso, em 2022, a Bahia caiu do 4º para o 6º lugar entre os maiores produtores de lenha por extração do Brasil.
Os três municípios baianos que mais extraíram lenha da natureza, em 2021, foram Serra do Ramalho (62,8 mil m³), Riacho de Santana (62,0 mil m³) e Santa Rita de Cássia (59,6 mil m³).
A produção de madeira em tora por extração na Bahia caiu 9,0% entre 2021 e 2022, chegando também ao seu menor volume desde 1986: 163.696 m³. Ainda assim, o estado subiu da 11ª para 9ª posição entre os maiores produtores do país, num ranking que é liderado por Pará (4,750 milhões de m³), Mato Grosso (4,101 milhões de m³) e Amazonas (884,7 mil m³).
Queda
De 2021 para 2022, houve redução na quantidade de 7 dos 10 produtos não madeireiros da extração vegetal investigados na Bahia.
O recuo na produção de piaçava (menos 405 toneladas ou -8,1%, chegando a um volume de 4.623 t) foi o mais representativo, em termos absolutos.
Por outro lado, o estado apresentou crescimento na produção de umbu (+2,7% ou mais 150 toneladas, chegando a 5.753 t), que se manteve como o maior entre os produtos não madeireiros da extração vegetal na Bahia.
Em 2022, o estado manteve a liderança nacional da produção de piaçava e umbu.
Dos 10 municípios que mais extraem piaçava no país, 9 são baianos, com destaques para Canavieiras (850 t, 2ª colocada nacional), Nilo Peçanha (571 t, 3ª colocada) e Ituberá (477 t, 4ª colocada). A liderança nacional fica com o município de Barcelos, no Amazonas, que extraiu 2.000 t em 2022.
Já no caso do umbu, dos 10 municípios com maior extração, 4 estão na Bahia, com destaques para Mirante (434 t, 4ª colocada nacional), Manoel Vitorino (364 t, 6ª colocada) e Brumado (338 t, 8ª colocada). O líder nacional é o município de Espinosa, em Minas Gerais, com 2.150 t.
A Bahia também é líder nacional na extração de castanha-de-caju, com 571 toneladas produzidas em 2022 (57 toneladas a menos que em 2021, ou -9,1%), e licuri, com 1.012 toneladas (65 toneladas a mais que no ano anterior, ou +6,9%).
Em relação à castanha-de-caju, dos 10 municípios com maior extração, 5 estão na Bahia, com destaques para Sítio do Quinto (60 t, 3ª colocada no país), Tucano (58 t, 4ª colocada) e Jeremoabo (50 t, 5ª colocada). A liderança nacional fica com a cidade de Brejinho, em Pernambuco (79 t).
No caso do licuri, todos os 10 municípios com maior extração estão na Bahia, liderados por Cansanção (146 t), Serrolândia (129 t) e Monte Santo (122 t).