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Capa Negócios

Entidades do setor produtivo do país condenam invasões de fazendas da Suzano

GERALDO BASTOS por GERALDO BASTOS
03/03/2023
em Negócios, Negócios Locais
Tempo de Leitura: 3 minutos
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Entidades do setor produtivo do país condenam invasões de fazendas da Suzano

Três fazendas de cultivo de eucalipto da Suzano foram invadidas pelo MST (Foto: Coletivo de Comunicação do MST na Bahia)

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Entidades representativas do setor produtivo do país divulgaram notas nas últimas horas condenando e repudiando as invasões de áreas produtivas da Suzano nos municípios de Mucuri, Teixeira de Freitas e Caravelas, no Extremo-Sul da Bahia, por cerca de 1.550 militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) manifestou seu repúdio à invasão de três fazendas de cultivo de eucalipto da empresa de papel e celulose e cobrou uma solução rápida.

“A ação, realizada no dia 27 de fevereiro, viola o direito à propriedade privada e gera impactos negativos em áreas produtivas, que geram emprego e renda e beneficiam comunidades circunvizinhas”, afirma entidade. “Confiante nas leis e no Estado brasileiro, a Fieb acredita que os direitos de quem produz serão garantidos e que uma solução rápida será dada à situação”.

A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura – movimento composto por mais de 300 representantes do setor privado, setor financeiro, academia e sociedade civil – disse que o o ato ignora preceitos constitucionais e prejudica a geração de emprego e renda na região. “Os enormes desafios fundiários existentes no Brasil não devem ser enfrentados a partir de ações ilegais que impactam propriedades produtivas ou comprometem empreendimentos econômicos que geram empregos e mobilizam a economia local e nacional. A ocupação de imóveis que cumprem esta função social não pode ser aceita em hipótese alguma.”, afirma.

Na nota, a entidade diz ainda que os primeiros afetados pela paralisação de um empreendimento são aqueles diretamente envolvidos em sua operação. Além disso, as invasões podem alimentar a traumática polarização ideológica que acomete o cenário político nacional. “A sociedade tem mais a ganhar se nos dedicarmos a reconstruir pontes”, diz.

Já a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), apontou que, “além do flagrante desrespeito à legislação, as ações, ao invés de promoverem justiça social, acarretam prejuízos econômicos e sociais, pondo em risco empregos e renda”.

Nesta quinta-feira (2/3), o Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) determinou que a Suzano poderá iniciar um processo de reintegração da  fazenda de  Mucuri. Assinada pelo juiz Renan Souza Moreira, a decisão também estabelece uma multa diária de R$5 mil caso outras áreas da região sejam ocupadas pelo grupo. Caso haja descumprimento da decisão judicial, a força policial poderá ser acionada para executar a medida.

A Suzano chegou há Bahia há 31 anos. Gera cerca de 6 mil empregos diretos na região, onde mantém a Unidade Mucuri, com capacidade anual de produção de 1,7 milhão de toneladas de celulose, 252 mil toneladas de papel e cerca de 52 mil toneladas de bens de consumo. A unidade traz em sua história um legado de transformação para o município. Para o MST, “a produção do monocultivo de eucalipto gera lucro somente para o capital e não retorna para a região”.

Outras invasões

Na madrugada de quarta-feira (1/3), cerca de 120 Mulheres Sem Terra ocuparam a Fazenda Santa Maria, no município de Itaberaba/BA, na região da Chapada Diamantina. Em seu site, o MST diz que “a fazenda ocupada tem quase 2 mil hectares de terra improdutiva e que a muitos anos estão abandonadas e sem cumprir sua função social”. Os proprietários negam.

Outra ocupação aconteceu no sábado de Carnaval (18), onde cerca de 200 tomaram o perímetro irrigado do Projeto Nilo Coelho, no município de Casa Nova, regional norte baiano. O movimento diz que não houve o cumprimento do acordo realizado no ano de 2008 entre a Codevasf, governo federal, Incra e MST para assentar 1.000 famílias.

Tags: BahiaFiebMSTMucuriSuzano
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