A quarta edição do ESG com Dendê, realizada nesta segunda-feira (20), no auditório da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), reforçou um consenso entre empresários, executivos e especialistas: a agenda ESG só produz resultados concretos quando coloca as pessoas no centro das decisões.
Promovido pela Revista Let’s Go Bahia, o encontro consolidou-se como um dos principais fóruns de debate sobre sustentabilidade, governança, inovação e desenvolvimento econômico do estado, reunindo lideranças empresariais para discutir os desafios e as oportunidades da implementação das práticas ESG.
Governança depende de lideranças engajadas
Embora a governança — representada pela letra “G” da sigla ESG — tenha sido apontada como prioridade por diversas empresas participantes, os painelistas defenderam que processos e estratégias só se tornam efetivos quando contam com o comprometimento de lideranças, colaboradores e comunidades.
Durante o painel “O Papel das Empresas na Construção de Territórios Mais Sustentáveis e Inclusivos”, a líder de Comunicação e Comunidade da Tronox, Natália Leoni, destacou que o desenvolvimento empresarial está diretamente ligado ao fortalecimento dos territórios onde as empresas atuam.
“Não existe desenvolvimento empresarial sem desenvolvimento territorial, e um dos grandes desafios dessa área é envolver lideranças e gestores nesse processo, aliando iniciativa privada e poder público.”
A coordenadora do Polo Sebrae Onshore do Sebrae Bahia, Aline Lobo, complementou o debate ressaltando que apoiar pequenos empreendedores representa um caminho estratégico para impulsionar o desenvolvimento econômico regional.
Infraestrutura como ferramenta de inclusão
Outro destaque da programação foi o painel “Infraestrutura Sustentável e Mobilidade Inteligente”, que reuniu representantes de grandes empresas com atuação na Bahia.
O CEO do Salvador Bahia Airport, Júlio Ribas, apresentou iniciativas voltadas à inclusão e à humanização dos serviços, como treinamentos para atendimento especializado e espaços destinados ao acolhimento de pessoas neurodivergentes.
Já o diretor de Comunicação e Branding da BYD Brasil, Pablo Toledo, destacou que o rápido crescimento da empresa amplia os desafios relacionados à governança corporativa.
Representando a CCR Metrô Bahia, a diretora Juliana Romão apresentou resultados sociais alcançados pela concessionária, entre eles:
- 108 mil pessoas beneficiadas por projetos sociais;
- 159 toneladas de resíduos reciclados desde 2016;
- previsão de mais de R$ 1 bilhão em investimentos, ao longo dos próximos dez anos, em tecnologia e inclusão social.
Ao resumir a atuação da empresa, Juliana destacou:
“Infraestrutura é ferramenta de inclusão.”
Bioeconomia e inovação sustentável
A programação também abordou as oportunidades da bioeconomia e da economia verde para o desenvolvimento da Bahia.
O painel reuniu o diretor da Andrade Schimmelpfeng Arquitetura, Walter Schimmelpfeng, e o fundador da Ecoloy, Loyola, que discutiram alternativas para integrar inovação, preservação ambiental e desenvolvimento econômico.
Os participantes defenderam que projetos sustentáveis exigem planejamento de longo prazo e compromisso permanente com a transformação dos territórios.
Confiança é o maior patrimônio das organizações
Encerrando o evento, a especialista em reputação corporativa Monique Melo conduziu a palestra “O Elo entre Valores, Reputação e Resultado”, destacando que a credibilidade das organizações depende da coerência entre discurso e prática.
“Quando falamos em ESG, muitas vezes pensamos em indicadores, relatórios ou certificações. Mas, no fundo, estamos falando de algo muito mais humano. Estamos falando de confiança. Reputação é aquilo que as pessoas concluem a partir das decisões que uma organização toma todos os dias. O ESG, acima de tudo, é uma agenda de confiança, e a confiança continua sendo o ativo mais valioso de qualquer organização.”
Também participaram da programação a publisher da Let’s Go Bahia, Veronica Villas Boas; o advogado e especialista em governança Augusto Cruz; e a jornalista e consultora em comunicação Juliana Montenegro.
Ao final do encontro, ficou evidente que inovação, sustentabilidade e governança dependem, acima de tudo, do engajamento das pessoas e da construção de relações de confiança capazes de gerar impactos duradouros.
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