BA de Valor
  • Atualidade
  • Economia
  • Negócios
  • Sua Chance
  • Inovação
  • Notas de Valor
Sem resultado
Ver todos os resultados
  • Colunistas
  • Notas de Bolso
  • Business Lounge
  • Quem Somos
  • Anuncie
  • Contato
  • Política de Privacidade
BA de Valor
  • Atualidade
  • Economia
  • Negócios
  • Sua Chance
  • Inovação
  • Notas de Valor
Sem resultado
Ver todos os resultados
BA de Valor
PUBLICIDADE
Capa Colunistas

Adiar NR1 será retrocesso na proteção à saúde mental dos trabalhadores

Publisher por Publisher
27/05/2026
em Colunistas
Tempo de Leitura: 4 minutos
A A
0
Dr. Anísio Pinheiro

Divulgação

Share on FacebookShare on Twitter

Por Anísio Pinheiro, Médico Perito**

Adiar novamente a atualização da NR‑1 significaria impor ao país um custo social e econômico que já não pode ser absorvido. A norma existe há décadas; o que está em pauta é o aperfeiçoamento do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, que já existe, e finalmente passa a incluir os riscos psicossociais como obrigação regulatória. Tratar essa atualização como um simples ajuste de calendário é ignorar que se trata de um passo histórico na modernização da proteção ao trabalho. Em um cenário em que transtornos mentais já figuram entre as principais causas de afastamento e judicialização, recuar seria fechar os olhos para evidências robustas e para a urgência de enfrentar um problema que compromete produtividade, segurança e dignidade no ambiente laboral.

A incorporação dos riscos psicossociais representa um avanço porque rompe com a visão limitada que, por décadas, relegou a saúde mental a um tema periférico. A atualização da NR‑1 exige que empresas reconheçam que pressões abusivas, metas inalcançáveis, assédio moral, jornadas exaustivas e ambientes tóxicos são riscos tão concretos quanto ruído, calor ou agentes químicos. Adiar sua vigência significaria perpetuar a assimetria que trata o sofrimento psíquico como dano menor — quando, na prática, ele já se traduz em afastamentos prolongados, incapacidades permanentes e custos bilionários para o sistema previdenciário e para as próprias organizações.

Outro ponto central que não pode ser postergado é o caráter participativo introduzido pela atualização da norma. Ao determinar que a percepção dos trabalhadores integre o inventário de riscos, a NR‑1 reconhece que ninguém conhece melhor as tensões do cotidiano do que quem as vive. A CIPA, fortalecida como espaço de escuta, torna-se instrumento essencial para revelar ameaças invisíveis que não aparecem em medições tradicionais. Adiar essa mudança é, na prática, silenciar vozes historicamente ignoradas — e manter empresas cegas para riscos que só emergem quando trabalhadores têm espaço para falar.

A exigência de avaliações técnicas específicas, como laudos psicossociais elaborados por profissionais habilitados, também não pode ser tratada como detalhe burocrático. Esses documentos traduzem em evidências mensuráveis aquilo que, por muito tempo, foi reduzido a “impressões subjetivas”. Permitem identificar padrões de adoecimento, orientar intervenções e prevenir danos antes que se tornem irreversíveis. Adiar a atualização da NR‑1 é impedir que empresas tenham acesso a diagnósticos mais precisos e que trabalhadores contem com mecanismos efetivos de proteção.

O impacto jurídico da postergação é igualmente inegável. Levantamentos recentes indicam mais de cinco mil processos trabalhistas envolvendo riscos psicossociais desde 2014, somando bilhões em valores discutidos. Mesmo sem a atualização em vigor, ações já mencionam esses fatores — e a tendência é de crescimento. A ausência de um marco regulatório claro alimenta a insegurança jurídica: trabalhadores recorrem ao Judiciário por falta de mecanismos internos de prevenção, enquanto empresas enfrentam decisões heterogêneas e imprevisíveis. A NR‑1 atualizada oferece justamente o que falta hoje: critérios objetivos, parâmetros técnicos e responsabilidades definidas. Adiar sua implementação é prolongar um cenário de incerteza que prejudica todos os envolvidos.

A resistência à mudança nasce, em grande parte, do receio de expor práticas organizacionais que há muito deveriam ter sido revistas. Mas ceder a esse lobby significa aceitar que ambientes ‘adoecedores’ continuem operando sem transparência e sem responsabilização. A pandemia já demonstrou o quanto a saúde mental é vulnerável às condições de trabalho, seja no modelo remoto, híbrido ou presencial. Ignorar essa lição seria um erro estratégico e ético.

O Brasil precisa avançar. A atualização da NR‑1 não é apenas um aprimoramento técnico; é uma política pública de proteção à vida, de modernização das relações de trabalho e de alinhamento com padrões internacionais. Adiar sua vigência é comprometer a saúde de milhões de trabalhadores, perpetuar práticas nocivas e retardar a construção de ambientes laborais mais seguros, produtivos e humanos. O país não pode se dar ao luxo de retroceder justamente quando tem a oportunidade de corrigir distorções históricas. A implementação imediata da atualização da NR‑1 é um imperativo social, econômico e civilizatório.

**Sobre o autor – Anísio Pinheiro é médico especialista em Medicina Legal e Perícia Médica (RQE 7090) e Medicina do Trabalho (RQE 7981), atua como Perito Judicial no Tribunal Regional do Trabalho, no Ceará. Formado pela Universidade Estadual de Montes Claros em 2006, é Mestre em Patologia e Medicina Legal pela UFC, Presidente da Associação Brasileira de Medicina Legal e Perícia Médica (ABMLPM) no Ceará, professor de Perícia Médica e Preceptor da Residência em Medicina Legal e Perícia Médica nos módulos Trabalhista e Previdenciário. É também fundador do Curso 14S e da Sapiens Perícia, consolidando-se como referência na formação e atuação pericial no Brasil.

Leia mais:

Governo da Bahia discute plano de ação para reduzir impactos do El Niño no Semiárido.

Tags: destaque
Artigo Anterior

Governo da Bahia discute plano de ação para reduzir impactos do El Niño no Semiárido

Próximo Artigo

A crise invisível no ambiente profissional e o impacto do esgotamento emocional coletivo

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Katya Di Pierro
Colunistas

Entre meus passos e os nossos

Fernando Carvalho
Colunistas

Pinta e borda que alivia

Katya Di Pierro
Colunistas

Os lugares onde a vida acontece

Próximo Artigo
Silvia Rezende, psicóloga

A crise invisível no ambiente profissional e o impacto do esgotamento emocional coletivo

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

  • EM ALTA
  • COMENTÁRIOS
  • ÚLTIMAS
Refinaria de Mataripe

Refinaria de Mataripe completa 76 anos como segunda maior do Brasil em volume médio de petróleo refinado

Fachada Hospital Espanhol

Sesab retoma licitação para definir gestão do Hospital Estadual 2 de Julho em Salvador

Da esquerda para a direita, Mário Bandeira, da Promarinas; Leilane Loureiro; Leandro Mané Ferrari, presidente da Associação Náutica Brasileira (ACATMAR); e Michele Castilho Henrique, jornalista e empresária do setor náutico.

CODEBA cede espaço no Porto de Salvador para pesquisa e inovação do CIMATEC MAR

Katya Di Pierro

Entre meus passos e os nossos

Lucas Araripe

Casa dos Ventos e Goldwind fecham contratos para parque eólico de 872 MW em Sento Sé, na Bahia

Cidade de Ubatã

ANBC alerta para ações que retiram registros de inadimplência e acompanha disputa judicial na Bahia

Bruno Soares e outro tenista

ACE OPEN QPC chega à 5ª edição em Salvador com Bruno Soares, tênis, beach tennis e agenda social

Camila Raenck

Camila Raenck debate impacto do “piloto automático” na rotina durante encontro com nutricionistas em Salvador

Rafael Moreira/ Adriano Vilas Boas/ Paulo Leite

Epic Horto terá apenas 42 unidades e registra 30% dos apartamentos vendidos ainda no pré-lançamento

Aviso de licitação

Seinfra inicia licitação para pavimentação de 7,3 km de vias no Baixo Sul da Bahia

Maiana Guimarães

Advogada baiana debate inteligência artificial e tecnologias assistivas em evento nacional da OAB sobre inclusão

Chef Leo Grimaldi

Tempero Bahia reúne 80 restaurantes em seis destinos e celebra sabores da Mata Atlântica baiana

Bruno Soares e outro tenista

ACE OPEN QPC chega à 5ª edição em Salvador com Bruno Soares, tênis, beach tennis e agenda social

Camila Raenck

Camila Raenck debate impacto do “piloto automático” na rotina durante encontro com nutricionistas em Salvador

Rafael Moreira/ Adriano Vilas Boas/ Paulo Leite

Epic Horto terá apenas 42 unidades e registra 30% dos apartamentos vendidos ainda no pré-lançamento

Aviso de licitação

Seinfra inicia licitação para pavimentação de 7,3 km de vias no Baixo Sul da Bahia

Maiana Guimarães

Advogada baiana debate inteligência artificial e tecnologias assistivas em evento nacional da OAB sobre inclusão

Chef Leo Grimaldi

Tempero Bahia reúne 80 restaurantes em seis destinos e celebra sabores da Mata Atlântica baiana

PUBLICIDADE

COLUNISTAS

Katya Di Pierro

Entre meus passos e os nossos

Fernando Carvalho

Pinta e borda que alivia

Katya Di Pierro

Os lugares onde a vida acontece

Katya Di Pierro

A vida acontece nas travessias

Antonio Peres Junior

Antonio Peres Junior lança livro sobre Direito, empreendedorismo e a conexão entre Brasil e Espanha

NOTAS DE BOLSO

Bandeira da FGV

FGV anuncia cursos gratuitos e online nas áreas de tecnologia, dados e inteligência artificial

Preparação de remessa da Shopee

Shopee amplia logística e reduz prazo médio de entrega em dois dias no Brasil

Refém da pobreza

BA de Valor

© 2024 BA de Valor. Todos os direitos reservados.

Institucional

  • Quem Somos
  • Anuncie
  • Contato
  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies

Siga-Nos

Sem resultado
Ver todos os resultados
  • Atualidade
  • Economia
  • Negócios
  • Sua Chance
  • Inovação
  • Notas de Valor
  • Colunistas
  • Business Lounge
  • Quem Somos
  • Contato
  • Anuncie
  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies

© 2024 BA de Valor. Todos os direitos reservados.