A Refinaria de Mataripe, na Bahia, completa 76 anos nesta quinta-feira (17) em um momento marcado pelo aumento do processamento de petróleo, investimentos em modernização e iniciativas voltadas à eficiência operacional e à diversificação energética. Administrada pela Acelen desde dezembro de 2021, a unidade ocupa atualmente a segunda posição entre as refinarias brasileiras em volume médio refinado.
Segundo dados do Anuário Estatístico Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis 2026, da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Mataripe registrou média de 262,1 mil barris de petróleo refinados por dia em 2025.
O resultado coloca a unidade atrás apenas da Replan, em Paulínia, São Paulo, que apresentou média de 395,7 mil barris por dia.
Ao longo de 2025, a Refinaria de Mataripe processou 95,1 milhões de barris de petróleo, maior volume anual desde que a Acelen assumiu sua gestão. A capacidade instalada da planta é de 302 mil barris por dia.
Acelen afirma ter investido mais de R$ 4 bilhões na modernização
Desde que assumiu a refinaria, a Acelen informa ter investido mais de R$ 4 bilhões em modernização e eficiência operacional.
“Desde que assumimos a gestão da Refinaria de Mataripe, investimos mais de R$ 4 bilhões em modernização e eficiência operacional, com o apoio de uma equipe altamente capacitada”, afirma o vice-presidente de Operações da Acelen, Celso Ferreira.
Segundo o executivo, os investimentos contribuíram para aumento da produção e ganhos de eficiência, além da redução do consumo de energia e das emissões da operação.
A refinaria possui participação relevante na capacidade brasileira de processamento. Segundo os dados apresentados pela companhia, Mataripe representa 14% da capacidade total de refino do Brasil, 42% do Nordeste e 80% da Bahia.
A empresa também atribui à planta industrial participação equivalente a 10% do PIB baiano e 16% da arrecadação estadual de ICMS.
Em geração de empregos, são mais de 1,2 mil postos de trabalho, dos quais aproximadamente 81% estão na Bahia, além de quase 3,5 mil empregos indiretos entre terceirizados e prestadores de serviços, de acordo com a Acelen.
Estrutura logística inclui 679 quilômetros de dutos
A operação de Mataripe está conectada a uma ampla infraestrutura logística.
O sistema inclui o Terminal Marítimo de Madre de Deus (TEMADRE), três terminais terrestres localizados em Candeias, Jequié e Itabuna e 679 quilômetros de dutos destinados à movimentação e distribuição dos combustíveis.
A Acelen informa ter investido R$ 70 milhões na primeira etapa da requalificação do TEMADRE. Com as intervenções, o terminal passou a receber navios da classe SuezMax, capazes de transportar aproximadamente 1 milhão de barris de petróleo.
Consumo de energia por barril caiu 11%
Parte dos investimentos realizados nos últimos anos foi direcionada à eficiência da operação.
Em 2025, o consumo energético total por barril processado foi 11% inferior ao registrado em 2022, considerando vapor, eletricidade e gás natural.
Também houve redução no consumo de água.
Entre 2022 e 2025, o volume utilizado passou de 1.684 m³ por hora para 1.284 m³ por hora, uma redução de 23,8%, segundo os dados divulgados pela empresa.
Ao mesmo tempo, a taxa de reúso da água aumentou de 37% para 56%, maior percentual já alcançado pela unidade.
Na gestão dos resíduos, a companhia informa que 93,12% do volume gerado em 2025 foi desviado de aterros. Das 27.940 toneladas produzidas, 26.018 toneladas tiveram destinos como reciclagem, reaproveitamento ou recuperação energética.
O desempenho levou a refinaria à Categoria Prata do Ranking da Certificação Aterro Zero – Zero Resíduos.
Projetos sociais somam R$ 25 milhões
A Acelen também informa ter destinado, desde o início de sua operação em Mataripe, R$ 25 milhões de recursos próprios a projetos sociais, ambientais e educacionais, sem utilização de leis de incentivo fiscal.
As iniciativas teriam alcançado mais de 3,2 mil beneficiários diretos e, indiretamente, mais de 33 mil pessoas. Também foram envolvidas mais de 12 instituições relacionadas à pesca e mais de 500 pescadores.
Uma das principais iniciativas é o Acelen Acender, instalado em Candeias e direcionado à formação profissional, inclusão socioprodutiva e fortalecimento das comunidades de Candeias, São Francisco do Conde, Madre de Deus e Ilhas de Salvador.
O espaço oferece gratuitamente programas para jovens, organizações sociais e empreendedores locais.
“Celebrar 76 anos da Refinaria de Mataripe é reconhecer todos os profissionais que ajudaram a construir essa história e que continuam fazendo parte dela”, afirma o vice-presidente de Recursos Humanos e Responsabilidade Social da Acelen, João Raful.
Energia solar passa a atender demanda externa de eletricidade
A transformação da operação também envolve a matriz utilizada pela refinaria.
No semiárido baiano, o Acelen SolarPark I, com 161 MWp de capacidade instalada, passou a suprir, segundo a companhia, 100% da demanda externa de energia elétrica da Refinaria de Mataripe.
A empresa também ampliou o portfólio da refinaria para mais de 30 produtos, atendendo atualmente mais de 100 clientes.
A estratégia de diversificação avança ainda para os combustíveis renováveis.
A Acelen Renováveis desenvolve um projeto na Bahia e em Minas Gerais que prevê uma biorrefinaria com capacidade projetada para produzir 1 bilhão de litros por ano de combustíveis renováveis, incluindo Combustível Sustentável de Aviação (SAF) e diesel renovável (HVO), utilizando a macaúba como matéria-prima.
O projeto representa uma nova frente de negócios da companhia e ainda está em desenvolvimento, não devendo ser confundido com a produção atualmente realizada pela Refinaria de Mataripe.
Para o vice-presidente de Comunicação, ESG, Relações Institucionais e Desenvolvimento Territorial da Acelen, Marcelo Lyra, a trajetória da unidade passa justamente por essa capacidade de adaptação.
“Uma operação com 76 anos só permanece relevante quando se reinventa. A Refinaria de Mataripe carrega um patrimônio industrial extraordinário, que estamos valorizando ao contribuir para uma operação mais eficiente, mais tecnológica e mais preparada para a transição energética”, afirma.
Aos 76 anos, Mataripe combina, assim, a história do refino de petróleo na Bahia com investimentos destinados a aumentar a eficiência de uma das maiores estruturas industriais do estado e novas iniciativas relacionadas à transformação da matriz energética.
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