Representantes das principais cadeias produtivas do Oeste da Bahia se reuniram, na terça-feira (1º), com o candidato ao Governo do Estado ACM Neto, durante a primeira edição do Diálogos pelo Oeste realizada na própria região. O encontro aconteceu na sede da Cooperfarms, em Luís Eduardo Magalhães, com auditório lotado.
Promovida pela Aliança do Agro, a iniciativa busca colocar as demandas estruturantes do Oeste no debate eleitoral de 2026 e ouvir dos candidatos ao governo estadual como pretendem enfrentar os principais gargalos que afetam o desenvolvimento e a competitividade da região.
A iniciativa tem caráter apartidário e, segundo as entidades, todos os candidatos ao Governo da Bahia foram convidados a participar, de acordo com a disponibilidade de suas agendas. O mesmo documento apresentado a ACM Neto já havia sido entregue em agosto, em Salvador, durante evento realizado a convite do governador e candidato à reeleição Jerônimo Rodrigues.
Ao final do encontro, ACM Neto recebeu o dossiê “Desenvolvendo o Futuro do Oeste – Desafios Estruturantes para a Competitividade Regional (2027–2030)”, elaborado pelas entidades que integram a Aliança do Agro.
O documento reúne propostas em áreas como infraestrutura e logística, segurança jurídica, licenciamento e governança ambiental, instrumentos de fomento e reforma tributária, formação profissional, planejamento, governança e representatividade.
Agroindustrialização como próximo passo
Na abertura, a presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Alessandra Zanotto Costa, defendeu que as demandas apresentadas ultrapassam partidos, governos e o próprio calendário eleitoral.
“Esta agenda não pertence a um governo, a um partido ou a uma eleição. Ela pertence ao Oeste da Bahia”, afirmou.
Entre os pontos destacados pela dirigente esteve a necessidade de maior segurança jurídica para assegurar a continuidade dos investimentos e criar condições para novos projetos. Alessandra também defendeu maior participação dos produtores na construção das políticas ambientais do Estado.
“Queremos ser parte da construção da agenda ambiental do Estado, porque não existe agro sem meio ambiente. O que queremos discutir é como governo e produtores podem trabalhar juntos”, disse.
Para a presidente da Abapa, o Oeste também vive um momento em que ampliar a produção já não é suficiente. O desafio agora é transformar uma parcela maior das matérias-primas dentro da própria região, agregando valor e gerando empregos e renda na Bahia.
O presidente da Cooperfarms, Marcelino Kuhnen, definiu essa etapa como o “segundo giro da roda” do desenvolvimento regional.
“É transformar grãos em proteína, proteína em indústria, indústria em trabalho e trabalho em renda”, resumiu.
Segundo ele, essa agroindustrialização depende de condições que vão de infraestrutura, logística e energia a crédito, segurança jurídica e maior eficiência do licenciamento ambiental.
Infraestrutura e logística entre as prioridades
Ao responder às demandas apresentadas pelas entidades, ACM Neto afirmou que a agenda do Oeste deve ser tratada como um projeto regional e de Estado, com definição de metas, prazos, recursos e responsabilidades.
Na área de infraestrutura e logística, defendeu maior integração entre rodovias, ferrovias, aeroportos e portos.
Entre as prioridades citadas estiveram a duplicação da BR-242 entre Barreiras e Luís Eduardo Magalhães, a operação comercial dos aeroportos das duas cidades, o avanço da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) e a articulação de corredores capazes de conectar a produção regional aos portos baianos.
O candidato reconheceu que todos os gargalos não poderiam ser solucionados durante um único mandato e defendeu que cada projeto tenha cronograma e definição das responsabilidades dos governos estadual e federal, além das iniciativas que dependem do Congresso Nacional.
Energia, conectividade e segurança jurídica
Outro ponto discutido foi a necessidade de ampliar a infraestrutura de energia e conectividade.
ACM Neto relacionou a estabilidade do fornecimento energético à capacidade de atrair novas agroindústrias e citou, entre as possibilidades, a instalação de fiações e tecelagens no Oeste, aproveitando a força da produção regional de algodão.
Na conectividade, defendeu a expansão da cobertura para propriedades rurais, postos fiscais e serviços públicos, além de sua utilização em sistemas de segurança e monitoramento.
Em relação à segurança jurídica, comprometeu-se com o respeito ao direito de propriedade e com a busca de soluções para situações que dificultam o acesso ao crédito e a realização de novos investimentos.
O candidato também defendeu diálogo com o Judiciário sobre as taxas cartorárias rurais, argumentando que o modelo de cobrança deve favorecer a regularização das propriedades.
Licenciamento ambiental mais próximo da região
No eixo ambiental, ACM Neto propôs descentralizar o atendimento do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), ampliar seu quadro técnico e utilizar tecnologia para dar maior transparência e previsibilidade aos processos.
Segundo a proposta apresentada no encontro, o primeiro escritório avançado seria instalado no Oeste, com equipe permanente para atender às demandas da região e acelerar as análises.
“Acelerar não significa fragilizar”, afirmou, ao defender a conciliação entre produção e preservação ambiental.
A transição provocada pela reforma tributária também entrou no debate. Neto afirmou que os instrumentos estaduais de atração de investimentos precisarão se adaptar ao novo sistema tributário e relacionou a competitividade futura da Bahia à combinação de infraestrutura, crédito, segurança jurídica e ambiente de negócios.
Formação profissional e planejamento de longo prazo
Na formação de mão de obra, o candidato defendeu maior aproximação entre o ensino médio e as vocações econômicas de cada território, incluindo parcerias com o Sistema S e o Senai Cimatec.
Para o Oeste, a proposta seria direcionar parte da formação para as necessidades da agroindústria, tecnologia e novas atividades econômicas decorrentes da transformação da produção regional.
No eixo de planejamento e governança, ACM Neto propôs a elaboração de planos econômicos para os 27 territórios de identidade da Bahia, construídos com participação das forças locais e com previsão de conclusão até o final de 2027.
Esses documentos deveriam orientar metas de investimento, expansão dos serviços públicos e geração de renda, com participação permanente do setor produtivo.
Aliança do Agro cobra compromissos além da eleição
Ao final do encontro, ACM Neto afirmou que pretende manter um canal permanente de diálogo com as entidades caso seja eleito.
“Não é o Estado de um lado e o produtor de outro. Acho que todo mundo tem que se colocar no mesmo lado da mesa”, disse.
Alessandra Zanotto Costa ressaltou que o objetivo das entidades também será acompanhar como as propostas destinadas à região se transformarão em ações concretas.
“Não basta que a região apareça no plano. É preciso que ela apareça no orçamento, no cronograma, na prioridade e na entrega”, afirmou.
A Aliança do Agro reúne entidades representativas de diferentes cadeias produtivas do Oeste da Bahia, buscando transformar demandas compartilhadas pelo setor em uma agenda regional de desenvolvimento.
Leia mais:
Sustentabilidade rende dois prêmios ao arquiteto Walter Schimmelpfeng na CASACOR Bahia 2026.


























