Representantes do agronegócio baiano apresentaram ao governador e candidato à reeleição Jerônimo Rodrigues, na última sexta-feira (14), um conjunto de propostas consideradas estratégicas para ampliar a competitividade do setor e impulsionar o desenvolvimento econômico do estado entre 2027 e 2030.
O encontro ocorreu na sede da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), em Salvador, e teve como principal documento o dossiê “Desenvolvendo o Futuro do Oeste – Desafios Estruturantes para a Competitividade Regional (2027–2030)”, elaborado por entidades do setor produtivo.
Jerônimo foi o primeiro candidato ao Governo da Bahia a receber formalmente o documento.
Entre as principais demandas estão infraestrutura e logística, segurança jurídica, licenciamento ambiental e recursos hídricos, energia, pesquisa, inovação e condições para ampliar a agroindustrialização da produção baiana.
Segurança jurídica é tratada como “insumo” para produzir
A presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Alessandra Zanotto Costa, destacou que o Oeste da Bahia possui potencial para ampliar significativamente sua produção, investimentos e geração de empregos, mas argumentou que esse crescimento depende de condições estruturais.
“Para o agricultor, a segurança jurídica é um insumo tão essencial quanto a semente, a terra ou a água. Ela garante estabilidade para investir, produzir, ampliar negócios e acessar crédito”, afirmou.
Para a dirigente, a previsibilidade jurídica precisa estar acompanhada de maior eficiência no licenciamento ambiental e nas autorizações relacionadas aos recursos hídricos, além de investimentos em pesquisa e inovação.
Rodovias, Porto de Salvador e FIOL entram na pauta
Outro ponto considerado prioritário é a infraestrutura logística.
A presidente da Abapa chamou atenção para as condições das rodovias utilizadas tanto para o escoamento da produção quanto para o transporte dos insumos necessários à atividade agrícola.
Também foram defendidos investimentos no Porto de Salvador e a efetivação de projetos ferroviários, especialmente a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL).
O algodão foi utilizado como exemplo dos desafios atuais. A Bahia é o segundo maior estado produtor da fibra no país, mas, segundo Alessandra, mais de 90% da produção baiana destinada ao exterior ainda segue para exportação através do Porto de Santos, a aproximadamente dois mil quilômetros de Salvador.
A avaliação do setor é de que uma estrutura logística mais competitiva poderia não apenas ampliar os embarques pelos portos baianos, mas favorecer a instalação de outros elos da cadeia produtiva no próprio estado.
Verticalização pode ampliar geração de empregos
A atração de indústrias para processar localmente a produção agrícola também integra a agenda.
Para as entidades, a verticalização permitiria agregar valor às commodities produzidas no cerrado baiano, estimulando investimentos e geração de empregos.
Um dos principais entraves apontados para esse movimento é o fornecimento de energia elétrica.
Segundo Alessandra Zanotto Costa, a disponibilidade de energia com qualidade e regularidade é indispensável tanto para os produtores que pretendem ampliar suas operações quanto para a atração de novos investimentos industriais.
O presidente da Aiba, Moisés Schmidt, também defendeu maior agilidade do Estado diante das demandas do setor. Segundo ele, as políticas públicas precisam acompanhar o ritmo de expansão alcançado pela produção no Oeste baiano.
Governo anuncia comissão para acelerar processos ambientais
Durante o encontro, integrantes do governo estadual receberam orientações para analisar as demandas apresentadas e buscar soluções de maneira integrada.
O secretário estadual do Meio Ambiente, Eduardo Sodré, propôs a criação de uma comissão conjunta entre a Sema e a Seagri destinada a agilizar a análise e liberação das autorizações de outorga.
A reforma tributária e seus possíveis impactos sobre mecanismos de financiamento do setor também foram discutidos.
O secretário da Fazenda, Manoel Vitório, afirmou que o Estado pretende dialogar com o setor sobre alternativas para preservar instrumentos estruturantes, como o Prodeagro, diante das mudanças provocadas pelo novo sistema tributário.
Estado promete acompanhar investimentos em energia
Na área energética, o superintendente de Energia e Comunicações da Seinfra, Celso Reinaldo Rodrigues, afirmou que o governo pretende acompanhar o plano de investimentos da concessionária, incluindo a execução de obras, implantação de subestações e expansão da rede destinada ao atendimento do agronegócio.
O objetivo é enfrentar uma das limitações apontadas pelas entidades para a atração de investimentos e a industrialização da produção regional.
Jerônimo Rodrigues, acompanhado do vice-governador Geraldo Júnior, defendeu a continuidade do diálogo com o setor produtivo e afirmou que as demandas apresentadas precisam ser tratadas como políticas de Estado, para além do calendário eleitoral.
“Um governador precisa do segmento produtivo para elevar a produção do Estado. E isso é feito com a garantia da escuta e das condições adequadas para que o setor possa ter sua autonomia”, declarou.
O encontro reuniu representantes de diferentes cadeias produtivas e entidades, entre elas Abapa, Aiba, Abaf, Oceb, Cooperfarms, Captar, sindicatos rurais e associações setoriais, além de executivos de empresas do setor florestal e industrial.
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