Estudantes, moradores e voluntários participaram de um mutirão de limpeza que recolheu 37 quilos de resíduos na faixa de areia e no manguezal de Praia Grande, em Ilha de Maré, em Salvador. A ação foi realizada na manhã de sexta-feira (25) pelo projeto Corais de Maré, desenvolvido pela startup Carbono 14 com patrocínio da Braskem.
Além da retirada dos resíduos, a programação incluiu atividades de educação ambiental com estudantes da Escola Municipal de Ilha de Maré. A proposta foi aproximar crianças e moradores de temas relacionados à conservação dos ecossistemas marinhos e estimular a participação da própria comunidade na preservação do território.
Para José Roberto Caldas, o Zé Pescador, CEO da Carbono 14 e idealizador do Corais de Maré, o envolvimento dos moradores é um dos principais componentes da iniciativa.
“Queremos que os moradores e as crianças se apropriem desse cuidado, tenham noção sobre ciência oceânica, ciência cidadã e economia do mar. O objetivo é que eles compreendam a riqueza do local onde moram, e os esforços necessários para sua conservação”, afirma.
Educação ambiental envolve moradores da comunidade
Moradora de Ilha de Maré e monitora do projeto durante o mutirão, Talita Maciel destacou que a retirada dos resíduos é apenas uma das dimensões da atividade.
“Além da limpeza em si, é uma forma de levar a educação ambiental para todos os moradores. Nós dependemos do meio ambiente e temos que fazer nossa parte para ajudá-lo, especialmente em uma comunidade onde a principal atividade econômica é a pesca”, disse.
A relação entre preservação ambiental e atividades econômicas locais é particularmente importante em comunidades costeiras. Manguezais, recifes e outros ambientes marinhos estão diretamente relacionados à biodiversidade e aos recursos utilizados pela pesca artesanal.
A proposta do projeto é, por isso, combinar ações de recuperação ambiental com educação e participação comunitária.
Corais de Maré já cultiva mais de 3 mil colônias
O mutirão integra um projeto que está há quatro anos em atividade na Baía de Todos-os-Santos.
Segundo os responsáveis pelo Corais de Maré, 3.181 colônias de coral já foram cultivadas e estão em desenvolvimento em uma área de aproximadamente 7 mil metros quadrados.
O trabalho é realizado em parceria com a Universidade Federal da Bahia (UFBA) e o Instituto de Pesca Artesanal de Ilha de Maré (IPA).
A iniciativa utiliza estruturas produzidas com plástico e outros materiais como parte de uma tecnologia destinada a favorecer o desenvolvimento de colônias da espécie nativa Millepora alcicornis, conhecida como coral-de-fogo.
A gerente de Relações Institucionais da Braskem na Bahia, Magnólia Borges, afirma que a combinação entre tecnologia e educação ambiental amplia o alcance do projeto.
“É um projeto que utiliza tecnologia inovadora para promover o repovoamento dos corais, inclusive com o uso de materiais plásticos desenvolvidos para essa finalidade. Tanto a recuperação dessas estruturas quanto o mutirão e a palestra com os alunos são ações importantes para mostrar, na prática, que todos podemos contribuir para cuidar dos nossos mares e da biodiversidade, caminhando em direção a um planeta mais sustentável”, declarou.
Projeto leva conhecimento sobre biodiversidade para escolas
Antes do mutirão, os estudantes participaram de uma atividade do Corais de Maré Vai à Escola, braço educacional da iniciativa.
A programação apresentou aos alunos informações sobre os recifes de corais, sua relação com a biodiversidade marinha e os impactos ambientais capazes de provocar sua degradação.
Para Géssica Costa, vice-gestora da Escola Municipal de Ilha de Maré, levar o tema para dentro e para fora da sala de aula contribui para aproximar os estudantes da realidade do território onde vivem.
“Com isso, eles se sentem representados. Além disso, levar os estudantes para a atividade de campo também foi de extrema relevância, para eles poderem integrar o conhecimento de sala de aula com atividades práticas”, afirmou.
Em seu terceiro ano, o Corais de Maré Vai à Escola realiza palestras e experiências imersivas em cinco escolas da Ilha de Maré.
As atividades atendem estudantes do ensino fundamental e da educação infantil, além dos profissionais das unidades escolares, abordando a biodiversidade marinha, sua importância para as comunidades locais e as pressões ambientais sobre esses ecossistemas.
Ao associar o trabalho desenvolvido nas escolas às atividades de campo, como o mutirão em Praia Grande, o projeto busca transformar a conservação marinha em uma questão próxima da rotina das crianças e dos moradores de Ilha de Maré.
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