A cotonicultura baiana ganhou espaço na abertura do 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), nesta terça-feira (22), em Belo Horizonte (MG). A Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) iniciou sua participação no encontro com homenagens a dois ex-presidentes da entidade e uma contribuição técnica sobre as estratégias adotadas na Bahia para o controle do bicudo-do-algodoeiro.
Os produtores João Carlos Jacobsen Rodrigues e Júlio Cézar Busato, que tiveram participação na expansão da cultura no Oeste baiano e já presidiram a Abapa, foram homenageados ao lado de dirigentes de outras associações estaduais por suas contribuições à trajetória da cotonicultura brasileira.
As honrarias foram entregues pela atual presidente da Abapa, Alessandra Zanotto Costa.
Na programação técnica, o gerente fitossanitário da entidade, Giorge Gomes, participou do Hub Técnico de Entomologia, apresentando a experiência baiana no controle do bicudo, uma das principais pragas enfrentadas pela cultura do algodão.
O Congresso, promovido pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), segue até quinta-feira (24), no Expominas, com o tema “Algodão brasileiro: fibra natural. Uma jornada com propósito, qualidade e transparência”.
Pioneiros da cotonicultura no Oeste baiano são homenageados
João Carlos Jacobsen Rodrigues está entre os produtores ligados à formação da cadeia do algodão no Oeste da Bahia. Ele chegou ao Cerrado baiano em 1982, vindo do Paraná, inicialmente para trabalhar com o cultivo de arroz, e posteriormente participou da expansão da cotonicultura na região.
Jacobsen foi um dos fundadores e o primeiro presidente da Abapa. Também presidiu a Abrapa por dois mandatos, atuando na representação do setor e em iniciativas relacionadas à inserção do algodão brasileiro no mercado internacional.
Júlio Cézar Busato chegou ao Oeste baiano em 1987, após concluir a graduação em Engenharia Agronômica pela Universidade de Passo Fundo.
Ao lado dos irmãos, participou da criação do Grupo Busato, com atuação na produção de algodão, soja, milho e sorgo. Ao longo da trajetória, exerceu funções em diferentes organizações do setor, incluindo a presidência da Abapa no biênio 2017/2018, além de posições na Abrapa, Aiba, Fundação Bahia e colegiados ligados ao Ministério da Agricultura.
Brasil discute como sustentar posição no mercado internacional
Na abertura do Congresso, representantes do setor destacaram o crescimento da cotonicultura brasileira e os desafios associados à competitividade internacional.
Gustavo Piccoli ressaltou que a expansão alcançada pelo país cria uma nova etapa para a cadeia produtiva.
“Chegar até aqui exigiu coragem para crescer. Permanecer aqui exigirá inteligência para decidir. E continuar avançando exigirá, mais uma vez, nossa capacidade de caminhar juntos, com propósito, qualidade e transparência”, afirmou.
O ministro André de Paula Filho também abordou a trajetória do produto brasileiro no exterior e destacou a produtividade e a conquista de mercados como elementos dessa evolução.
Bahia apresenta estratégia permanente contra o bicudo
Na programação técnica do primeiro dia, a Abapa levou ao Congresso a experiência desenvolvida no Oeste baiano para o enfrentamento do bicudo-do-algodoeiro.
O controle da praga envolve uma combinação de planejamento, monitoramento, vazio sanitário, eliminação de plantas voluntárias, destruição dos restos culturais e tecnologias de aplicação.
Segundo Giorge Gomes, a eficiência depende principalmente da coordenação entre propriedades e diferentes integrantes da cadeia produtiva.
“O combate ao bicudo exige integração. Na Abapa, isso se materializa em uma rede de ações que combina campo, tecnologia, dados e orientação técnica. Não se trata, portanto, de uma única ferramenta ou de uma resposta pontual à presença do inseto, mas de um sistema permanente de vigilância e manejo fitossanitário”, explicou.
Na Bahia, o programa reúne diferentes ações distribuídas ao longo do calendário agrícola, incluindo InfoFITO, vazio sanitário, armadilhamento, monitoramento das áreas de rotação, identificação e controle de tigueras às margens das rodovias, Projeto Caça-Esporos, acompanhamento da janela de plantio, colheita e destruição dos restos culturais.
A estrutura inclui ainda o Núcleo de Inteligência de Dados e programas de calibração de aeronaves, drones e pulverizadores terrestres.
“O bicudo não respeita os limites de uma propriedade. Por isso, seu controle não pode depender exclusivamente de uma decisão tomada dentro de uma única porteira”, ressaltou Gomes.
Abapa segue na programação até quinta-feira
A participação baiana continua nesta quarta-feira (23). Alessandra Zanotto Costa, que também integra a Comissão Organizadora do Congresso, participa da plenária “O algodão brasileiro no tabuleiro global: perspectivas e estratégias para a safra 2026/2027”.
Na quinta-feira (24), ela será mediadora da discussão “Por que o Brasil precisa repensar o futuro da indústria têxtil?” e participará ainda de workshop sobre desenvolvimento de liderança feminina.
Também na quinta-feira, o gerente do Centro de Análise de Fibras da Abapa, Sérgio Brentano, apresentará o workshop “Algodoeiras e laboratórios de qualidade de fibras”. O debate abordará desafios observados nos laboratórios durante a safra 2025/26 e a integração dos diferentes agentes envolvidos na avaliação da fibra.
Pesquisa produzida no Oeste da Bahia também é reconhecida
A participação baiana no Congresso alcançou ainda o ambiente acadêmico.
A professora Antônia Mirian, da Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), em Barra, recebeu reconhecimento pelo maior número de publicações relacionadas a estudos sobre algodão.
A premiação foi entregue pelo coordenador da Comissão Científica e Julgadora do 15º CBA, Rafael Galbieri, e pelo diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero.
Com produtores, dirigentes, técnicos e pesquisadores presentes na programação, a participação da Bahia no Congresso evidencia diferentes dimensões de uma cadeia que envolve produção agrícola, defesa fitossanitária, tecnologia, qualidade da fibra, pesquisa científica e representação institucional.
Leia mais:
Empresas de combustíveis têm até 1º de dezembro para comprovar novo capital mínimo à ANP.
























