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Capa Negócios

Mulheres que semeiam o futuro: educação e protagonismo feminino fortalecem o algodão na Bahia

Publisher por Publisher
11/03/2026
em Negócios, Negócios Locais
Tempo de Leitura: 4 minutos
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Diretoria ABAPA

Divulgação

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Muito antes de a agricultura se tornar ciência, as mulheres já desempenhavam um papel essencial na domesticação de plantas e na construção dos primeiros sistemas agrícolas. Nas sociedades de caçadores-coletores, há cerca de 12 mil anos, enquanto os homens se dedicavam à caça, cabia a elas a coleta de sementes, frutos e raízes. A partir da observação dos ciclos naturais, começaram a selecionar sementes e replantá-las próximas aos acampamentos humanos — um passo decisivo para o surgimento da agricultura.

A relação histórica entre mulheres e agricultura atravessou civilizações. Na Roma antiga, por exemplo, a fertilidade da terra e as colheitas eram simbolizadas por Ceres, divindade associada aos ciclos da natureza. O legado cultural é tão profundo que o nome da deusa deu origem à palavra “cereal”.

Apesar dessa ligação milenar com a produção de alimentos, mulheres ainda enfrentam desafios para conquistar reconhecimento e ocupar posições de decisão no campo. Na cadeia produtiva do algodão na Bahia, no entanto, essa realidade vem mudando gradualmente, com a ampliação da presença feminina em diferentes áreas — da pesquisa científica às fazendas, da operação de máquinas à gestão de negócios e entidades representativas.

Um exemplo desse movimento é a Associação Baiana dos Produtores de Algodão, que atualmente tem na presidência a cotonicultora Alessandra Zanotto Costa — a segunda mulher a ocupar o cargo em 26 anos de história da entidade. O quadro de colaboradores da associação também reflete essa transformação: mais de 60% dos profissionais são mulheres.

Educação como semente de transformação

Para ampliar ainda mais a participação feminina no setor, a Abapa aposta em iniciativas educacionais. Um dos principais projetos é o programa Conhecendo o Agro, desenvolvido no Centro de Treinamento da entidade e voltado à aproximação entre escolas e a realidade da produção agrícola no Oeste baiano.

A educação sempre esteve ligada à história da cotonicultura na região. Um dos nomes mais emblemáticos dessa conexão é o da professora Claire Wobeto Rodrigues, conhecida como Vick. Pedagoga formada pela Universidade do Estado da Bahia (Uneb), ela dedicou décadas ao ensino em Barreiras e ajudou a formar gerações de jovens que hoje atuam no agronegócio regional.

Além da carreira na educação, Vick também participou da construção institucional do setor algodoeiro. Seu marido, João Carlos Jacobsen Rodrigues, foi o primeiro presidente da Abapa e também presidiu a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão. Em um período em que a entidade ainda estruturava suas atividades, ela contribuía com discursos, cerimoniais e organização de eventos.

“Eu sempre vi a educação como agente de transformação. Muitos desses ‘meninos’ que hoje estão no agro passaram pela escola onde trabalhei. Quando encontro alguns deles já profissionais, fico muito feliz de saber que participei, ainda que um pouco, da formação deles”, relembra.

Entre esses ex-alunos está a própria presidente da Abapa, Alessandra Zanotto Costa, que destaca a influência da professora em sua trajetória.

“A ‘tia’ Vick é uma inspiração. Quando falamos da força da mulher no agro, não estamos falando apenas da presença nas fazendas ou nas empresas, mas também da formação de pessoas. Professores assim ajudam a preparar gerações inteiras”, afirma.

Educar também é cultivar

A ligação entre educação e agro também aparece na trajetória da professora Nádila Matos Sardeiro, educadora do município de Wanderley. Com 24 anos de experiência em sala de aula, ela passou a integrar o programa Conhecendo o Agro recentemente.

Em um projeto desenvolvido com alunos do ensino fundamental, Nádila criou um jogo pedagógico sobre o ciclo do algodão, conectando conteúdos de história — como a Revolução Industrial — à realidade produtiva do Oeste baiano.

“O algodão aparece nos livros de história como elemento central da industrialização. Quando os alunos percebem que essa mesma fibra faz parte da realidade da região onde vivem, o aprendizado ganha outro sentido”, explica.

Criado pela Abapa em parceria com escolas da região, o programa Conhecendo o Agro já alcançou 165 mil alunos, 3.608 professores e 594 escolas em 14 municípios, por meio de materiais paradidáticos, visitas técnicas e projetos pedagógicos.

Olhar feminino que transforma

Para a coordenadora pedagógica do programa, Mayara Rodrigues, histórias como as de Vick e Nádila mostram como a presença feminina no agro vai além da produção agrícola.

“Quando uma professora desperta curiosidade ou ajuda um jovem a acreditar no próprio potencial, ela também está ajudando a construir o futuro do campo. Investir em educação é uma das formas mais consistentes de fortalecer o agro e garantir oportunidades para as próximas gerações”, afirma.

Ao longo da história, mulheres ajudaram a semear as bases da agricultura. Hoje, no Oeste da Bahia, continuam cultivando conhecimento, liderança e inovação — elementos essenciais para o futuro da cotonicultura brasileira.

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