Responsáveis por movimentar grande parte da economia baiana, os pequenos negócios enfrentam um desafio cada vez mais estratégico: garantir a continuidade patrimonial e empresarial entre gerações. Com mais de 1,2 milhão de pequenos negócios ativos, que representam 98% das empresas do estado, 60% dos empregos formais e 31,5% do PIB da Bahia, o planejamento sucessório passou a ocupar espaço central nas discussões sobre longevidade empresarial.
O cenário é acompanhado por outra transformação relevante: o crescimento do investidor baiano no mercado financeiro. Em março de 2026, a Bahia alcançou 240 mil contas ativas na B3, avanço de 23% em relação a 2024. O movimento evidencia maior participação em investimentos e renda variável, mas amplia também preocupações sobre proteção patrimonial e transferência organizada de ativos.
Especialistas alertam que o tema deixou de ser exclusivo de grandes fortunas e tornou-se essencial para famílias empresárias e empreendedores que desejam preservar negócios e patrimônio.
Empresas familiares enfrentam desafio da continuidade
Segundo dados do Sebrae, aproximadamente 90% das empresas brasileiras possuem perfil familiar, porém poucas conseguem chegar à terceira geração.
Para Larissa Falcão, Líder da XP para Norte e Nordeste, o principal erro é tratar sucessão apenas após eventos críticos.
“A sucessão é um desafio real para muitas famílias empresárias e não começa no inventário. Começa muito antes, com educação financeira e desenvolvimento dos herdeiros para se tornarem sucessores. Sem isso, o patrimônio vira fonte de conflito e não de continuidade”, afirma.
O debate ganha ainda mais relevância diante do que especialistas classificam como a maior transferência intergeracional de riqueza da história, impulsionada pelo envelhecimento de fundadores e pela valorização de ativos empresariais e imobiliários.
Wealth planning amplia papel do assessor financeiro
Nesse contexto, cresce a procura por estratégias de wealth planning, prática voltada à organização patrimonial, sucessória e proteção de ativos.
Além da gestão de investimentos, assessores financeiros passaram a atuar na identificação de riscos sucessórios e na estruturação de mecanismos voltados à preservação do patrimônio.
“Ele ajuda a conectar famílias a soluções de proteção e perpetuidade do legado, criando estruturas capazes de atravessar gerações”, explica Larissa.
Entre as ferramentas mais utilizadas está a holding familiar, modelo jurídico que reúne bens, participações societárias e investimentos sob uma estrutura centralizada, permitindo definir regras claras de administração e sucessão.
Planejamento sucessório é diferente de inventário
Especialistas destacam que planejamento sucessório e inventário possuem objetivos distintos.
Inventário: processo realizado após o falecimento, frequentemente associado a custos elevados, demora e conflitos familiares.
Planejamento sucessório: estratégia estruturada em vida para organizar transferência patrimonial, reduzir impactos tributários e preservar relações familiares.
“O inventário reage a um problema que já existe. O planejamento sucessório antecipa decisões e reduz custos, conflitos e desgastes para a família”, resume Larissa Falcão.
Na Bahia, onde o empreendedorismo familiar possui peso relevante na economia, a antecipação dessas discussões tende a se tornar cada vez mais estratégica para garantir a continuidade de empresas e patrimônio nas próximas gerações.
Leia mais:





















