Com a chegada de julho e das mudanças climáticas típicas do período, dermatologistas reforçam a importância de cuidados específicos com a pele negra. Apesar da crença de que o inverno afeta principalmente pessoas de pele clara, especialistas alertam que o frio, a baixa umidade do ar, os ventos e os banhos quentes também provocam ressecamento, irritações e agravam doenças dermatológicas em homens e mulheres negros.
Estudos da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) apontam que o inverno favorece a perda de hidratação da pele e aumenta a incidência de problemas como dermatite atópica, psoríase, eczema, descamações, rachaduras e coceiras.
Pesquisas publicadas nos Anais Brasileiros de Dermatologia mostram ainda que a pele negra possui características estruturais e respostas inflamatórias próprias, exigindo protocolos específicos de prevenção e tratamento, especialmente durante períodos de alterações climáticas.
População negra representa maioria dos atendimentos
Dados do IBGE, citados pelo projeto baiano Negro Atlas Dermatologia Inclusiva, indicam que cerca de 65% dos pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) possuem pele preta ou parda, reforçando a necessidade de políticas públicas e de uma dermatologia cada vez mais inclusiva.
Segundo a dermatologista Dra. Danièlà Hermes, que atua há mais de 20 anos com foco na saúde da pele negra, o inverno exige uma rotina reforçada de cuidados.
“Durante os meses mais frios, a pele negra tende a sofrer bastante com o ressecamento e a perda da barreira de proteção natural. Muitas pessoas acreditam que a pele negra, por ser mais resistente ou mais oleosa, não necessita de hidratação intensa, mas isso é um mito. A falta de cuidados adequados pode desencadear manchas, descamações, sensibilidade, coceiras e até processos inflamatórios importantes.”
Hiperpigmentação exige atenção
A especialista explica que um dos principais desafios está na maior tendência da pele negra à hiperpigmentação.
“Qualquer agressão, irritação ou inflamação pode resultar em manchas persistentes. Por isso, o cuidado preventivo é fundamental.”
Entre os problemas mais frequentes durante o inverno estão:
- Ressecamento excessivo;
- Dermatites;
- Descamações;
- Rachaduras;
- Sensibilidade cutânea;
- Manchas pós-inflamatórias.
Cuidados diários fazem diferença
Para preservar a saúde da pele durante o inverno, a médica recomenda:
✔️ Evitar banhos muito quentes e demorados;
✔️ Utilizar sabonetes suaves e específicos para cada tipo de pele;
✔️ Aplicar hidratante corporal e facial logo após o banho;
✔️ Manter boa ingestão de água;
✔️ Usar protetor solar diariamente, inclusive em dias frios ou nublados;
✔️ Evitar esfoliações excessivas;
✔️ Dar preferência a produtos desenvolvidos para peles negras e sensíveis.
Mesmo em cidades de clima mais quente, como Salvador, os ventos e a redução da umidade do ar típicos de julho também favorecem a desidratação da pele.
Segundo a especialista, consultas periódicas permitem identificar alterações precocemente e indicar tratamentos personalizados.
Atendimento especializado
A Dra. Danièlà Hermes é responsável pela Clidany, clínica especializada em dermatologia para pele negra, oferecendo acompanhamento individualizado, diagnóstico, prevenção e protocolos específicos para diferentes necessidades dermatológicas.
“A dermatologia para pele negra exige conhecimento técnico, experiência e sensibilidade. Cada pele possui uma resposta diferente, e o tratamento precisa ser pensado de forma personalizada para garantir saúde, proteção e autoestima.”
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