O que um semáforo pode ensinar sobre alimentação? Em escolas da rede municipal de Salvador, as cores verde, amarelo e vermelho estão sendo utilizadas para ajudar crianças a compreender, de maneira lúdica, quais alimentos devem aparecer com maior ou menor frequência na rotina.
Durante o mês de agosto, estudantes de 6 a 10 anos participam da dinâmica do Semáforo Alimentar, atividade de educação nutricional que transforma conceitos sobre alimentação e saúde em um circuito interativo.
Depois de uma conversa sobre os diferentes tipos de alimentos e seus efeitos no organismo, as crianças são convidadas a separá-los em caixas identificadas pelas cores do semáforo: verde para os que podem ser consumidos com maior frequência, amarelo para aqueles que exigem moderação e vermelho para os que devem ser evitados.
A iniciativa integra o projeto de educação nutricional desenvolvido em unidades da rede municipal e ganha destaque em agosto, mês em que o Dia Nacional de Combate ao Colesterol, celebrado no dia 8, antecede o Dia do Estudante, no dia 11.
Colesterol elevado também preocupa na infância
Apesar de frequentemente associado à população adulta, o colesterol elevado também atinge crianças e adolescentes.
Uma revisão de estudos realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) aponta que mais de um quarto das crianças e adolescentes brasileiros apresenta níveis elevados de colesterol total.
Entre os fatores modificáveis relacionados ao problema estão alimentação inadequada, sedentarismo e obesidade, reforçando a importância da adoção de hábitos mais saudáveis desde os primeiros anos de vida.
“Muitas vezes silencioso, esse quadro pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares ao longo da vida, reforçando a importância de estimular hábitos saudáveis desde a infância”, explica a nutricionista Emília Coelho, responsável técnica do Grupo LemosPassos, empresa responsável pela produção das refeições dos estudantes de 165 unidades da rede pública municipal de ensino.
Prevenção pode começar cedo
A mais recente Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose, de 2025, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, aponta o LDL-colesterol, popularmente conhecido como colesterol ruim, como principal fator causal da aterosclerose e alvo prioritário das estratégias de prevenção das doenças cardiovasculares.
Nesse contexto, ensinar as crianças a compreender a relação entre alimentação e saúde pode produzir efeitos que ultrapassam o ambiente escolar.
“A infância é o momento em que os hábitos alimentares começam a ser construídos. Quando a criança entende, de forma leve e divertida, por que alguns alimentos devem fazer parte da rotina e outros precisam ser consumidos com menos frequência, ela passa a fazer escolhas mais conscientes, que podem refletir por toda a vida”, afirma Loara Guimarães, nutricionista responsável pelos projetos de educação nutricional da LemosPassos.
Alimentação escolar também tem função educativa
Além de garantir refeições nutricionalmente adequadas, a alimentação oferecida nas escolas públicas possui uma dimensão educativa.
Prevista pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), ela é planejada por nutricionistas de acordo com as necessidades de cada faixa etária, priorizando alimentos in natura ou minimamente processados, além de frutas, verduras, legumes, cereais e preparações balanceadas.
Para Claúdia de Jesus França Ribeiro, gestora da Escola Municipal Anfilófio de Carvalho, onde o Projeto Semáforo Alimentar acontece em 11 de agosto, a escola possui uma posição privilegiada para estimular novos hábitos.
“Educação alimentar não acontece apenas quando servimos uma refeição. Ela também está presente quando despertamos a curiosidade da criança, incentivamos a experimentar novos alimentos e mostramos, de maneira adequada à idade, como pequenas escolhas diárias fazem diferença para a saúde”, destaca.
Nutricionistas acompanham todo o processo
O trabalho de educação alimentar representa apenas uma das atividades desempenhadas pelos nutricionistas envolvidos na alimentação escolar.
Esses profissionais também atuam no planejamento dos cardápios, cálculo das necessidades nutricionais, escolha dos ingredientes, controle da qualidade das matérias-primas e acompanhamento da preparação das refeições.
O objetivo é fazer com que a alimentação oferecida nas escolas contribua para o crescimento e o desenvolvimento dos estudantes e, ao mesmo tempo, ajude a construir uma relação mais consciente com os alimentos desde a infância.
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