O Setembro Verde chama a atenção para um gesto capaz de transformar vidas: a doação de órgãos. Na Bahia, a necessidade de transplantes encontra um de seus maiores desafios na área renal. Dados do Sistema Estadual de Transplantes apontam que mais de duas mil pessoas aguardavam por um rim no ano passado, fazendo do transplante renal o de maior demanda na fila estadual.
Para a médica nefrologista Manuela Lordelo, o cenário evidencia a importância de ampliar a informação sobre a doação de órgãos e, principalmente, estimular as famílias a conversarem sobre o assunto.
“Por trás de cada paciente em lista de espera existe uma história, uma família e um projeto de vida que depende dessa oportunidade. Por isso, conscientizar a população sobre a importância da doação é uma estratégia essencial de saúde pública”, ressalta.
Transplante integra uma linha de cuidado
O transplante renal é uma das principais alternativas terapêuticas para pacientes com doença renal crônica avançada que possuem indicação para o procedimento. Entretanto, ele integra uma linha de cuidado que também inclui outras formas de tratamento.
“A hemodiálise é um tratamento fundamental, que salva vidas diariamente e permite que milhares de pacientes mantenham seu acompanhamento clínico de forma segura. O transplante surge como uma possibilidade para aqueles que possuem indicação médica e podem se beneficiar do procedimento, oferecendo novas perspectivas de qualidade de vida”, explica Manuela Lordelo.
A necessidade de acompanhamento nefrológico também está relacionada à presença de doenças como hipertensão arterial e diabetes, apontadas entre as principais causas da doença renal crônica.
Com o aumento da expectativa de vida e a maior incidência dessas condições, cresce também o número de pessoas que podem evoluir para estágios avançados da doença e, em determinados casos, necessitar de transplante.
Conversar com a família é fundamental
Apesar dos avanços da Medicina, a disponibilidade de órgãos ainda não acompanha a demanda existente.
Um dos obstáculos, segundo a nefrologista, continua sendo a falta de informação sobre o processo de doação.
No Brasil, a autorização da família é indispensável para que a doação de órgãos após a morte seja realizada. Por isso, quem deseja ser doador deve conversar sobre essa decisão com seus familiares.
“Falar sobre doação de órgãos é falar sobre esperança. Uma única decisão pode beneficiar diversas pessoas e mudar completamente o futuro de quem aguarda por um transplante”, destaca Manuela Lordelo.
É justamente essa conversa que o Setembro Verde procura estimular. Mais do que manifestar individualmente a intenção de ser doador, é importante fazer com que essa vontade seja conhecida pelas pessoas que poderão tomar a decisão no momento necessário.
Em um estado no qual milhares de pacientes aguardam pela oportunidade de receber um órgão, informação, diálogo familiar e solidariedade podem ajudar a reduzir a distância entre a espera e o transplante.
Leia mais:





















