Uma criança com doença autoimune pode tomar a vacina contra o sarampo? A resposta depende da condição clínica e, principalmente, do tratamento utilizado. Ter uma doença autoimune não significa, por si só, que a vacinação esteja contraindicada, mas crianças com condições imunomediadas precisam ter o calendário vacinal avaliado individualmente.
A atenção é especialmente importante quando a criança utiliza medicamentos capazes de interferir no funcionamento do sistema imunológico.
O tema faz parte da rotina de especialistas que acompanham pacientes com doenças imunomediadas, condições nas quais o sistema imunológico pode apresentar respostas inadequadas e provocar processos inflamatórios em diferentes órgãos.
Na Clínica IBIS, integrante do Grupo CITA, a avaliação conjunta da condição clínica, do tratamento e do histórico de vacinação é utilizada para orientar a imunização desses pacientes.
“O diagnóstico de uma doença autoimune não determina, por si só, se a criança pode ou não ser vacinada. É preciso considerar o estado imunológico e, principalmente, o tratamento que está sendo utilizado”, explica a reumatologista pediátrica Dra. Roberta Gomes, da Clínica IBIS.
Vacina contra o sarampo exige atenção especial
A vacina tríplice viral, utilizada na prevenção do sarampo, da caxumba e da rubéola, contém vírus vivos atenuados. Por essa característica, situações de imunossupressão importante podem levar à contraindicação temporária da vacina ou à necessidade de adiá-la.
Isso não significa, entretanto, que toda criança que utiliza um medicamento imunossupressor esteja impedida de receber qualquer vacina.
Algumas vacinas inativadas podem ser administradas mesmo durante determinados tratamentos imunossupressores, desde que exista avaliação médica.
“É importante não transformar ‘imunossupressor’ em sinônimo de ‘proibido vacinar’. O risco depende do medicamento e da intensidade da imunossupressão”, alerta a especialista.
Na prática, duas crianças com a mesma doença podem receber recomendações diferentes.
Antes de definir a conduta, o médico precisa considerar fatores como medicamento utilizado, dose, duração do tratamento, data da última dose, grau de imunossupressão, atividade da doença e histórico vacinal.
Não vacinar também pode representar risco
A avaliação médica precisa considerar ainda o risco de deixar a criança desprotegida.
O sarampo é altamente contagioso e pode provocar complicações como pneumonia, otite, cegueira e encefalite. Crianças menores de cinco anos estão entre os grupos com maior risco de desenvolver quadros graves.
“Quando uma criança com doença imunomediada deixa de receber uma vacina sem que exista uma contraindicação real, ela pode ficar vulnerável justamente a uma infecção que pode ser muito mais perigosa para ela”, afirma Dra. Roberta.
Por isso, pais ou responsáveis por crianças com doenças autoimunes ou em tratamento com imunossupressores não devem interromper vacinas ou medicamentos por conta própria.
A recomendação é levar a caderneta de vacinação ao pediatra e ao especialista responsável pelo tratamento para que as duas informações sejam avaliadas conjuntamente. Dependendo da situação, a criança também poderá precisar de avaliação em um Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE).
O mesmo cuidado vale para crianças que estão com alguma vacina atrasada. Não é necessário esperar uma campanha de vacinação ou o aparecimento de casos de sarampo para procurar orientação. A caderneta pode ser revisada a qualquer momento, permitindo que a equipe de saúde estabeleça a estratégia mais adequada para atualizar a imunização.
Sobre a Clínica IBIS
A Clínica IBIS, integrante do Grupo CITA, é um centro especializado no diagnóstico, tratamento e acompanhamento de doenças autoimunes e imunomediadas. Com atuação multidisciplinar, reúne especialidades como reumatologia, dermatologia, gastroenterologia, alergologia, imunologia e neurologia.
Localizada em Salvador, a instituição também desenvolve pesquisas clínicas nacionais e internacionais voltadas ao avanço da medicina e à ampliação do acesso a tratamentos inovadores.
Leia mais:
Bahia abre licitações para pavimentação de 106 km de rodovias em cinco municípios.






















