Aos 18 anos, o estudante baiano Kenisson Morais Brito, natural de Barra do Choça, desenvolveu um fungicida natural capaz de reduzir significativamente a presença de fungos em grãos de café após a colheita. Aluno da Escola SESI Anísio Teixeira, em Vitória da Conquista, ele criou o projeto AnisGuard, que utiliza compostos extraídos da Pimpinella anisum, conhecida popularmente como erva-doce, como alternativa sustentável aos fungicidas sintéticos.
A pesquisa nasceu da observação dos desafios enfrentados pelos cafeicultores da região, onde a produção de café possui grande importância econômica e as perdas no pós-colheita impactam diretamente a qualidade do produto e a renda dos produtores.
Redução de até 83,8% da carga fúngica
Nos testes laboratoriais, o extrato vegetal apresentou resultados expressivos no combate ao Penicillium spp., fungo responsável por comprometer a qualidade dos grãos armazenados.
Segundo a pesquisa, o AnisGuard reduziu em até 83,8% a carga fúngica, apresentando ainda um custo estimado de produção até quatro vezes menor que o dos fungicidas sintéticos tradicionalmente utilizados no setor.
Além da ação fungicida, o estudo também investigou o potencial do extrato como biofertilizante, indicando a possibilidade de utilização da solução em diferentes etapas da produção agrícola.
Ciência aplicada aos desafios do campo
O projeto foi orientado pela professora Winne Katharine Souza Rocha e coorientado por Gislaine Amorim Santos, combinando pesquisa científica, sustentabilidade e inovação aplicada ao agronegócio.
A proposta busca oferecer uma alternativa de baixo custo para pequenos produtores rurais, contribuindo para reduzir perdas na armazenagem do café e ampliar o acesso a tecnologias sustentáveis.
Reconhecimento nacional e internacional
O trabalho conquistou o primeiro lugar na categoria Ciências Agrárias da FEBRACE 2026, considerada a maior feira brasileira de ciências e engenharia para estudantes.
O desempenho garantiu ao jovem pesquisador a oportunidade de representar o Brasil na Regeneron International Science and Engineering Fair (ISEF) 2026, realizada em Phoenix, nos Estados Unidos.
Na competição internacional, Kenisson conquistou o 4º lugar na categoria Plant Sciences e recebeu um prêmio de US$ 600, destacando-se entre jovens cientistas de diversos países.
Inovação que nasce no interior
A trajetória do estudante evidencia o potencial da pesquisa científica desenvolvida fora dos grandes centros acadêmicos e demonstra como soluções inovadoras podem surgir a partir das demandas locais.
Ao transformar uma planta amplamente conhecida em uma ferramenta para aumentar a qualidade da produção cafeeira, o projeto reforça a importância da integração entre educação, ciência e agronegócio, contribuindo para o desenvolvimento sustentável e para a valorização do conhecimento produzido nas escolas brasileiras.
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