A Hapvida atravessa um dos momentos mais desafiadores de sua trajetória no mercado de capitais. As ações da operadora acumulam o pior desempenho da Bolsa brasileira em 2026 e já perderam mais de 90% de seu valor desde o IPO, realizado em 2018.
A deterioração não é recente. Os papéis registraram perdas anuais entre 12% e 56% em cada um dos últimos cinco anos, em meio a uma combinação de aumento dos custos assistenciais, crescimento dos litígios, endividamento e resultados operacionais abaixo das expectativas do mercado.
O pessimismo também aparece nas recomendações dos analistas acompanhados pela Bloomberg: atualmente, apenas um recomenda a compra das ações da companhia.
Processos judiciais aumentam pressão sobre os resultados
Um dos principais desafios está relacionado à judicialização envolvendo negativas de cobertura.
Segundo estimativa da Riza Asset Management, os processos judiciais já representam pouco mais de 3% da receita líquida da Hapvida, adicionando pressão a uma estrutura de custos que também sofre os efeitos da inflação médica.
Os resultados operacionais têm contribuído para aumentar as dúvidas dos investidores. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização ficou abaixo das expectativas em três dos últimos quatro trimestres.
Entre abril e junho, o resultado ficou 17% abaixo do esperado pelo mercado.
Fusão criou gigante de R$ 110 bilhões, mas trouxe desafios
Parte da situação atual também está relacionada ao período de rápida expansão da companhia.
A fusão entre Hapvida e NotreDame Intermédica criou uma empresa avaliada em mais de R$ 110 bilhões, ampliando significativamente sua presença no mercado brasileiro de saúde suplementar.
A integração, entretanto, trouxe desafios, inclusive no atendimento a uma base de clientes de maior renda, enquanto a companhia passou a enfrentar simultaneamente juros elevados e inflação médica crescente.
Outro ponto de atenção é o endividamento.
Embora a Hapvida continue gerando caixa, analistas apontam que uma parcela relevante desses recursos vem sendo direcionada para absorver custos crescentes, limitando a capacidade de redução de uma dívida estimada em R$ 5,4 bilhões.
Problema vai além da Hapvida
A situação da companhia também expõe dificuldades enfrentadas por outras empresas do setor de saúde que cresceram rapidamente por meio de aquisições, especialmente durante o período da pandemia.
Empresas como Kora Saúde, Alliança Saúde e Oncoclínicas também enfrentam processos de reestruturação extrajudicial após ciclos de expansão.
O desempenho da Hapvida, portanto, coloca novamente em discussão uma questão importante para o setor: até que ponto estratégias agressivas de crescimento por aquisições conseguem gerar valor quando são seguidas por juros elevados, aumento dos custos médicos e maior pressão financeira?
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