A área irrigada destinada ao cultivo de algodão cresceu 12% na Bahia na safra 2025/26, compensando a redução das lavouras de sequeiro e ajudando o estado a manter praticamente estável sua área total plantada.
Segundo dados da Agroconsult, a Bahia possui 425,7 mil hectares cultivados com algodão, volume semelhante ao registrado na temporada anterior.
A composição dessa área, porém, está mudando. Enquanto o cultivo de sequeiro apresentou redução de 7%, a área irrigada avançou e agora corresponde a 44% de todo o algodão plantado no estado.
Na safra anterior, essa participação era de 39%.
Energia elétrica ainda limita expansão da irrigação
De acordo com a Agroconsult, a Bahia já conta com diversos projetos de irrigação estruturados e outorgas liberadas. Um dos principais obstáculos para que esses investimentos avancem, entretanto, tem sido a disponibilidade de energia elétrica nas regiões produtoras.
Esse cenário poderá mudar nos próximos anos.
Durante a Bahia Farm Show, a Neoenergia Coelba anunciou um programa de R$ 25 bilhões em investimentos até 2030, que inclui ampliação da infraestrutura de transmissão de energia e construção de novas subestações no estado.
A chegada de novas redes poderá criar condições para uma expansão mais acelerada da agricultura irrigada, especialmente a partir de 2027 e 2028.
Irrigação também funciona como proteção contra veranicos
A expansão, entretanto, não deverá acontecer de maneira uniforme em toda a Bahia.
Características como disponibilidade hídrica, tipo de solo, regime de chuvas e viabilidade econômica interferem diretamente na decisão de investir em sistemas de irrigação.
Em municípios com maior disponibilidade de água ao longo do ano, como São Desidério, as condições para avaliar o retorno desses investimentos são diferentes das encontradas em outras áreas produtoras.
Além de permitir ganhos de produtividade, a irrigação pode funcionar como instrumento de segurança para a lavoura.
Durante períodos de veranico, por exemplo, o produtor pode recorrer à chamada irrigação de salvamento, fornecendo água em momentos críticos para reduzir os impactos da falta temporária de chuvas.
Infraestrutura pode abrir nova frente de investimentos
Os números da safra 2025/26 já mostram uma mudança na composição da cotonicultura baiana: mesmo com a redução das lavouras de sequeiro, a expansão da área irrigada permitiu manter os 425,7 mil hectares destinados à cultura.
Com novos investimentos em infraestrutura elétrica previstos para os próximos anos, a irrigação poderá ganhar ainda mais participação.
O avanço dependerá das condições específicas de cada região, mas poderá representar maior estabilidade produtiva e novas possibilidades de investimento para a cadeia do algodão na Bahia.
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