A Associação Náutica da Bahia (ANB) e o Centro Internacional de Formação para a Gestão e Certificação de Praias (CIF Playas) firmaram um acordo de cooperação voltado à ampliação de ações de capacitação e gestão sustentável de praias. A parceria foi assinada na quinta-feira (17), durante o segundo e último dia do II Fórum Náutico Internacional, realizado no Terminal Náutico da Bahia, em Salvador.
O acordo foi um dos resultados concretos de um evento que colocou a qualidade ambiental das águas e a conservação dos ecossistemas costeiros no centro das discussões sobre o desenvolvimento da Economia do Mar.
Ao longo dos dois dias, especialistas, empresários, representantes do poder público e profissionais ligados às atividades náuticas discutiram como conciliar geração de emprego e renda, turismo, pesca, gastronomia e indústria com a preservação dos ambientes marinhos e costeiros.
Praias como ativos ambientais, sociais e econômicos
A qualidade das águas esteve presente em diferentes momentos do Fórum e ganhou destaque nos painéis “Pesca e Aquicultura: da produção à gastronomia” e “Gestão Costeira: Lagos, Rios e Oceanos Sustentáveis”.
Diretor acadêmico e ambiental da ANB e coordenador-geral do Centro Avançado de Pesquisa e Desenvolvimento da Economia Azul (CEAZUL), ligado ao Instituto Federal Baiano (IF Baiano), José Rodrigues defendeu uma visão mais ampla sobre a gestão das praias.
Segundo ele, esses espaços devem ser considerados simultaneamente ativos ambientais, sociais e econômicos, cuja conservação exige participação do poder público, iniciativa privada e sociedade.
A lógica está diretamente relacionada às diferentes atividades que dependem da qualidade dos ambientes costeiros.
“Não existe fruto do mar bom se o ambiente onde ele está crescendo estiver degradado”, afirmou Rodrigues.
A discussão evidencia uma relação que atravessa diferentes segmentos da Economia do Mar: qualidade ambiental, atividade econômica e geração de renda não funcionam de maneira independente.
Praias e águas ambientalmente degradadas podem afetar desde a pesca e a aquicultura até a gastronomia, o turismo e as atividades náuticas.
Gastronomia também depende da conservação dos ecossistemas
A chef Angeluci Figueiredo, a Preta, que mantém restaurantes na Ilha dos Frades e em Salvador, trouxe para o debate a experiência de quem trabalha diretamente com pescadores e marisqueiras.
Segundo ela, a utilização dos produtos do mar na gastronomia exige respeito aos ciclos naturais e aos períodos em que determinadas espécies precisam ser protegidas.
“Eu não posso ter um cardápio que não respeite o tempo e o ciclo das coisas”, afirmou a chef, citando como exemplo o período de defeso da lagosta.
A relação entre gastronomia e conservação mostra como práticas sustentáveis podem alcançar diferentes elos de uma mesma cadeia: da preservação dos ambientes marinhos à atividade dos pescadores e marisqueiras e, posteriormente, aos restaurantes e ao turismo gastronômico.
Fórum reforça intercâmbio de experiências
Para o presidente da ANB, Santiago Campo, a segunda edição do Fórum reforçou a proposta de aproximar diferentes atores envolvidos na Economia do Mar.
“O Fórum é um lugar de conexões. A ANB busca fazer pontes, trazendo novas tecnologias e experiências do Brasil e do mundo para movimentar toda essa cadeia produtiva e contribuir para o desenvolvimento da Bahia”, afirmou.
A presença de especialistas brasileiros e estrangeiros permitiu colocar em discussão experiências relacionadas à gestão costeira, indústria, turismo, pesca, aquicultura e desenvolvimento de negócios ligados ao ambiente marítimo.
Mulheres ganham espaço no debate sobre o setor náutico
O protagonismo feminino na náutica também integrou a programação do último dia.
O debate reuniu Leilane Loureiro, gestora da Bahia Marina e diretora de marinas da ANB; Flávia Goffi, gestora para a América Latina da Clipper Race; Eliana Dumet, com atuação nos setores náutico e turístico da Bahia; e Cecília Avena, do grupo francês Beneteau e diretora de Comunicação da ANB.
O painel discutiu a participação das mulheres em diferentes áreas de uma cadeia historicamente marcada por forte presença masculina, incluindo gestão de marinas, turismo e mercado náutico.
Desenvolvimento e conservação como desafios conjuntos
A programação do II Fórum Náutico Internacional também abordou a indústria náutica e naval como vetor de geração de emprego e renda, os efeitos da economia e da geopolítica mundial sobre os oceanos e experiências desenvolvidas no Brasil e em outros países.
Ao encerrar sua segunda edição, o encontro reforçou a amplitude da chamada Economia do Mar, que reúne atividades bastante distintas, mas dependentes de um mesmo ativo: os ambientes marinhos e costeiros.
Nesse contexto, o acordo firmado entre ANB e CIF Playas deixa uma frente prática de continuidade após o encerramento do evento, com a perspectiva de ampliar ações de formação e gestão sustentável das praias.
A discussão central apresentada pelo Fórum é que aproveitar economicamente o potencial do litoral baiano exige também garantir as condições ambientais que sustentam atividades como turismo, pesca, aquicultura, gastronomia e náutica.
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