Estudo sobre o complexo industrial de Camaçari revela impactos na geração de renda e na recuperação da indústria automotiva. Empresa já reúne mais de 9,5 mil trabalhadores diretos.
O Complexo Industrial da BYD, em Camaçari, já responde pela geração de mais de 22 mil empregos diretos, indiretos e induzidos, com uma massa salarial superior a R$ 1,03 bilhão por ano. Os números fazem parte dos primeiros resultados de um estudo desenvolvido pelo Observatório da Indústria, unidade de inteligência econômica da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), em parceria com a montadora chinesa.
O levantamento utiliza informações de fontes oficiais, como IBGE, Secretaria da Fazenda da Bahia e Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), para dimensionar os impactos econômicos da operação no município e nas cidades vizinhas.
Um dos indicadores destacados é a remuneração industrial. Em Camaçari, o salário médio do setor chegou a R$ 3.905,85, valor aproximadamente 24% superior à média da indústria baiana, de R$ 3.147,88.
Empregos impulsionam recuperação econômica
A instalação da BYD representa uma nova etapa para a indústria automotiva de Camaçari, que sofreu forte retração após o encerramento das operações da Ford.
Até 2020, o setor empregava quase 7 mil pessoas no município. Em 2023, restavam apenas 12 vínculos formais ativos.
Atualmente, a BYD mantém mais de 9,5 mil empregos diretos, dos quais 90% são ocupados por trabalhadores baianos. As mulheres representam 33% da força de trabalho nas linhas de produção.
Além disso, aproximadamente 3 mil trabalhadores indiretos atuam nas obras de expansão do complexo. O estudo estima que a circulação de renda e o consumo associados à operação sustentem outros 10.080 empregos na economia, classificados como postos induzidos.
Segundo a FIEB, a montadora já ocupa a segunda posição entre as maiores empregadoras do setor industrial baiano.
“A chegada da BYD devolveu ao polo automotivo de Camaçari uma escala que ele não tinha desde a saída da Ford. Os números mostram uma recuperação real, mas também deixam claro que ainda há espaço para avançar, sobretudo na cadeia de fornecedores locais”, avalia Ricardo Menezes Kawabe, gerente do Observatório da Indústria da FIEB.
Investimento de R$ 5,5 bilhões e produção de veículos eletrificados
Com investimento inicial de R$ 5,5 bilhões, o complexo foi instalado em uma área de 4,65 milhões de metros quadrados, onde anteriormente funcionava a fábrica da Ford.
Inaugurada em outubro de 2025, a unidade é apresentada pela companhia como seu maior complexo industrial fora da China.
A fábrica produz quatro modelos eletrificados: BYD Dolphin Mini, BYD King, BYD Song Pro e BYD Atto 2. Segundo a empresa, mais de 150 mil veículos já foram produzidos em Camaçari.
A capacidade inicial anunciada é de 150 mil veículos por ano, com previsão de expansão gradual para até 600 mil unidades anuais após a conclusão das etapas planejadas.
Expansão deverá ampliar cadeia de fornecedores
O projeto industrial prevê a incorporação de processos de soldagem, pintura e estamparia, considerados importantes para ampliar a produção nacional e estimular o desenvolvimento de fornecedores de componentes automotivos.
Para Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD do Brasil, os efeitos econômicos da instalação da fábrica ultrapassam os empregos gerados diretamente pela montadora.
“O estudo da FIEB mostra que parte preponderante das divisas geradas pela BYD circula no próprio município de Camaçari e nas cidades do entorno, transformando a realidade de estabelecimentos comerciais, empresas prestadoras de serviços e outros negócios que se beneficiam do aumento da atividade econômica”, afirma.
Estudo acompanhará outros indicadores sociais
A pesquisa do Observatório da Indústria terá continuidade ao longo de 12 meses, com a análise de indicadores econômicos e sociais relacionados à presença da montadora na região.
Entre os aspectos previstos estão a evolução da renda, os índices de pobreza e possíveis mudanças nos indicadores de criminalidade.
Esses resultados ainda dependerão de avaliação específica, incluindo a identificação de outros fatores que possam influenciar os indicadores.
Com a expansão planejada e o desenvolvimento da cadeia de fornecedores, Camaçari busca consolidar sua retomada como polo automotivo, agora com foco na produção de veículos eletrificados e em novas tecnologias de mobilidade.
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