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Capa Economia Economia Brasileira

Indústria fecha primeiros 8 meses do ano com expansão de 1,5%

REDAÇÃO por REDAÇÃO
03/10/2017
em Economia Brasileira
Tempo de Leitura: 4 minutos
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A indústria recuou 2,3% no trimestre (Foto: Gilson Abreu/FIEP)

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A produção industrial brasileira encerrou o mês de agosto com queda de 0,8%, frente a julho, na série com ajuste sazonal, mas fechou os primeiros oito meses do ano (janeiro-agosto) com crescimento de 1,5%. A queda de julho para agosto frente ao mês imediatamente anterior interrompe quatro meses consecutivos de expansão na produção, período em que a indústria acumulou crescimento de 3,3%.

Os dados relativos à Pesquisa Industrial Mensal Produção Física – Brasil foram divulgados hoje (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e indicam que na série sem ajuste sazonal, confronto com igual mês do ano anterior, a indústria cresceu 4% em agosto deste ano, após também registrar taxas positivas em maio (4,5%), junho (0,9%) e julho (2,9%).

A taxa acumulada nos últimos 12 meses, no entanto, contínua negativa e fechou agosto em -0,1%, prosseguindo com a redução no ritmo de queda iniciada em junho de 2016, quando o setor fechou com queda de -9,7%.

Queda após quatro meses de alta

A queda de 0,8% na produção industrial do país de julho para agosto deste ano teve como principal contribuição o setor de produtos alimentícios que chegou a retrair 5,5% e , depois de três meses consecutivos de crescimento, foi o que mais contribuiu para a queda do índice, seguido por máquinas e equipamentos (3,8%); coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (1,6%) e indústrias extrativas (1,1%).

A produção de açúcar foi determinante para a retração do setor alimentício em agosto, como explicou o gerente da pesquisa, André Macedo. Para ele, o produto foi determinante tanto para as altas para as altas registradas anteriormente na indústria de alimentos quanto para a queda de agosto.

“O açúcar é um produto com peso nesse setor. Sua produção foi favorecida pela antecipação da moagem da cana, em decorrência do clima seco que predominou nas regiões Centro-Oeste e Sudeste nos últimos meses”.

Abaixo do nível recorde

O gerente da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE, André Macedo, ressalta o fato de que mesmo com o crescimento acumulado de 1,5% nos primeiros oito meses do ano, a indústria brasileira ainda encontra-se muito abaixo do nível recorde do parque fabril do país, que foi 17,8%, registrado em junho de 2013.

“O ganho de ritmo observado na produção a partir de novembro de 2016 contribuiu para recuperar apenas uma parcela das perdas dos últimos anos. É bom lembrar que ainda estamos 17,8% abaixo do nível recorde alcançado em junho de 2013”, explicou.

Os dados divulgados pelo IBGE indicam que a queda da atividade industrial na passagem de julho para agosto alcançou duas das quatro grandes categorias econômicas e oito dos 24 ramos pesquisados.

Entre as grandes categorias econômicas, as quedas foram verificadas em bens intermediários, que ao retrair (1%), interrompeu quatro meses consecutivos de crescimento na produção, período em que acumulou expansão de 3,6%; e em bens de consumo semi e não-duráveis, que com a retração de 0,6% voltou a recuar após mostrar ganho de 3,2% entre os meses de maio e julho.

A expansão mais significa foi 4,1% registrada pelo segmento de bens de consumo duráveis, que intensificou o crescimento de 2,9% verificado no mês anterior. O setor produtor de bens de capital, ao crescer 0,5%, também registrou resultado positivo em agosto e apontou o quinto mês seguido de crescimento na produção, com ganho acumulado de 10,2%.

Pelo lado dos ramos de atividade, além da queda expressiva registrada pelo segmento alimentício – que ao retrair 5,5% de julho para agosto interrompeu três meses consecutivos de expansão na produção, período em que acumulou ganho de 9,3% – também deram contribuições importantes para a retração da indústria em agosto o segmento de máquinas e equipamentos (3,8%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (1,6%) e de indústrias extrativas (1,1%).

Com exceção da última atividade, que recuou pelo segundo mês consecutivo e acumulou perda de 2,4% nesse período, as demais apontaram taxas positivas em julho último: 0,3% e 1,8%, respectivamente.

Entre os 16 ramos que ampliaram a produção nesse mês, os desempenhos de maior relevância foram veículos automotores, reboques e carrocerias (6,2%) e perfumaria, sabões, produtos de limpeza e de higiene pessoal (5,5%).

Veículos automotores, reboques e carrocerias eliminou a queda de 3,7% acumulada nos meses de junho e julho, e perfumaria, sabões, produtos de limpeza e de higiene pessoal voltou a crescer após recuar 1,5% no mês anterior. Outros impactos positivos importantes foram observados nos setores de metalurgia (1,9%), de produtos do fumo (15,2%) e de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (2,1%).

Crescimento da indústria em 2017

Na análise do comportamento da indústria em 2017, o crescimento de 1,5% verificado até agosto, frente a igual período do ano anterior, mostrou resultados positivos em três das quatro grandes categorias econômicas, 15 dos 26 ramos, 45 dos 79 grupos e 52,4% dos 805 produtos pesquisados.

Entre as atividades, veículos automotores, reboques e carrocerias (13,9%) e indústrias extrativas (6,6%) exerceram as maiores influências positivas na formação da média da indústria. Outras contribuições positivas relevantes vieram de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (20,7%), de produtos do fumo (22,4%), de metalurgia (2,4%), de máquinas e equipamentos (2,7%) e de confecção de artigos do vestuário e acessórios (4,9%).

Entre as 11 atividades que apontaram redução na produção, a de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (6,6%) assinalou a maior contribuição negativa. Vale destacar também os resultados negativos vindos de outros equipamentos de transporte (12,3%), de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (6,6%).

Entre as grandes categorias econômicas, o perfil dos resultados para os oito primeiros meses de 2017 mostrou maior dinamismo para bens de consumo duráveis (11,1%), impulsionadas, em grande parte, pela ampliação na fabricação de automóveis (18,2%) e eletrodomésticos (10,1%); e para bens de capital (4,4%), neste caso impulsionado por equipamentos de transporte (4,1%), de uso misto (16,9%), de construção (30%) e agrícola (13,5%). (Nielmar de Oliveira – Repórter da Agência Brasil)

Tags: biocombustíveisIBGEindústriapetróleo
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