A construtora portuguesa Mota-Engil negocia a aquisição de uma participação de 40% na Odebrecht Engenharia e Construção (OEC), empresa controlada pelo Grupo Novonor. A possível operação pode representar um novo passo na expansão da companhia europeia no mercado brasileiro de infraestrutura.
As tratativas também podem resultar na criação de uma plataforma conjunta para participação em novos projetos no país. Até o momento, porém, não há anúncio de acordo definitivo ou conclusão da transação.
Negociação envolve construtora, e não toda a Novonor
A participação em análise se refere à Odebrecht Engenharia e Construção, braço de engenharia e infraestrutura do grupo, e não a 40% de toda a holding Novonor.
Outro ponto importante é que foi a divisão de engenharia que concluiu, em março de 2026, seu processo de recuperação judicial. A holding Novonor permanece identificada como empresa em recuperação judicial em documentos e comunicações corporativas recentes.
A entrada de um novo sócio poderá contribuir para o fortalecimento financeiro da construtora e ampliar sua capacidade de disputar concessões e grandes obras de infraestrutura.
Empresas já atuam juntas na Rota dos Sertões
Mota-Engil e empresas ligadas à Novonor já mantêm parceria no Brasil. Em maio de 2026, o Consórcio 116 Sertões, integrado pela Mota-Engil, Neo Invest, do Grupo Novonor, e Galápagos Capital, venceu o leilão da concessão da Rota dos Sertões, na Bahia.
O empreendimento compreende aproximadamente 502 quilômetros de rodovias e prevê cerca de R$ 4,13 bilhões em investimentos ao longo do contrato. O grupo vencedor apresentou desconto de 19,6% sobre a tarifa básica de pedágio.
As companhias também possuem histórico de atuação no mercado africano, especialmente em Angola, onde participaram de projetos de infraestrutura.
Grupo português tem chinesa CCCC entre principais acionistas
Fundada em 1946, a Mota-Engil atua em áreas como construção civil, concessões, portos, logística, tratamento de resíduos e gestão de água.
A família Mota permanece como a maior acionista da companhia, com participação de aproximadamente 40,3%. A chinesa China Communications Construction Company (CCCC) detém cerca de 31% do capital, figurando como uma das principais acionistas, mas sem ser a controladora isolada da empresa.
A CCCC também integra o consórcio responsável pelo projeto da Ponte Salvador–Itaparica, na Bahia.
Mota-Engil também negocia ativos da Bamin na Bahia
A movimentação em torno da Odebrecht ocorre enquanto a Mota-Engil avalia outros investimentos estratégicos no estado.
A companhia portuguesa mantém negociações relacionadas ao projeto integrado da Bahia Mineração (Bamin), composto pela mina Pedra de Ferro, em Caetité, pelo trecho 1 da Ferrovia de Integração Oeste-Leste e pelo Porto Sul, em Ilhéus.
As tratativas ainda não foram oficialmente concluídas, mas fontes do setor apontam que o processo envolve a análise dos ativos e das obrigações necessárias para a implantação do complexo logístico e minerário.
Operação pode criar novo grupo de peso na infraestrutura
A possível compra de 40% da OEC reforçaria a estratégia da Mota-Engil de expandir sua participação em concessões e grandes projetos brasileiros.
Para a Odebrecht Engenharia, a chegada de um parceiro internacional com capacidade financeira, experiência em diferentes mercados e presença em projetos de infraestrutura poderia representar uma oportunidade de retomada de crescimento após a conclusão da recuperação judicial.
Caso seja concretizada, a negociação deverá passar por etapas de análise financeira, definição da estrutura societária e eventuais aprovações regulatórias.
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