A Bahia será palco, no próximo dia 11 de junho, do lançamento do projeto Raízes Agroecológicas, iniciativa internacional que busca fortalecer a produção agroecológica, ampliar o acesso a sementes crioulas e promover a adaptação da agricultura familiar às condições climáticas locais.
O lançamento acontecerá durante a 6ª Plenária da Comissão Estadual de Agroecologia e Produção Orgânica (CEAPO), no Instituto Anísio Teixeira (IAT), em Salvador.
Implementado simultaneamente no Brasil, Argentina e Bolívia, o projeto integra o Programa Global para Pequenos Produtores Agroecológicos de Pequena Escala e Transformação Sustentável dos Sistemas Alimentares (GP-SAEP) e conta com financiamento do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), com recursos suplementares da União Europeia.
Ao todo, a iniciativa dispõe de cerca de 4 milhões de euros para fortalecer sistemas de sementes, promover inovação no campo e ampliar a resiliência das comunidades rurais.
Agricultura familiar no centro da estratégia
No Brasil, o projeto pretende beneficiar aproximadamente 2.600 agricultores e agricultoras familiares, garantindo que pelo menos metade dos participantes sejam mulheres.
A proposta também prioriza a participação de jovens, povos indígenas e comunidades tradicionais, fortalecendo a inclusão social e produtiva no meio rural.
Entre as principais ações previstas estão diagnósticos participativos da agrobiodiversidade, implantação de corredores agroecológicos, conservação de sementes crioulas e ensaios participativos para seleção de variedades mais adaptadas às realidades locais.
A metodologia utilizada é baseada no Melhoramento Genético Participativo, desenvolvida pela Embrapa, que combina conhecimento científico com os saberes tradicionais das comunidades rurais.
Combate à perda da diversidade agrícola
Na Bahia, o projeto surge como resposta a desafios enfrentados por agricultores familiares do Semiárido, como a redução da diversidade de sementes crioulas, especialmente de milho e feijão, a queda da produtividade e o avanço da contaminação por sementes transgênicas.
A expectativa é fortalecer a autonomia produtiva das famílias agricultoras, ampliar a segurança alimentar e contribuir para sistemas agrícolas mais sustentáveis e resilientes às mudanças climáticas.
Presença em quatro territórios baianos
A iniciativa será desenvolvida em 25 comunidades distribuídas em 15 municípios baianos.
A execução acontece por meio do Serviço de Assessoria a Organizações Populares Rurais (SASOP), da Associação Regional de Convivência Apropriada ao Semiárido (ARCAS) e do Movimento dos Pequenos Agricultores/Cooperativa Mista de Produção e Comercialização Camponesa da Bahia (MPA/CPC).
As ações estarão presentes nos territórios Semiárido Nordeste II, Sertão do São Francisco, Piemonte da Diamantina e Piemonte Norte do Itapicuru.
Agroecologia na agenda estadual
O lançamento durante a plenária da CEAPO também tem caráter estratégico por aproximar o projeto das discussões sobre o futuro Plano Estadual de Agroecologia e Produção Orgânica da Bahia.
O evento contará com a participação de representantes do FIDA, do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), da Embrapa, de organizações da sociedade civil e de órgãos governamentais ligados ao desenvolvimento rural.
A expectativa é que o Raízes Agroecológicas fortaleça as políticas públicas voltadas à agricultura familiar e contribua para consolidar a agroecologia como ferramenta de desenvolvimento sustentável no Semiárido baiano.
Leia mais:























