A vida do menino Átila mudou completamente após sofrer um acidente de moto em uma rodovia baiana próxima à cidade de Santa Teresinha, a cerca de 190 km de Salvador, em abril do ano passado. Na tragédia, o adolescente de 13 anos perdeu o pai e ficou com tetraparesia. Casos como o de Átila se tornaram mais frequentes na Bahia. Em cinco anos, o número de internações causadas por acidentes com motocicletas aumentou 82% no estado, de acordo com dados do DataSUS. Foram 13.923 registros deste tipo em 2025, contra 7.625 no ano de 2020. Só em 2026, foram mais de mil casos por mês.
Para chamar atenção para o alto índice de vítimas de acidentes de trânsito em todo o mundo, desde 2011, o mês de maio se tornou referência para ações de conscientização com o “Maio Amarelo”. A iniciativa, que partiu de um decreto da Organização das Nações Unidas (ONU), tem como premissa a educação e a mudança de comportamento como estratégia para redução das fatalidades.
“Se meu marido estivesse usando o capacete, poderia ter sobrevivido. É muito importante usar independente da distância ou local que esteja”, alerta Glaucia Melo, mãe de Átila. O filho e o marido estavam sem o equipamento de segurança quando a motocicleta se chocou com um caminhão que estava parado na beira da estrada, sem sinalização. Edimilson Couto Santana, de 59 anos, que era policial militar aposentado, morreu no local e o filho foi hospitalizado com lesões graves.
Seis meses após o acidente, em outubro de 2025, o adolescente foi transferido para Salvador e iniciou um tratamento de reabilitação com uma equipe multiprofissional na Clínica Florence, em Nazaré. Átila chegou na unidade de saúde sem controle de tronco, usando fralda e com a necessidade de cuidados para realizar as atividades mais simples. De lá para cá, ganhou mais controle de tronco, consegue dar os primeiros passos com apoio e não usa mais fraldas. Com tarefas adaptadas, vem ganhando mais autonomia para sentar-se, já usa cadeira de rodas e participa mais ativamente da própria rotina.
“Acidentes de moto podem causar lesões graves, como o trauma raquimedular, levando a limitações motoras, sensoriais e perda de autonomia. A reabilitação é parte fundamental nesse processo, pois ajuda na recuperação funcional, na adaptação às possíveis sequelas e na melhora da qualidade de vida, além de prevenir complicações. Quanto mais precoce e contínuo o acompanhamento, melhores tendem a ser os resultados”, explica Dra. Isa Carolina Paim, médica na Clínica Florence, responsável pelo tratamento do menino.
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