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Capa Saúde

Outubro Rosa: cuidados com a pele negra durante tratamento do câncer de mama exigem atenção especial

Publisher por Publisher
09/10/2026
em Saúde
Tempo de Leitura: 5 minutos
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Símbolo do outubro rosa

Divulgação

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Radioterapia e outros tratamentos oncológicos podem provocar alterações na pigmentação, ressecamento e inflamações persistentes. Especialista baiana destaca a importância do acompanhamento individualizado para preservar a saúde da pele e a qualidade de vida das pacientes.

O Outubro Rosa, tradicionalmente dedicado à conscientização sobre o câncer de mama, também abre espaço para uma discussão importante sobre os efeitos dos tratamentos oncológicos na saúde da pele. Entre mulheres negras e mestiças, algumas dessas alterações podem apresentar características específicas, especialmente em relação à pigmentação e à recuperação dos tecidos.

A radioterapia, a quimioterapia e as intervenções cirúrgicas podem provocar diferentes manifestações cutâneas, que variam conforme o tratamento, a região afetada e as características individuais de cada paciente.

Nas peles com maior concentração de melanina, processos inflamatórios podem desencadear alterações de pigmentação que permanecem mesmo após a recuperação da região tratada.

Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio 2026–2028, o Brasil deverá registrar aproximadamente 78.610 novos casos de câncer de mama feminina por ano.

Diante desse cenário, especialistas destacam que a assistência à mulher com câncer deve considerar não apenas o controle da doença, mas também a prevenção e o acompanhamento dos efeitos adversos do tratamento.

Radioterapia pode provocar diferentes reações na pele

Entre as manifestações cutâneas associadas à radioterapia estão vermelhidão, ressecamento, descamação, coceira, sensibilidade e alterações na tonalidade da pele.

Essas reações, conhecidas de maneira geral como manifestações de radiodermatite, podem surgir durante o tratamento e variar de intensidade.

Em alguns casos, o processo inflamatório pode comprometer temporariamente a integridade da barreira cutânea, provocando desconforto e maior sensibilidade na região irradiada.

Embora essas reações não sejam exclusivas de determinado grupo racial, sua aparência pode variar conforme a tonalidade da pele.

Em fototipos mais altos, por exemplo, a inflamação nem sempre se manifesta como uma vermelhidão facilmente identificável. Alterações de cor, sensibilidade e textura também precisam ser observadas.

Hiperpigmentação pode persistir após a recuperação da pele

Uma das particularidades que merecem atenção nas peles negras e mestiças é a possibilidade de desenvolvimento de hiperpigmentação pós-inflamatória.

A condição ocorre quando um processo inflamatório estimula alterações na produção ou distribuição de melanina, resultando no escurecimento da região afetada.

Essas manchas podem persistir por períodos prolongados, mesmo depois da recuperação da pele.

A médica Danìelà Hermes (CRM-BA 50111), pós-graduada em Saúde Pública e com duas décadas de atuação dedicadas à saúde das peles plurais, destaca a necessidade de acompanhar essas manifestações ao longo de toda a jornada oncológica.

“Durante a jornada oncológica, a saúde da pele precisa ser acompanhada continuamente. A resposta inflamatória pode gerar alterações na pigmentação que persistem por anos, um cenário comum em peles negras e mestiças”, explica.

A especialista ressalta que o cuidado deve considerar as particularidades da paciente e as características do tratamento realizado.

É importante esclarecer que ter pele negra não representa, por si só, um fator de risco para desenvolver câncer de mama. A discussão está relacionada à forma como determinadas alterações cutâneas podem se manifestar e evoluir durante ou após o tratamento.

Cuidados devem começar antes do aparecimento das lesões

Segundo Danìelà Hermes, o acompanhamento da pele deve começar, idealmente, antes do surgimento de alterações provocadas pelo tratamento oncológico.

O objetivo é identificar precocemente possíveis reações e estabelecer uma rotina de cuidados compatível com as orientações da equipe responsável pelo tratamento do câncer.

“O plano terapêutico precisa ser individualizado e alinhado à equipe responsável pelo tratamento do câncer. Medidas como a hidratação profunda da barreira cutânea, a higienização suave e a observação constante são fundamentais, mas a introdução de qualquer ativo ou produto deve passar por validação médica prévia”, orienta a médica.

A recomendação é especialmente importante porque produtos cosméticos, medicamentos tópicos e procedimentos estéticos podem não ser adequados para todas as fases do tratamento.

Na radioterapia, por exemplo, os cuidados com a área irradiada devem seguir as orientações específicas da equipe assistente.

A utilização de cremes, loções ou outros produtos não deve ser iniciada ou modificada sem avaliação profissional.

Quais sinais exigem atenção médica?

Algumas alterações precisam ser comunicadas prontamente à equipe de saúde, especialmente quando surgem ou se intensificam durante o tratamento.

Entre os sinais de alerta estão:

  • Vermelhidão intensa ou mudanças importantes na coloração da pele;
  • Dor ou sensibilidade acentuada;
  • Coceira persistente;
  • Descamação intensa;
  • Feridas ou bolhas;
  • Presença de secreções.

Essas manifestações podem exigir avaliação e ajustes na rotina de cuidados.

A orientação é evitar a automedicação e não utilizar produtos indicados por terceiros sem a aprovação dos profissionais responsáveis.

Tratamentos de manchas e cicatrizes exigem avaliação

Após a radioterapia ou intervenções cirúrgicas, algumas pacientes podem apresentar manchas, cicatrizes e alterações na textura da pele.

Embora existam diferentes abordagens dermatológicas e estéticas para essas condições, sua indicação depende do estado de recuperação dos tecidos e do histórico clínico da paciente.

Durante a radioterapia ou na presença de lesões ativas, procedimentos voltados à correção de manchas e cicatrizes só devem ser considerados mediante autorização expressa da equipe médica assistente.

A médica Danìelà Hermes realiza atendimentos na Clidany, com foco nas necessidades e particularidades das peles negras e plurais.

A abordagem individualizada busca reconhecer diferenças na apresentação dos sintomas e na resposta dos tecidos, sem comprometer a segurança do tratamento oncológico.

Saúde da pele também faz parte da qualidade de vida

Os efeitos cutâneos do tratamento contra o câncer de mama não se restringem às alterações visíveis.

Dor, coceira, ressecamento, sensibilidade e mudanças na aparência da pele podem interferir no conforto físico, na autoestima e no bem-estar emocional.

Por isso, o acompanhamento dessas manifestações deve integrar uma assistência multidisciplinar, envolvendo os profissionais responsáveis pelo tratamento oncológico e, quando necessário, especialistas em cuidados dermatológicos.

A identificação precoce de alterações pode contribuir para reduzir o desconforto, orientar intervenções adequadas e preservar a integridade da pele.

Outubro Rosa amplia debate sobre cuidado integral

A campanha Outubro Rosa tem como uma de suas principais mensagens a importância do diagnóstico precoce e do acesso ao tratamento adequado do câncer de mama.

Mas a discussão sobre a doença também precisa incluir a experiência das mulheres durante e depois das terapias.

Nesse contexto, compreender as particularidades das peles negras e mestiças representa uma dimensão importante da assistência individualizada.

A literatura científica ainda apresenta lacunas sobre a frequência e a intensidade de determinadas manifestações cutâneas em mulheres negras submetidas ao tratamento oncológico, reforçando a necessidade de ampliar a atenção clínica e a produção de conhecimento sobre o tema.

Cuidar da mulher com câncer de mama significa olhar além do tumor. Preservar a saúde da pele, aliviar sintomas e considerar os impactos físicos e emocionais do tratamento também são partes fundamentais de uma assistência integral.

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