Desenvolvido pela empresa americana Grail, teste Galleri será oferecido pelo Grupo Fleury e poderá auxiliar na detecção precoce de tumores, inclusive aqueles sem métodos tradicionais de rastreamento.
O Brasil passa a contar com uma nova tecnologia voltada à detecção precoce do câncer. O Grupo Fleury anunciou a chegada do Galleri, exame de sangue capaz de identificar sinais moleculares associados a mais de 50 tipos de tumores, incluindo cânceres de pâncreas, fígado e ovário, que não possuem métodos de rastreamento amplamente recomendados para a população geral.
Desenvolvido pela empresa americana Grail, o teste chega ao país por meio da Genesis Genomics, joint venture especializada em genômica formada pelo Grupo Fleury e pelo Einstein Hospital Israelita. A tecnologia será oferecida como ferramenta complementar aos exames convencionais de rastreamento, mediante avaliação médica.
O exame é direcionado principalmente a pessoas assintomáticas com mais de 50 anos e utiliza uma simples coleta de sangue para buscar alterações moleculares que possam indicar a presença de células cancerígenas.
A novidade chega em um cenário de aumento da incidência da doença no Brasil. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país deverá registrar aproximadamente 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028.
Como funciona o exame Galleri
Diferentemente dos testes genéticos que identificam predisposição hereditária ao câncer, o Galleri procura sinais moleculares que possam indicar a presença atual da doença.
A tecnologia analisa fragmentos de DNA livre circulante no sangue e seus padrões de metilação, modificações químicas que podem ajudar a identificar a existência de células cancerígenas e sugerir a localização do tumor.
Caso o resultado seja positivo, o paciente deverá realizar exames complementares para investigar e confirmar a possível presença da doença. Um resultado negativo, entretanto, não elimina a possibilidade de câncer.
Por esse motivo, o Galleri não substitui exames preventivos tradicionais, como mamografia, colonoscopia e outros procedimentos recomendados conforme idade, histórico familiar e fatores individuais de risco.
Estudos apontam resultados promissores
A tecnologia vem sendo avaliada em pesquisas internacionais de grande porte.
O estudo PATHFINDER, publicado na revista científica The Lancet em 2023, acompanhou 6.662 adultos com mais de 50 anos nos Estados Unidos e demonstrou a viabilidade de utilização do teste na prática clínica.
Já o PATHFINDER 2, realizado com 35.878 participantes nos Estados Unidos e Canadá, apontou aumento de 6,5 vezes na detecção de novos cânceres quando o Galleri foi associado aos exames convencionais de rastreamento.
Segundo os resultados apresentados pelos pesquisadores, o teste alcançou especificidade de 99,6%, taxa de falsos positivos inferior a 0,4% e precisão de 91,3% na identificação da provável origem do sinal molecular.
Outra pesquisa, o NHS-Galleri, realizada no Reino Unido com mais de 140 mil participantes, não atingiu seu objetivo principal de demonstrar redução estatisticamente significativa dos diagnósticos de câncer avançado. Entretanto, análises secundárias identificaram sinais de aumento na detecção de tumores em estágios iniciais.
Apesar dos resultados promissores, ainda são necessárias evidências adicionais para determinar se a utilização ampla do teste reduz a mortalidade por câncer e se seus benefícios superam os riscos de investigações desnecessárias.
Tecnologia amplia possibilidades da medicina de precisão
Para Edgar Gil Rizzatti, presidente de Unidades de Negócios Médica, Técnica, Hospitais, Novos Elos e Inovação do Grupo Fleury, que detém a Diagnoson a+ na Bahia, a chegada do exame representa um avanço na oferta de tecnologias voltadas à prevenção e ao diagnóstico.
A estratégia da instituição prevê integrar o Galleri a uma estrutura de atendimento que reúne medicina diagnóstica, genética, genômica e oncologia de precisão.
O diretor médico de Oncologia e Hematologia do Einstein, Nam Jin Kim, destaca que a identificação precoce de tumores pode ampliar as possibilidades de tratamento e controle da doença.
A recomendação do teste deverá considerar avaliação individualizada, especialmente em pacientes acima dos 50 anos e sem sintomas suspeitos.
A chegada do Galleri ao Brasil amplia o acesso a uma tecnologia emergente, mas seu uso deve ocorrer com acompanhamento médico e sem abandono dos métodos de rastreamento já estabelecidos.
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