A quinta edição do Dia do Algodão, promovida pela Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), reuniu produtores rurais, pesquisadores, consultores, estudantes, representantes da cadeia produtiva e autoridades para discutir os desafios e as oportunidades da cotonicultura baiana. O evento foi realizado nos dias 31 de julho e 1º de agosto, em Luís Eduardo Magalhães, com uma programação voltada à logística, mercado, inovação, pesquisa e sustentabilidade da produção de algodão.
Na sexta-feira, os debates foram direcionados aos associados da Abapa, convidados e autoridades. Já no sábado, cerca de 1,2 mil pessoas participaram das atividades técnicas realizadas no Centro de Treinamento da entidade, no Complexo Bahia Farm Show.
Logística ganha protagonismo nas discussões
Um dos principais temas do encontro foi a ampliação das exportações pelo Porto de Salvador.
Durante o Workshop sobre o Corredor Logístico do Algodão, representantes de produtores, exportadores, tradings, transportadoras, operadores portuários e órgãos públicos discutiram soluções para ampliar a participação do terminal baiano no escoamento da produção.
Entre os principais desafios debatidos estiveram:
- disponibilidade de contêineres;
- previsibilidade das escalas de navios;
- ampliação das áreas de armazenamento;
- melhoria dos acessos ao porto;
- integração das informações entre todos os elos da cadeia logística.
Segundo a presidente da Abapa, Alessandra Zanotto Costa, a Bahia ainda utiliza uma parcela pequena do potencial logístico disponível.
A safra 2025/2026 poderá se aproximar de 1 milhão de toneladas de algodão em pluma, enquanto cerca de 200 mil toneladas foram exportadas pelo Porto de Salvador no ciclo anterior.
Produção deve crescer até 2030
Durante o evento, o diretor executivo da Abapa, Gustavo Prado, apresentou projeções para os próximos anos.
Segundo a entidade:
- a área cultivada poderá crescer de 447 mil para cerca de 612 mil hectares até 2030;
- a produção poderá atingir aproximadamente 1,35 milhão de toneladas;
- cerca de 80% da produção deverá ser destinada ao mercado internacional.
O crescimento reforça a necessidade de investimentos em infraestrutura logística e planejamento comercial.
Pesquisa orienta decisões para a próxima safra
A programação técnica apresentou estudos conduzidos pela Fundação Bahia, Embrapa Algodão e Cepea/Esalq-USP.
Entre os principais temas abordados estiveram:
- avaliação de 46 cultivares de algodão;
- custos de produção para a safra 2026/2027;
- manejo do bicudo-do-algodoeiro;
- impactos do clima e do fenômeno El Niño sobre a cultura.
Os pesquisadores destacaram que produtividade, estabilidade genética, qualidade da fibra e eficiência operacional continuam sendo fatores decisivos para a competitividade da cotonicultura.
Cooperação amplia pesquisas no Oeste baiano
Outro destaque foi a assinatura de um Termo de Cooperação Técnica entre a Abapa e a Embrapa Algodão.
A parceria formaliza uma agenda permanente de pesquisas voltadas à cotonicultura do Oeste da Bahia, abrangendo temas como:
- fitossanidade;
- conservação do solo;
- agricultura de baixo carbono;
- biotecnologia;
- qualidade da fibra;
- integração de dados para apoio à tomada de decisão.
Segundo a Abapa, a iniciativa aproxima pesquisadores e produtores, permitindo que as demandas observadas no campo orientem novos estudos.
Evento confirma importância estratégica do setor
Ao longo dos dois dias, especialistas também discutiram geopolítica, economia, comércio internacional, comportamento do consumidor e perspectivas para o mercado global do algodão.
Para Alessandra Zanotto Costa, o fortalecimento da cotonicultura depende cada vez mais da integração entre pesquisa, planejamento, infraestrutura e cooperação entre todos os agentes da cadeia produtiva.
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