A cotonicultura da Bahia vive uma transformação estrutural impulsionada pelo avanço da irrigação nas lavouras. Com aproximadamente 50% da área cultivada irrigada, o estado consolida um novo modelo de produção que amplia a estabilidade das safras e sustenta a expectativa de um novo recorde de produção.
Segundo dados apresentados durante a 83ª Reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Algodão e Derivados, realizada durante o XXIII ANEA Cotton Dinner, em Angra dos Reis (RJ), a Bahia deverá colher 925,2 mil toneladas de pluma na safra 2025/2026, crescimento de aproximadamente 10% em relação ao ciclo anterior.
O desempenho contrasta com o cenário nacional. Enquanto o Brasil projeta uma produção de 3,9 milhões de toneladas de pluma, retração de 8,2% frente à safra passada, a Bahia segue ampliando sua participação no setor.
De acordo com a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), a área cultivada no estado passou de 413 mil para 417 mil hectares, crescimento de 1,2%, enquanto a produtividade média deverá alcançar 2.214 quilos por hectare, superior à média brasileira estimada em 1.954 quilos por hectare.
Clima favorável e recuperação das lavouras
Durante a reunião, o vice-presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), Douglas Orth, destacou que a regularidade das chuvas contribuiu para a recuperação das áreas de sequeiro.
“No ano passado tivemos grandes problemas com seca na Bahia. Neste ciclo, a parte hídrica ocorreu dentro da normalidade e isso muda completamente o potencial das lavouras. Hoje, acreditamos que muitas áreas de sequeiro poderão produzir tanto quanto, ou até melhor que áreas irrigadas.”
Segundo Orth, o estado inicia um novo ciclo de expansão da cultura.
“A Bahia está em crescimento. Acredito que vamos conseguir manter essa média e continuar evoluindo.”
Irrigação muda o sistema produtivo
A responsável pelo mercado de algodão da Agroconsult, Heloisa Melo, destacou que a expansão da irrigação representa uma mudança estrutural na produção agrícola do Oeste baiano.
Segundo a especialista, imagens de satélite mostram que a área irrigada se aproxima de 50% da área cultivada, percentual significativamente superior aos cerca de 39% registrados há poucos anos.
Para ela, a evolução do sistema produtivo também explica a alteração no calendário agrícola da região.
“Muito se falava que o plantio da Bahia estava atrasado. Não está atrasado. Estamos vivendo um novo normal. O plantio mudou porque o sistema de produção mudou.”
Heloisa explica que a sucessão entre soja e algodão passou a otimizar o uso de máquinas, mão de obra e infraestrutura, aproximando o modelo produtivo baiano daquele observado em Mato Grosso.
Expectativa positiva para a safra
A Agroconsult também revisou para cima suas estimativas de produtividade durante o ciclo. A previsão passou de 1.950 para 2.060 quilos por hectare, embora a consultoria reconheça que os números apresentados pela Abapa indicam desempenho ainda superior.
No fim de julho, a equipe da Agroconsult retornará à Bahia durante a etapa do Rally da Safra dedicada ao algodão para validar as estimativas em campo.
Segundo a consultoria, o bom desenvolvimento das lavouras, aliado às condições climáticas favoráveis e aos investimentos em tecnologia e irrigação, reforça a expectativa de uma das melhores safras da história da cotonicultura baiana.
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