Em um cenário marcado pelo aumento dos casos de ansiedade, estresse e esgotamento emocional, compreender a diferença entre o trabalho do psicólogo e do psiquiatra tornou-se essencial para promover o cuidado com a saúde mental e combater preconceitos ainda presentes na sociedade.
Especialistas da Afya Salvador e da Afya Itabuna explicam que, embora as duas áreas atuem de forma complementar, cada uma possui funções específicas no acolhimento e tratamento do sofrimento psíquico.
Psicologia promove autoconhecimento e fortalecimento emocional
A psicóloga e professora da Afya Itabuna, Raquel de Alcântara Santos, explica que a psicoterapia oferece um espaço de escuta qualificada, acolhimento e compreensão das emoções, pensamentos e comportamentos.
Segundo ela, o acompanhamento psicológico auxilia o paciente a desenvolver recursos emocionais mais saudáveis para enfrentar desafios pessoais, profissionais e familiares.
“A psicoterapia atua como um espaço de escuta, acolhimento e compreensão das emoções, pensamentos e comportamentos que fazem parte da vivência humana. Ela favorece o fortalecimento da autoestima, da autonomia emocional e da capacidade de tomada de decisões.”
Além do tratamento de dificuldades emocionais, Raquel ressalta que a terapia também pode ser buscada de forma preventiva.
Segundo a especialista, o acompanhamento psicológico contribui para:
- desenvolvimento pessoal;
- autoconhecimento;
- fortalecimento da autoestima;
- melhoria da comunicação;
- prevenção do adoecimento psíquico;
- desenvolvimento de habilidades para lidar com situações estressantes.
Psiquiatria atua no diagnóstico e tratamento dos transtornos mentais
Já a psiquiatria é uma especialidade médica voltada ao diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos transtornos mentais.
O psiquiatra e professor da Afya Salvador, Vitor Almeida, destaca que algumas doenças exigem acompanhamento psiquiátrico contínuo e uso de medicação.
Entre elas estão:
- transtorno afetivo bipolar;
- esquizofrenia.
Outros transtornos, como depressão e transtorno de ansiedade generalizada, podem ou não exigir tratamento medicamentoso, dependendo da gravidade do quadro.
“Nos casos moderados a graves, a literatura geralmente recomenda acompanhamento psiquiátrico e tratamento medicamentoso. Nos quadros leves, na maioria das situações, o acompanhamento psicológico costuma ser suficiente.”
Além da prescrição de medicamentos, o psiquiatra também pode orientar questões relacionadas ao sono, uso de substâncias, reinserção social e ocupacional. Alguns profissionais da área também possuem formação para realizar psicoterapia.
Buscar ajuda cedo faz diferença
Os especialistas alertam que ainda existe a falsa ideia de que somente pessoas em situações extremas devem procurar atendimento em saúde mental.
Para Raquel de Alcântara Santos, o acompanhamento preventivo contribui para melhorar a qualidade de vida e evitar o agravamento do sofrimento emocional.
Já Vitor Almeida destaca que adiar a busca por ajuda pode aumentar a complexidade do tratamento.
“Os riscos de se adiar a busca por apoio diante de um sofrimento mental podem variar desde o aumento do tempo de tratamento e da necessidade de doses maiores de medicação até situações mais graves, como o atentado contra a própria vida.”
Abordagens complementares
Os especialistas reforçam que psicologia e psiquiatria não competem entre si.
Ao contrário, a integração entre as duas abordagens proporciona um cuidado mais completo, favorecendo o tratamento, a prevenção e a promoção da saúde mental.
Segundo eles, procurar ajuda psicológica ou psiquiátrica quando necessário é um ato de autocuidado e responsabilidade consigo mesmo, contribuindo para o bem-estar, a qualidade de vida e o equilíbrio emocional.
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