O livro “Só sei que foi assim: a trama do preconceito contra o povo do Nordeste”, do jornalista e pesquisador potiguar Octávio Santiago, está entre os três finalistas da categoria Livro-Reportagem do 48º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos.
Publicada em 2025, a obra nasceu da pesquisa de doutorado desenvolvida por Santiago na Universidade do Minho, em Portugal, e investiga a formação histórica dos estereótipos associados ao Nordeste e à população nordestina.
O trabalho procura compreender como imagens que relacionam a região ao atraso, à pobreza e à ignorância foram construídas e reproduzidas ao longo do tempo.
Para isso, o autor analisa as relações entre discursos políticos, interesses econômicos, racismo e representações produzidas pela imprensa, literatura e audiovisual.
Preconceito como construção histórica
A abordagem apresentada por Santiago parte da compreensão de que os estereótipos sobre o Nordeste não surgiram espontaneamente.
A pesquisa procura identificar como diferentes discursos e representações contribuíram para construir uma determinada imagem da região e de seus habitantes.
Nesse processo, o livro relaciona aspectos políticos e econômicos às formas pelas quais o Nordeste foi retratado em diferentes períodos e linguagens.
A investigação também permite observar como determinadas representações podem atravessar gerações e permanecer presentes no imaginário social, mesmo quando o contexto que contribuiu para sua formação se transforma.
Ao converter a pesquisa acadêmica em livro-reportagem, Santiago leva a discussão para além do ambiente universitário e aproxima o tema de um público mais amplo.
Obra disputa prêmio com outros dois livros
Na categoria Livro-Reportagem, “Só sei que foi assim” concorre com outras duas obras finalistas: “Agressão”, da jornalista Ana Paula Araújo, e “Como nasce um miliciano”, de Cecilia Olliveira.
A definição do trabalho vencedor está prevista para ocorrer em sessão pública nesta quarta-feira, 30 de setembro, no Instituto Vladimir Herzog, em São Paulo.
O reconhecimento coloca a investigação sobre o preconceito contra nordestinos entre os trabalhos selecionados por uma premiação historicamente associada ao jornalismo, aos direitos humanos e à defesa da democracia.
Pesquisa nasceu no Rio Grande do Norte e avançou até Portugal
Potiguar, Octávio Santiago desenvolveu a pesquisa que originou o livro durante seu doutorado na Universidade do Minho.
O percurso acadêmico resultou em uma investigação que procura compreender não apenas a existência do preconceito regional, mas os mecanismos históricos utilizados na sua construção.
A análise de diferentes tipos de representação é especialmente relevante nesse contexto porque estereótipos podem ser reforçados não somente por manifestações explicitamente preconceituosas, mas também pela repetição de imagens, personagens, discursos e associações culturais.
Dessa forma, imprensa, literatura, audiovisual e discursos políticos passam a integrar o conjunto de fontes utilizado para compreender como determinadas percepções sobre o Nordeste foram formadas e reproduzidas.
Livro chega à final de prêmio dedicado aos direitos humanos
Criado em homenagem ao jornalista Vladimir Herzog, o prêmio reconhece trabalhos jornalísticos relacionados à defesa dos direitos humanos.
A presença de “Só sei que foi assim” entre os finalistas insere o preconceito regional contra nordestinos nesse campo de discussão.
Ao investigar as origens das representações negativas atribuídas à região, o livro propõe olhar para o preconceito não apenas como manifestação individual, mas como fenômeno construído historicamente e alimentado por diferentes estruturas e narrativas.
A escolha do vencedor da categoria Livro-Reportagem será conhecida nesta quarta-feira, durante a sessão pública prevista para ocorrer no Instituto Vladimir Herzog.
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