BA de Valor
  • Atualidade
  • Economia
  • Negócios
  • Sua Chance
  • Inovação
  • Notas de Valor
Sem resultado
Ver todos os resultados
  • Colunistas
  • Notas de Bolso
  • Business Lounge
  • Quem Somos
  • Anuncie
  • Contato
  • Política de Privacidade
BA de Valor
  • Atualidade
  • Economia
  • Negócios
  • Sua Chance
  • Inovação
  • Notas de Valor
Sem resultado
Ver todos os resultados
BA de Valor
PUBLICIDADE
Capa Colunistas

A poesia tem que fazer parte do cardápio humano

REDAÇÃO por REDAÇÃO
28/06/2024
em Colunistas
Tempo de Leitura: 6 minutos
A A
0
Share on FacebookShare on Twitter

Fernanda Carvalho*

Fernanda CarvalhoO título desta coluna não é meu. A frase éda poeta e escritora mineira Adélia Prado que esta semana conquistou o Prêmio Camões, o mais importante da língua portuguesa. A decisão foi anunciada poucos dias depois que a Academia Brasileira de Letras (ABL) também consagrou Adélia Prado como vencedora do Prêmio Machado de Assis 2024. Uma dupla celebração. Mil vezes merecida!

O valor do Prêmio Camões, concedido por meio de subsídio da Fundação Biblioteca Nacional (FBN) – entidade vinculada ao Ministério da Cultura (MinC) e do Governo de Portugal, é de 100 mil euros. Um dos mais altos entre as premiações literárias. Registre-se destacando também que navegar pelos textos de Adélia Prado é um deleite de valor imensurável.

Segundo o júri da premiação portuguesa, “Adélia Prado é autora de uma obra muito original, que se estende ao longo de décadas, com destaque para a produção poética, que segue viva!”. E pulsante! Aos 88 anos, a mineira que vive na cidade de Divinópolis encanta em vitalidade, versos e também em prosa.

Bem no início da jornada literária, teve oincentivo de ninguém menos que Carlos Drummond de Andrade. O prestigiado autor assim a descreveu: “Adélia é lírica, bíblica, existencial, faz poesia como faz bom tempo…”. Professora durante 24 anos, Adélia Prado resolveu abandonar a sala de aula para se dedicar à carreira de escritora e, mais tarde, se tornar uma voz inconfundível na literatura de língua portuguesa. Toda vida amou falar de poesia.
Ler. Declamar. Escrever. Textos tão próximos do cotidiano, capazes de despertar encanto e perplexidade. De acender a fé, com ludicidade e estilo único. Com formação em Filosofia e uma religiosidade experimentada no dia a dia, ela apontao Salmo 131 como um de seus favoritos. “Quero estar no colo de Deus, como uma criança no colo de sua mãe. Abandonado a Deus”, rememora trecho da citação bíblica, um verdadeiro aconchego existencial.

Adélia é a personificação da revalorização do feminino nas letras. Aos 88 anos e lúcida, é uma mulher pensante. A extensa produção literária não foi motivo para se esquivar de todos os outros papéis: esposa, mãe – e de cinco filhos -, dona de casa, intelectual. Com a delicadeza com que trata a pena, de onde brotam seus textos, ela chegou de mansinho no cantinho digital. No instagram,a escritora, que é considerada a maior poetisa viva brasileira, brinda os mais de 87 mil seguidores declamando poemas, respondendo perguntas erevelando fragmentos da sua história pessoal que escaparam das páginas dos livros.

Bagagem (1976) é o título do seu primeiro, publicado aos 40 anos. “Estava num fervor tão grande. Tinha dias que escrevia cinco poemas. A panela estava até a tampa. Escrevia prosa, poesia, infantil, escrevia muito”, conta com sua simplicidade peculiar em um dos vídeos postados no seu perfil do Instagram. No rastro do sucesso da primeira obra lançou “O coração disparado” dois anos depois. O novo título foi agraciado com o Prêmio Jabuti. Já a estreia em prosa se deu no ano seguinte com “Solte os cachorros”. A extensa produção literária, que foi traduzida para o inglês e o espanhol, rendeu vários outros prêmios, inspirou leitores, teses acadêmicas e o nascimento de novos escritores.

O cotidiano que tanto a move também calou a poeta que passou longo período sem produzir. O primeiro deserto criativo durou sete anos. Sem palavras. Sem versos. Em 1994, após o dolorido silêncio poético, Adélia Prado ressurge com o livro “O homem da mão seca”. Em matérias que circulam na internet – quem dera ter tido a honra de entrevistá-la – a escritora conta que a obra foi iniciada em 1987, mas, depois de concluir o primeiro capítulo, foi acometida por uma crise de depressão. Na vida e na arte, a aridez, por vezes, é uma experiência necessária. “Várias coisas acontecem. Porque a vida não é linear. Hoje está maravilhoso, mas amanhã você tem um problema de relacionamento, de família, uma doença, uma morte. São coisas da vida”, explica que em outras oportunidades já declarou não apreciar livros de autoajuda. Com sua poética, ela aprendeu a apreciar o lado bom da dor.

As palavras de Adélia trazem conforto para quem sente a verve da escrita pulsar, mas ainda não encontrou o caminho de deixá-la fluir. A dor inerente ao silêncio poético é entendida ou pode ser imaginada por qualquer escritor. Costumo dizer que meu livro foi gestado por quase 18 anos. O peso das palavras contidas por tanto tempo só não foi maior que a alegria de transbordá-las, registrá-las em papel. Um livro é a materialização do que somos. Do que pensamos e sentimos. Não tem direito autoral que dê conta do valor de ver como as histórias que brotam da gente afetam o outro, tocam em lugares distintos e de forma diferente cada leitor. As palavras são vivas. Acendem cicatrizes, amansam dores vulcânicas, aconchegam, inquietam,ressignificam… No tempo e na medida certa para cada um que se permite ser tomado por um livro, invadido por um verso. O fruto é sempre uma nova leitura de mundo. Por vezes, até novos sonhos brotam. Inclusive literários.

Acolho muitas pessoas que no pé de ouvido ou no direct confessam ter o sonho de publicar um livro. Ainda não escutei sobre nenhum que não merecesse nascer. Por mais íntima e particular que seja a história, nunca é somente sobre o autor. Hoje mesmo ouvi da pedagoga Denise Vaz Bela que o que a fez se tornar escritora foi a dor do fim de um casamento de mais de 20 anos. “A escrita foi minha terapia”. A mísera DOR – palavra com três letras – Denise decidiu transformar em uma generosa OPORTUNIDADE. Doze letras. Mais de duas mãos cheias. Alguns livros publicados einfinitas trocas que a literatura favorece. Do pó, fez-se uma nova mulher… uma escritora!

O alfabeto é limitado, mas as possibilidades são intermináveis. Quando a gente abre um livro ou é arrebatado por um poema, as palavras ganham brilho. Cintilam. Trazem nem que seja um flash, uma lamparina de esperança para a vida. Faz reluzir aquilo que a gente guarda no cantinho mais secreto da nossa existência. Nas gavetas da alma.

Aos 88 anos – a repetição é proposital para valorizar a vida que segue produtiva com o avançar da idade – e morando na mesma cidade onde nasceu, Adélia Prado ainda tem disposição para revisitar as gavetas. Foi lá queencontrou escritos ainda da juventude que inspiraram o novo livro. “Jardim das Oliveiras” é o título prometido, uma referência ao lugar onde Jesus Cristo orou na véspera da crucificação. “É um livro difícil de ser escrito, fruto de experiências difíceis, mas tem alegria, claro. Se for poema verdadeiro não tem um que não tenha, pelo menos, uma sombra, uma pisada na areia de alegria. A arte é assim, tem beleza e um sinal de esperança”, define a poeta em mais uma aparição virtual.Ela confessa que – de novo – achava que não ia dar conta de escrever mais. Imagine? “Mas graças a Deus estou escrevendo um último livro. Último não… (corrige sorrindo). O último desta carreira. Espero em Deus que seja um bom livro de poesia”, anuncia com modéstia. Com a certeza de que será pra lá de bão, no melhor estilo mineiro de ser, esperamos ansiosos por essa boa nova literária.

Enquanto o livro novo não vem, e por também acreditar que a poesia tem que fazer parte do cardápio humano, peço licença para deixar aqui este aperitivo poético que, para meu deleite, ainda faz referência ao parto sem dor. Os aplausos vão – todinhos – para Adélia Prado.

COM LICENÇA POÉTICA

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas, o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
(dor não é amargura).
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida, é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

Adélia Prado, Bagagem


*Fernanda Carvalho é jornalista, escritora, autora do Livro A Luz da Maternidade – Relatos de Parto sem Dor conduzidos por Gerson de Barros Mascarenhas.

E-mail: livroaluzdamaternidade@gmail.com

Instagram: @fernandacarvalho_cs

Tags: poesia
Artigo Anterior

Fieb e BNB assinam acordo para facilitar acesso ao crédito para a indústria

Próximo Artigo

Mudanças na gestão do Hub do Comércio

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Antonio Peres Junior
Colunistas

Antonio Peres Junior lança livro sobre Direito, empreendedorismo e a conexão entre Brasil e Espanha

Dr. Anísio Pinheiro
Colunistas

Adiar NR1 será retrocesso na proteção à saúde mental dos trabalhadores

Dra. Beatrice Facundo
Colunistas

Quem cuida da saúde de quem gera e sustenta a vida

Próximo Artigo
Hub Salvador

Mudanças na gestão do Hub do Comércio

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

  • EM ALTA
  • COMENTÁRIOS
  • ÚLTIMAS
Exame CNH Detran Bahia

Governo da Bahia amplia Programa CNH da Gente e abre mais de 20 mil vagas gratuitas

Conceição Evaristo e Dua Lipa

Dua Lipa escolhe obra de Conceição Evaristo para inaugurar biblioteca dedicada a livros censurados em Portugal

Envento Anea

Exportações de algodão devem bater novo recorde e consolidar liderança global do Brasil

Prédio Unifacs

MP-BA ajuíza ação contra Unifacs e Ânima por supostas irregularidades em serviços a estudantes

Fábrica da Braskem

Polo Industrial de Camaçari completa 48 anos como referência em inovação e desenvolvimento da indústria brasileira

Antigo prédio dos Correios na Pituba

Moura Dubeux arremata antigo prédio dos Correios na Pituba por R$ 97,7 milhões

Equipe do Sabin recebendo premiação

Sabin recebe, pelo oitavo ano consecutivo, Selo de Diversidade Étnico-Racial de Salvador

Mulher negra sorrindo

Especialista alerta para cuidados com a pele negra durante o inverno

BA-434, entre Central e o distrito de Hidrolândia

Governo da Bahia abre licitações para obras em rodovias de Central, Feira de Santana e Itapetinga

Exame CNH Detran Bahia

Governo da Bahia amplia Programa CNH da Gente e abre mais de 20 mil vagas gratuitas

Plenário da Câmara dos deputados

Câmara homenageia micro e pequenas empresas e reforça debate sobre atualização do Simples Nacional

Secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia, Edson Porto

Bahia lança calendário do Bahia Tech Experience 2026 e amplia ações para fortalecer o ecossistema de inovação

Equipe do Sabin recebendo premiação

Sabin recebe, pelo oitavo ano consecutivo, Selo de Diversidade Étnico-Racial de Salvador

Mulher negra sorrindo

Especialista alerta para cuidados com a pele negra durante o inverno

BA-434, entre Central e o distrito de Hidrolândia

Governo da Bahia abre licitações para obras em rodovias de Central, Feira de Santana e Itapetinga

Exame CNH Detran Bahia

Governo da Bahia amplia Programa CNH da Gente e abre mais de 20 mil vagas gratuitas

Plenário da Câmara dos deputados

Câmara homenageia micro e pequenas empresas e reforça debate sobre atualização do Simples Nacional

Secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia, Edson Porto

Bahia lança calendário do Bahia Tech Experience 2026 e amplia ações para fortalecer o ecossistema de inovação

PUBLICIDADE

COLUNISTAS

Antonio Peres Junior

Antonio Peres Junior lança livro sobre Direito, empreendedorismo e a conexão entre Brasil e Espanha

Dr. Anísio Pinheiro

Adiar NR1 será retrocesso na proteção à saúde mental dos trabalhadores

Dra. Beatrice Facundo

Quem cuida da saúde de quem gera e sustenta a vida

Flávia Marimpietri

Dia Mundial do Consumidor reforça importância da informação para garantir direitos

Betânia Miguel Teixeira Cavalcante

A urgência da reforma do Código Civil e seus impactos sobre a vida jurídica contemporânea

NOTAS DE BOLSO

Bandeira da FGV

FGV anuncia cursos gratuitos e online nas áreas de tecnologia, dados e inteligência artificial

Preparação de remessa da Shopee

Shopee amplia logística e reduz prazo médio de entrega em dois dias no Brasil

Refém da pobreza

BA de Valor

© 2024 BA de Valor. Todos os direitos reservados.

Institucional

  • Quem Somos
  • Anuncie
  • Contato
  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies

Siga-Nos

Sem resultado
Ver todos os resultados
  • Atualidade
  • Economia
  • Negócios
  • Sua Chance
  • Inovação
  • Notas de Valor
  • Colunistas
  • Business Lounge
  • Quem Somos
  • Contato
  • Anuncie
  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies

© 2024 BA de Valor. Todos os direitos reservados.