A tecnologia tem se tornado uma importante aliada na prevenção de desastres e na gestão de áreas vulneráveis em Salvador. A Defesa Civil da capital baiana (Codesal) utiliza drones equipados com sistemas de geração de imagens de alta resolução para mapear localidades de risco e apoiar o planejamento de intervenções estruturais.
Os levantamentos aéreos permitem visualizar de forma abrangente regiões com ocupações irregulares, terrenos de difícil acesso e características que nem sempre podem ser identificadas durante uma vistoria realizada exclusivamente no solo.
As informações obtidas complementam o trabalho das equipes técnicas e ajudam na elaboração de diagnósticos envolvendo riscos geológicos e hídricos, alagamentos e deslizamentos.
“O mapeamento é uma parte importante, mas é o início do nosso trabalho. A partir da característica multidisciplinar do setor, elaboramos soluções para resolver questões de segurança geológica, hídrica, alagamentos e deslizamentos”, explica o diretor-geral da Codesal, Adriano Silveira.
Imagens ajudam na elaboração de planos estruturais
Uma das principais aplicações da tecnologia está na elaboração dos Planos de Ações Estruturais (PAE), documentos utilizados para orientar intervenções multidisciplinares em comunidades específicas.
Segundo a chefe do setor de mapeamento de áreas de risco da Codesal, Karla Weyll, a perspectiva aérea permite identificar a distribuição das construções e diferentes interferências existentes no território.
“O mapeamento facilita uma visão geral das interferências e da tipologia da disposição dos imóveis, que muitas vezes não é perceptível na vistoria presencial. O drone auxilia a nossa equipe técnica quanto a essas necessidades e ao aprofundamento necessário para a avaliação de intervenções multidisciplinares”, afirma.
Os dados podem subsidiar projetos que envolvem áreas como drenagem, geotecnia e urbanismo, além da implantação de áreas verdes e de Soluções Baseadas na Natureza (SBN), quando tecnicamente possível.
Voos chegam a 100 metros de altura
O trabalho começa antes de o drone deixar o solo.
As equipes realizam inicialmente uma visita técnica para conhecer a localidade e determinar os pontos que precisam ser observados com maior nível de detalhamento. A partir dessas informações, é elaborado um plano de voo em software específico.
São definidos parâmetros como trajeto, altura e duração da operação.
“O voo é precedido da visita ao local e, posteriormente, nós fazemos o plano de voo. É uma definição antecipada, em que avaliamos a situação local e os pontos que são necessários sobrevoar com a aeronave”, explica Élio Perrone, chefe do setor de gestão de risco da Codesal.
Os equipamentos geram imagens aéreas georreferenciadas de alta resolução e normalmente operam entre 80 e 100 metros de altura.
“O drone permite uma rotação de 360 graus, varrendo todo o perímetro que precisa ser estudado, então é uma ferramenta espetacular de apoio à atividade”, acrescenta Perrone.
As operações também são registradas no Sistema de Solicitação de Acesso ao Espaço Aéreo por Remotamente Pilotados (SARPAS), permitindo a rastreabilidade dos voos.
Dados são transformados em mapas detalhados
Depois da operação, as imagens e os vídeos captados são processados para gerar uma ortofoto, representação corrigida e georreferenciada da área mapeada.
O material possibilita analisar as condições do terreno e identificar interferências que precisam ser consideradas pelas equipes responsáveis pelo planejamento das intervenções.
As informações produzidas pelos drones também são combinadas com outros recursos computacionais, incluindo imagens de satélite.
A análise é realizada por uma equipe multidisciplinar formada por engenheiros, geólogos, urbanistas e arquitetos, que avaliam as características e necessidades de cada localidade.
Mapeamento começou em 2023
A utilização sistemática da tecnologia teve início em 2023, com um levantamento realizado na área de risco de Bosque Real.
Desde então, a Codesal também realizou mapeamentos em localidades como Bom Juá, Mangueira e Creche.
Não existe uma periodicidade única para os novos voos. A frequência depende das características, necessidades e grau de complexidade de cada território.
Com o acompanhamento contínuo e a integração entre dados aéreos, imagens de satélite e vistorias presenciais, a Defesa Civil busca ampliar a capacidade de diagnóstico e orientar intervenções destinadas a reduzir riscos e melhorar as condições de habitabilidade nas comunidades atendidas.
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