Antes de transformar a cotonicultura em pauta jornalística, 110 estudantes de Jornalismo trocaram a sala de aula pelo campo para conhecer de perto a cadeia produtiva do algodão na Bahia. Nos dias 6 e 7 de agosto, os participantes da categoria Jovem Talento da 6ª edição do Prêmio Abapa de Jornalismo percorreram lavouras, unidades de beneficiamento, indústria, laboratórios e propriedades rurais no Oeste baiano.
Promovida pela Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), a experiência faz parte da preparação dos universitários para a produção dos trabalhos que concorrerão à premiação.
Participaram estudantes de oito instituições públicas e privadas da Bahia, entre elas Universidade Federal da Bahia (UFBA), Centro Universitário UniFTC, Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge), Universidade Salvador (Unifacs), Centro Universitário Anísio Teixeira (Unifat), Universidade do Estado da Bahia (Uneb), nos campi de Seabra e Juazeiro, e Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB).
Para muitos deles, foi o primeiro contato direto com uma atividade econômica até então conhecida principalmente por meio dos livros e da sala de aula.
“Todos os anos, recebemos estudantes que nunca tinham ouvido falar de cotonicultura e vão embora enxergando o algodão em cada peça de roupa que vestem. É esse olhar novo, sem vícios, que fortalece o jornalismo sobre o nosso setor e aproxima o Oeste da Bahia do restante do estado”, afirma a presidente da Abapa, Alessandra Zanotto Costa.
Da lavoura à indústria
O primeiro dia da imersão foi dedicado às visitas técnicas. Divididos em grupos, os estudantes conheceram a Zanotto Cotton, unidade de beneficiamento de algodão, e a Icofort, onde puderam acompanhar o aproveitamento industrial do caroço.
O roteiro também passou pelo Centro de Análise de Fibras e pelo Centro de Treinamento da Abapa e terminou na Fazenda Santa Izabel, possibilitando aos futuros jornalistas acompanhar diferentes etapas da cadeia produtiva, das operações no campo ao processamento industrial.
Para Heloísa Helena, estudante da UFBA, a experiência já despertou possibilidades de pauta.
“Viemos de Salvador e conhecemos um pouco do processo que é feito com a semente do algodão. É importante entender para onde ela vai depois do plantio e da colheita. A visita já deixou uma ideia de pauta para a nossa equipe”, conta.
Gabriel Matos, da Uneb, destacou a oportunidade de conhecer o processamento industrial. “A visita à indústria onde é extraído o óleo foi uma oportunidade de entender um processo que eu ainda não conhecia.”
Já Luana Lopes, da Unifat, chamou atenção para os cuidados ao longo do beneficiamento. “Percebemos que cada etapa da produção é pensada para garantir qualidade, desde a colheita até a separação das amostras.”
Para Breno Fernandes, da UniFTC, a experiência também ampliou a percepção sobre a presença do algodão no cotidiano. “Nunca imaginei visitar uma algodoeira. Foi uma experiência completamente nova e que mostrou como o algodão está presente em muito mais aspectos da nossa vida do que imaginamos.”
Formação jornalística além da sala de aula
No segundo dia, a programação foi dedicada à compreensão da organização da cotonicultura brasileira e da atuação institucional da Abapa.
Alessandra Zanotto Costa apresentou aos estudantes a estrutura do setor no país. Em seguida, a gerente de Comunicação e Marketing da associação, Natália Braga, abordou o trabalho institucional desenvolvido pela entidade.
A programação também contou com uma mesa-redonda mediada por Natália e com participação de integrantes da diretoria Douglas Orth e Ana Paula Franciosi.
Para o professor Diego Luiz, da UniFTC, a iniciativa oferece aos alunos uma experiência que ultrapassa o conhecimento teórico.
“O prêmio permite que os alunos conheçam toda a cadeia da cotonicultura, conversem com especialistas e compreendam uma realidade que vai muito além da sala de aula. Essa vivência amplia o conhecimento e mostra a importância do jornalismo na cobertura de um setor estratégico para a Bahia”, destaca.
A professora Mariana Menezes Alcântara, da Unijorge, compara a dinâmica a uma experiência profissional de cobertura especializada.
“A dinâmica da imersão se aproxima de uma press trip. Os estudantes conhecem a cadeia produtiva, conversam com diferentes fontes e depois transformam essa experiência em conteúdo jornalístico. O prêmio deixa de ser apenas uma competição e se torna uma oportunidade concreta de aprendizagem. Eles passam a se enxergar como futuros jornalistas.”
Prêmio distribui R$ 123 mil em 2026
Criado em 2019, o Prêmio Abapa de Jornalismo busca incentivar a produção de reportagens sobre a cotonicultura baiana e aproximar profissionais de comunicação e estudantes da realidade do campo.
Em 2026, a iniciativa chega à sexta edição e distribuirá R$ 123 mil em premiações, divididas entre as categorias Profissional e Jovem Talento.
Para os universitários, a imersão técnica realizada no Oeste da Bahia é uma etapa obrigatória da competição.
A experiência funciona como ponto de partida para que os estudantes identifiquem personagens, temas e diferentes aspectos da cadeia produtiva e, a partir do contato direto com o setor, desenvolvam os trabalhos jornalísticos que posteriormente serão submetidos à comissão julgadora.
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