Com o avanço da colheita de algodão no Oeste baiano, a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) deu início, nesta terça-feira (7), ao cronograma anual de blitzes educativas da campanha “Um Por Todos. Todos Contra o Bicudo”. A primeira ação da safra foi realizada na BR-020, em Luís Eduardo Magalhães, em parceria com a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) e a Polícia Militar da Bahia.
A iniciativa tem como objetivo orientar transportadores sobre as boas práticas no transporte de rolos de algodão, fardões, algodão em caroço e resíduos da cultura, reduzindo o risco de disseminação do bicudo-do-algodoeiro, considerada a principal praga da cotonicultura brasileira.
Transporte inadequado favorece propagação da praga
Segundo a Abapa, o transporte sem os devidos cuidados pode provocar a queda de caroços e resíduos ao longo das rodovias.
Esses materiais podem dar origem às chamadas plantas voluntárias, conhecidas no campo como tigueras, que servem de abrigo e alimentação para o bicudo-do-algodoeiro, dificultando o controle fitossanitário nas áreas de produção.
A eliminação dessas plantas é considerada uma das estratégias mais importantes para impedir que a praga permaneça ativa entre uma safra e outra.
Trabalho de conscientização
Durante a blitz, sete caminhões passaram pelo ponto de fiscalização e orientação.
Parte dos veículos já realizava o transporte com o enlonamento correto da carga, conforme determina a legislação estadual.
Nos casos em que foram identificadas oportunidades de melhoria, técnicos da Abapa e fiscais da Adab orientaram os motoristas sobre o acondicionamento adequado da carga e reforçaram a importância da adoção das boas práticas para preservar a sanidade das lavouras.
Segundo o gerente do Programa Fitossanitário da Abapa, Giorge Gomes, o caráter da ação é essencialmente educativo.
“Foi uma blitz orientativa, e os motoristas compreenderam esse propósito. Estamos no começo da safra e o fluxo de caminhões ainda é pequeno, mas acreditamos que esse trabalho de conscientização vai começar a reverberar entre os próprios transportadores.”
Ações começaram mais cedo nesta safra
Esta foi a primeira blitz educativa da safra 2025/2026, realizada dez dias antes do calendário adotado no ciclo anterior.
A antecipação busca ampliar o alcance das ações preventivas justamente no período em que o fluxo de transporte da produção começa a aumentar nas principais rodovias do Oeste baiano.
Novas operações estão previstas para as próximas semanas, acompanhando a intensificação da colheita e da movimentação da pluma de algodão.
Legislação estabelece regras para o transporte
O transporte de algodão e de resíduos da cultura deve obedecer às determinações da Lei Estadual nº 10.434/2006 e do Decreto nº 11.414/2009.
Entre as principais exigências estão:
- enlonamento adequado da carga;
- vedação contra queda de resíduos durante o transporte;
- limpeza completa dos caminhões após o descarregamento;
- adoção de procedimentos que impeçam a dispersão do bicudo-do-algodoeiro.
As medidas fazem parte das estratégias de defesa fitossanitária desenvolvidas pela Bahia para preservar a produtividade, reduzir perdas econômicas e manter a competitividade da cotonicultura estadual.
Defesa fitossanitária fortalece a produção baiana
A Bahia é o segundo maior produtor de algodão do Brasil e uma das principais regiões exportadoras da fibra.
Por isso, ações preventivas de controle do bicudo-do-algodoeiro são consideradas fundamentais para manter a qualidade da produção, reduzir custos com controle químico e garantir a sustentabilidade da cadeia produtiva.
A campanha “Um Por Todos. Todos Contra o Bicudo” reforça a importância da participação conjunta de produtores, transportadores, órgãos de fiscalização e instituições do setor na proteção das lavouras baianas.
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