A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de cinco novas canetas injetáveis à base de semaglutida, princípio ativo utilizado nos medicamentos Ozempic e Wegovy. Com a decisão, o Brasil passa a contar com seis produtos registrados que utilizam essa molécula para o tratamento do diabetes.
As novas marcas aprovadas são Owozy, da Ávita Care em parceria com a Sandoz; Zempneo e Semavy, da Hypera; Seemasun, da Sun Pharma; e Orsema, da Ranbaxy.
Produção será realizada no exterior
Apesar da ampliação da oferta no mercado brasileiro, nenhuma das novas canetas será produzida no país.
A Hypera comercializará a Semavy por meio da marca Mantecorp, mas a fabricação ocorrerá na Índia, pela Sun Pharma. Já a Owozy, da Ávita Care, será produzida na China e distribuída no Brasil pela Sandoz.
As novas opções utilizam semaglutida sintética, produzida em laboratório. Diferentemente dos medicamentos genéricos tradicionais, elas não podem ser classificadas como genéricos, já que a legislação brasileira não permite esse enquadramento para medicamentos biológicos.
Atualmente, a única versão sintética fabricada no Brasil é a Ozivy, desenvolvida pela EMS e aprovada pela Anvisa há cerca de dois meses.
Mercado em expansão
A chegada de novos concorrentes ocorre em um momento de forte crescimento do mercado de medicamentos à base de semaglutida e outras terapias voltadas ao controle do diabetes e da obesidade.
Segundo dados do setor, esse segmento movimentou aproximadamente R$ 13,3 bilhões no Brasil nos últimos 12 meses.
O ranking de faturamento é liderado pelo Mounjaro, da Eli Lilly, com R$ 8,5 bilhões, seguido pelo Wegovy, com R$ 3,7 bilhões, e pelo Ozempic, que registrou R$ 1,1 bilhão no período.
Concorrência deve ampliar acesso
De acordo com projeções do Itaú BBA, o mercado brasileiro desses medicamentos poderá atingir R$ 19 bilhões em 2026.
O aumento da concorrência já começa a produzir efeitos sobre os preços. Um dos exemplos foi a redução de aproximadamente 35% no valor do Mounjaro nas farmácias brasileiras, estratégia adotada para fortalecer sua competitividade diante da entrada de novos produtos.
Especialistas avaliam que a ampliação da oferta tende a favorecer o acesso dos pacientes aos tratamentos, ao mesmo tempo em que estimula a inovação e aumenta a competição entre os laboratórios farmacêuticos.
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