O primeiro turno da eleição presidencial de 2026 produziu um Brasil eleitoralmente dividido. Flávio Bolsonaro (PL) venceu em 14 estados e no Distrito Federal, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terminou à frente em 12 estados, desenhando dois blocos territoriais bastante distintos que agora serão colocados à prova no segundo turno, marcado para 25 de outubro. Correio Braziliense
Nacionalmente, Flávio terminou o primeiro turno na liderança, com 56,1 milhões de votos, equivalentes a 47,03% dos válidos. Lula recebeu 53,9 milhões, ou 45,16%. A diferença foi de aproximadamente 2,2 milhões de votos. Correio Braziliense
Por trás da diferença relativamente pequena no resultado nacional, porém, existe uma divisão regional muito mais acentuada.
Flávio domina Sul, Sudeste e Centro-Oeste
Flávio Bolsonaro foi o candidato mais votado em todas as unidades da Federação das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
No Sul, venceu Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
No Sudeste, ficou à frente em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo.
No Centro-Oeste, venceu Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal.
O candidato do PL também conquistou quatro estados do Norte: Acre, Rondônia, Roraima e Tocantins. Jovem Pan
Entre seus melhores desempenhos estão Roraima, com 71,06%; Rondônia, com 67,45%; Santa Catarina, com 66,65%; e Mato Grosso, com 65,15%. Jovem Pan
Lula mantém domínio no Nordeste
O mapa de Lula é praticamente o inverso.
O presidente venceu em todos os nove estados nordestinos: Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Maranhão.
No Norte, Lula conquistou Amazonas, Pará e Amapá. Jovem Pan
O Nordeste voltou a ser, portanto, a principal base eleitoral do petista.
Considerando toda a região, Lula recebeu aproximadamente 21,5 milhões de votos, ou 63,77% dos válidos, contra 10,4 milhões, ou 30,85%, de Flávio Bolsonaro. A vantagem regional do presidente ultrapassou 11 milhões de votos. UOL Notícias
Esse saldo foi fundamental para compensar parte das derrotas de Lula em outras regiões do país.
Piauí e Roraima representam os extremos
Os dois mapas eleitorais encontram suas expressões mais fortes em Piauí e Roraima.
No Piauí, Lula alcançou 70,99% dos votos válidos, contra 24,09% de Flávio. Foi o melhor desempenho proporcional do presidente entre os estados. UOL Notícias
Em Roraima ocorreu praticamente o inverso: Flávio obteve 71,06%, registrando seu melhor resultado entre as unidades da Federação. Jovem Pan
Os percentuais mostram como uma eleição nacional bastante equilibrada pode esconder diferenças territoriais profundas.
Bahia dá a Lula vantagem superior a 3 milhões de votos
A Bahia voltou a desempenhar papel central na votação petista.
Lula recebeu 66,17% dos votos válidos no estado, enquanto Flávio Bolsonaro ficou com 28,53%. Correio Braziliense
Em números absolutos, foram aproximadamente 5,66 milhões de votos para Lula, fazendo da Bahia o estado nordestino com maior contribuição absoluta para sua votação. UOL Notícias
A diferença entre os candidatos no estado ficou em mais de 3 milhões de votos.
Isso ajuda a explicar por que a Bahia deverá permanecer no centro da estratégia do PT no segundo turno: além de preservar sua vantagem, a campanha tentará ampliar a participação e extrair votos adicionais de uma de suas principais bases eleitorais.
São Paulo e Minas tornam-se fundamentais para Lula
Se o Nordeste representa a principal vantagem territorial de Lula, o desafio está nos grandes colégios eleitorais onde Flávio terminou à frente.
Em São Paulo, maior eleitorado do país, Flávio obteve 51,93%, contra 38,20% de Lula.
Em Minas Gerais, o candidato do PL recebeu 48,24%, enquanto Lula ficou com aproximadamente 43,3%. Correio Braziliense
O Rio de Janeiro também apresentou vantagem para Flávio, com 53,01% contra 39,41% do presidente. Correio Braziliense
Esses números ajudam a estabelecer um dos principais desafios da campanha petista: não basta manter as grandes margens nordestinas; será necessário reduzir a diferença nos estados mais populosos onde Flávio venceu.
Minas e Tocantins mudaram de lado em relação a 2022
A comparação com a eleição presidencial anterior revela uma mudança importante.
Lula havia vencido Minas Gerais e Tocantins no primeiro turno de 2022, mas perdeu os dois estados em 2026. Sua participação nos votos válidos caiu em 25 das 27 unidades da Federação na comparação entre os primeiros turnos das duas eleições. UOL Notícias
Nacionalmente, Lula passou de 48,43% dos votos válidos em 2022 para 45,16% neste ano e perdeu aproximadamente 3,4 milhões de votos em números absolutos. UOL Notícias
Isso mostra que, embora o mapa continue exibindo uma forte polarização regional, 2026 não é simplesmente uma repetição de 2022.
Existem deslocamentos importantes dentro desses blocos.
Segundo turno será uma disputa para romper fronteiras
Os mapas deixam claras as estratégias que deverão orientar as próximas três semanas.
Para Flávio Bolsonaro, um dos principais desafios será diminuir a diferença no Nordeste. Mesmo sem necessariamente vencer estados da região, cada ponto percentual retirado da vantagem de Lula pode representar centenas de milhares de votos.
Para Lula, a prioridade será reduzir as derrotas principalmente no Sudeste e no Sul, além de tentar recuperar eleitores em Minas Gerais e ampliar sua competitividade em São Paulo.
Há ainda outro contingente decisivo: eleitores que escolheram outros candidatos no primeiro turno, além daqueles que não compareceram às urnas. A abstenção chegou a cerca de 21%, segundo dados compilados após a votação. Folha de S.Paulo
O mapa dos estados não conta toda a história
Há, porém, uma cautela importante na interpretação desses resultados.
Dizer que um candidato “venceu um estado” não significa que aquele território seja eleitoralmente homogêneo. Dentro de cada unidade existem diferenças relevantes entre capitais e interior, regiões metropolitanas, cidades agrícolas, áreas industriais e municípios de diferentes níveis de renda.
Os resultados nas capitais já demonstram isso: embora Flávio tenha vencido o Rio Grande do Sul, por exemplo, Lula ficou à frente em Porto Alegre. Da mesma forma, o comportamento de determinadas capitais não necessariamente acompanhou o resultado estadual. Folha de S.Paulo
O primeiro turno revela, portanto, duas grandes geografias eleitorais, mas dentro delas existem territórios competitivos que poderão ser decisivos.
Em uma eleição na qual apenas cerca de dois pontos percentuais separaram os candidatos nacionalmente, o segundo turno será menos uma disputa para “virar” todo o mapa e mais uma batalha para reduzir desvantagens onde se perde e ampliar margens onde já se vence.
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