Formigamento recorrente, alterações na visão, perda de força, desequilíbrio e uma fadiga muito acima do esperado para o esforço realizado são sintomas que podem ser facilmente associados ao estresse ou à rotina. Quando persistem, reaparecem ou interferem nas atividades cotidianas, porém, merecem investigação médica.
O alerta é do neurologista Dr. Eduardo Cardoso, da Clínica IBIS, integrante do Grupo CITA, ao chamar atenção para manifestações que podem estar presentes nos estágios iniciais da esclerose múltipla.
A doença inflamatória crônica afeta o sistema nervoso central e é diagnosticada principalmente entre os 20 e 40 anos, com maior frequência entre as mulheres. Por surgir muitas vezes em uma fase marcada pela formação profissional, consolidação da carreira e planejamento familiar, seus impactos podem ultrapassar os sintomas neurológicos.
O Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla, celebrado em 30 de agosto, reforça a importância de ampliar o conhecimento sobre os sinais da doença e favorecer a busca por avaliação especializada.
Fadiga pode ser confundida com cansaço da rotina
Um dos sintomas que podem passar despercebidos é a fadiga. Segundo Cardoso, ela não deve ser confundida simplesmente com o cansaço após um dia de trabalho ou uma rotina intensa.
Na esclerose múltipla, pode ocorrer uma exaustão desproporcional ao esforço realizado, com intensidade suficiente para comprometer atividades profissionais, estudos e tarefas cotidianas.
Formigamentos e alterações de sensibilidade também podem inicialmente ser banalizados ou associados automaticamente à ansiedade e ao estresse.
“Ansiedade e estresse realmente podem produzir ou intensificar diversos sintomas físicos. O problema é atribuir automaticamente a eles uma manifestação neurológica recorrente ou persistente sem investigá-la adequadamente”, explica o neurologista.
Segundo o especialista, essa interpretação pode retardar a avaliação médica e, consequentemente, o início do tratamento quando existe uma doença neurológica.
Isso não significa, entretanto, que todo episódio de formigamento, tontura ou alteração visual seja sinal de esclerose múltipla.
O que deve aumentar a atenção é principalmente a persistência, recorrência ou interferência do sintoma na capacidade funcional. Alterações neurológicas que surgem em momentos diferentes e atingem regiões distintas do sistema nervoso também precisam ser investigadas.
Diagnóstico combina avaliação clínica e exames
A investigação começa pela história clínica do paciente e pelo exame neurológico, que podem ser complementados por diferentes testes.
A ressonância magnética do cérebro e, em muitos casos, da medula desempenha papel importante nesse processo. Dependendo da suspeita médica, também pode ser indicado o estudo do líquor, além de outros exames.
Os critérios internacionais utilizados para o diagnóstico passaram ainda por atualizações recentes, incorporando novos marcadores e informações que podem contribuir para uma identificação mais precoce e precisa da doença.
Tratamento precoce pode mudar a evolução da doença
A importância de identificar a esclerose múltipla mais cedo aumentou à medida que as possibilidades terapêuticas evoluíram.
Segundo Cardoso, existe uma janela de oportunidade nos primeiros anos da doença, período no qual o tratamento pode contribuir para reduzir novos surtos, novas lesões identificadas por ressonância magnética e o risco de acúmulo de incapacidade ao longo do tempo.
Atualmente, existem diferentes alternativas terapêuticas, incluindo medicamentos injetáveis, orais e administrados por infusão. A definição do tratamento considera fatores como atividade da doença, características individuais do paciente, outras condições de saúde, planejamento familiar e perfil de segurança das terapias.
O avanço dos tratamentos também mudou a perspectiva de quem recebe o diagnóstico.
“Existem pessoas com esclerose múltipla que permanecem por muitos anos trabalhando, estudando, praticando atividade física, viajando e mantendo uma vida plenamente ativa. O cenário atual é muito diferente daquele de décadas atrás”, afirma o neurologista.
Para Cardoso, a principal orientação é não banalizar manifestações neurológicas que persistem ou se repetem sem uma explicação definida.
“Não normalize um sintoma neurológico que insiste em voltar ou permanece sem explicação. Nem todo formigamento, alteração visual ou episódio de tontura será esclerose múltipla, mas sintomas neurológicos recorrentes merecem ser ouvidos pelo profissional de saúde e investigados.”
Sobre a Clínica IBIS
A Clínica IBIS, integrante do Grupo CITA, é um centro localizado em Salvador e especializado no diagnóstico, tratamento e acompanhamento de doenças autoimunes e imunomediadas. Possui atuação multidisciplinar em áreas como reumatologia, dermatologia, gastroenterologia, alergologia, imunologia e neurologia.
A instituição também desenvolve pesquisas clínicas nacionais e internacionais voltadas ao avanço da medicina e à ampliação do acesso a tratamentos inovadores.
Leia mais:
Braskem incorpora novo navio à frota e avança em plano de modernização do transporte marítimo.
























