A obra de Dorival Caymmi será o ponto de partida para uma nova experiência dedicada à música instrumental produzida na Bahia. No dia 18 de setembro, às 20h, o Teatro SESC Casa do Comércio, em Salvador, recebe a estreia de “Olorin toca Caymmi com Armandinho Macêdo”, espetáculo que combina música, projeções visuais e referências da cultura afro-baiana.
Idealizado pelos produtores Paulo Argolo e João Falcão Neto, o Olorin nasce com a proposta de aproximar tradição e inovação por meio de uma experiência sensorial. Nesta primeira montagem, clássicos de Caymmi ganham arranjos inéditos construídos a partir do encontro entre guitarra baiana, violões, baixo, percussão e diferentes referências da música instrumental brasileira.
Um dos destaques da estreia será a participação especial de Armandinho Macêdo, referência da guitarra baiana e um dos nomes de maior projeção da música instrumental produzida no estado.
Música e imagens dialogam em tempo real
A proposta do Olorin vai além do formato tradicional de concerto. Enquanto os músicos reinterpretam o repertório de Caymmi, projeções criadas pelo artista multimídia VJ Gabiru, Davi Cavalcanti, respondem às frequências sonoras da apresentação.
Imagem, luz e música passam, assim, a integrar uma cenografia digital que se modifica durante o espetáculo, transformando o palco em uma instalação audiovisual.
O nome do projeto também estabelece uma relação com sua proposta artística. Segundo Paulo Argolo, “Olorin” tem origem em uma palavra em iorubá que, de maneira simplificada, remete ao “dono da canção”. Na estreia, essa referência é direcionada a Dorival Caymmi e à manifestação de sua obra.
Para os idealizadores, a escolha representa também o desejo de levar a diferentes territórios elementos da música, ancestralidade e identidade cultural da Bahia.
Por que Caymmi?
A escolha de Dorival Caymmi para inaugurar o projeto está relacionada à influência exercida pelo compositor sobre diferentes gerações da música brasileira.
Inspirada pela vida à beira-mar, pelos pescadores, pelo samba de roda e pelas tradições afro-brasileiras, sua obra ajudou a construir uma representação musical da Bahia que ultrapassou as fronteiras do estado.
Sua maneira de cantar, tocar violão e trabalhar harmonias exerceu influência sobre artistas como João Gilberto, Tom Jobim, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia e Gal Costa, além de contribuir para caminhos posteriormente explorados pela Bossa Nova, MPB e outros movimentos da música brasileira.
O Olorin pretende partir dessa herança sem simplesmente reproduzi-la. A proposta é preservar elementos essenciais das composições enquanto estabelece diálogos com sonoridades contemporâneas e diferentes vertentes da música instrumental.
Encontro de gerações da música baiana
A direção musical é compartilhada por Cesário Leony, Márcio Pereira e Giba Conceição.
O grupo conta ainda com Alexandre Vargas, na guitarra, violão, bandolim e guitarra baiana, e com as percussionistas Beatriz Sena e Géssica Omi.
O conjunto reúne trajetórias distintas. Giba Conceição possui uma relação de quase quatro décadas com a música afro-baiana; Beatriz Sena, vencedora do reality Timbrown em 2023, representa uma nova geração da percussão; e Géssica Omi desenvolve um trabalho ligado também à educação e aos saberes tradicionais dos terreiros de candomblé.
A participação de Armandinho reforça justamente esse encontro entre diferentes gerações e experiências da produção musical baiana.
Projeto pretende chegar à Europa e a Cabo Verde
A apresentação de Salvador será também o lançamento de um projeto pensado para ultrapassar as fronteiras da Bahia.
Após a estreia, os produtores planejam levar o Olorin a festivais e teatros brasileiros e internacionais. Entre os planos estão participações na Atlantic Music Expo (AME) e no Kriol Jazz Festival, em Cabo Verde, em abril de 2027.
O projeto prevê posteriormente apresentações em cidades europeias como Lisboa, Coimbra, Madrid e Barcelona.
O Olorin também não deverá ficar restrito à obra de Caymmi. A proposta é que, com o amadurecimento do projeto, outros compositores, repertórios e artistas convidados sejam incorporados às apresentações, preservando a música instrumental como eixo central.
A estreia em Salvador será, portanto, o primeiro teste de uma iniciativa que pretende transformar a memória musical da Bahia em matéria-prima para novas criações e levá-las a outros públicos e territórios.
Serviço
Olorin toca Caymmi com Armandinho Macêdo
Data: 18 de setembro de 2026
Horário: 20h
Local: Teatro SESC Casa do Comércio – Salvador
Ingressos: R$ 40 a R$ 100, no primeiro lote
Vendas: bilheteria do teatro e plataforma Sympla
Realização: Girar Cultura & Entretenimento
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