A 4ª Feira Literária de São Sebastião do Passé (FLIPASSÉ) integra as comemorações pelos 100 anos de emancipação do município com uma programação dedicada à literatura, à memória e à identidade. Com o tema “Escrevivências, pertencimento e memórias”, a edição oficial será realizada entre os dias 24 e 26 de agosto, mas as atividades de aquecimento já aproximam escritores baianos da comunidade escolar.
Nesta quinta (20) e sexta-feira (21), estudantes, professores, pais e responsáveis participam de encontros e oficinas com autores. Entre os convidados estão Regina Luz, Marcos Cajé, Fernanda Carvalho e o poeta Evanilson Alves, que já realizou uma oficina de escrita criativa com estudantes dos Anos Finais e retornará para participar do Sarau.
A proposta das ações que antecedem a feira é aproximar autores e leitores e estimular a formação leitora para além do período de realização do evento.
Leitura como vínculo entre famílias
A jornalista e escritora Fernanda Carvalho, autora do recém-lançado Entre bolhas e marés, conduz a vivência “Entre Histórias e Afetos: da família nascem leitores”, direcionada a pais, responsáveis e educadores.
A atividade utiliza uma abordagem de biblioterapia para apresentar a leitura também como instrumento de vínculo e afeto dentro das famílias, indo além de seu papel pedagógico.
“A formação leitora começa em casa, muito antes da alfabetização, e segue se fortalecendo ao longo de diferentes fases da vida. O gosto pela leitura nasce de encontros, entre livros e pessoas”, afirma Fernanda.
Literatura, identidade e pertencimento
Com 20 livros infantis publicados, Marcos Cajé desenvolve uma atividade com estudantes do 6º ao 9º ano da Escola Municipal Josiane Santos da Conceição.
A partir de sua literatura afrofantástica, o escritor realiza uma oficina voltada ao fortalecimento do pertencimento e da identidade negra.
No mesmo espaço, a poeta e escritora baiana Regina Luz, autora de obras voltadas às infâncias, conduz uma oficina de escrita criativa, incentivando os estudantes a utilizarem a palavra como forma de expressão, imaginação e criação.
A programação preparatória também inclui doações e sorteios de livros, buscando ampliar o contato dos participantes com a literatura.
“Esse movimento de estar perto do leitor ressalta a importância da formação leitora. Os autores vão contar como o livro mudou e muda cada instante da nossa existência”, explica Márcia Mendes, escritora e curadora da FLIPASSÉ.
Educação antirracista durante todo o ano
O tema escolhido para a quarta edição também dialoga com as características sociais e culturais de São Sebastião do Passé.
Segundo Márcia Mendes, o trabalho de valorização da identidade e de educação antirracista não se limita aos dias da feira literária, mas integra atividades desenvolvidas durante o ano nas escolas das áreas urbana e rural do município.
“São Sebastião do Passé é uma cidade predominantemente negra, isso é visível ao caminhar pelas escolas. Daí a importância de um trabalho permanente à luz de uma educação antirracista”, destaca a curadora.
Ao associar literatura, memória, pertencimento e formação de leitores às comemorações do centenário de emancipação, a FLIPASSÉ transforma a celebração histórica do município também em uma oportunidade para revisitar identidades, preservar memórias e estimular novas gerações a contar suas próprias histórias.
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