Unidade terá capacidade para processar 500 toneladas de trigo por dia e ampliará em cerca de 30% a capacidade de moagem da companhia, uma das quatro maiores do setor no Brasil.
O Grande Moinho Cearense (GMC), uma das quatro maiores empresas de moagem de trigo do Brasil, está investindo R$ 230 milhões na construção de uma nova unidade industrial em Salvador. A fábrica tem inauguração prevista para o início de 2027 e faz parte da estratégia de expansão da companhia nos mercados do Norte e Nordeste.
A informação foi divulgada pelo presidente do GMC, Carlos Augusto Neves da Rocha, em entrevista ao AgFeed. Segundo o executivo, a unidade baiana terá capacidade para processar 500 toneladas de trigo por dia, elevando em aproximadamente 30% a capacidade total de moagem da empresa, que poderá superar 2 mil toneladas diárias.
O investimento busca reduzir custos logísticos e ampliar a competitividade da companhia, que já comercializa seus produtos na Bahia, em Sergipe e Alagoas, mas atualmente abastece esses mercados a partir de Fortaleza.
“É para atender melhor o mercado da Bahia, porque a gente já vende na Bahia, já vende em Sergipe, já vende em Alagoas. Mas essa farinha toda tem que sair de Fortaleza. E o frete para o nosso setor, ele pesa muito”, explicou Rocha.
Além dos mercados nordestinos, a nova fábrica poderá atender clientes do norte do Espírito Santo, de Minas Gerais e de Goiás.
Expansão e redução de custos
Fundado em 1959, o Grande Moinho Cearense integra o Grupo Jereissati e mantém atualmente unidades industriais em Fortaleza (CE) e Teresina (PI), além de estruturas comerciais e de distribuição em outros estados.
Diferentemente de concorrentes como M. Dias Branco e J.Macêdo, também originários do Ceará, o GMC concentra suas operações nas regiões Norte e Nordeste, com atuação voltada exclusivamente à produção de farinha e farelo de trigo.
A construção da unidade em Salvador também está relacionada às mudanças previstas com a Reforma Tributária, que, segundo o executivo, reforçam a importância de aproximar a produção dos mercados consumidores.
Custos pressionam o setor
Apesar da expansão, o presidente do GMC avalia que 2026 tem sido um ano desafiador para a indústria de moagem. Entre as principais dificuldades estão o aumento da carga tributária, os custos de importação e a qualidade do trigo argentino, importante matéria-prima utilizada pelos moinhos brasileiros.
“Eu tenho 35 anos do setor, o trigo argentino veio com a pior qualidade desses 35 anos”, afirmou.
Como alternativa, a companhia tem ampliado a utilização de trigo produzido no Cerrado brasileiro, embora o volume disponível ainda seja insuficiente para substituir as importações.
O executivo também aponta dificuldades para adquirir trigo da Rússia, em razão dos efeitos da guerra com a Ucrânia, e limitações no abastecimento pelo Sul do Brasil, onde problemas climáticos prejudicaram a produção.
Receita de R$ 1,12 bilhão
Em 2025, o Grande Moinho Cearense registrou receita de R$ 1,12 bilhão. Para 2026, a expectativa é de faturamento semelhante, mas com maior pressão sobre as margens de rentabilidade.
Segundo Rocha, a concorrência e a desaceleração econômica dificultam o repasse integral dos custos aos preços dos produtos.
“A gente tenta repassar, mas existe uma competição muito acirrada, a economia desacelerando. Então, nem sempre você repassa aquilo que você gostaria”, afirmou.
Para 2027, o executivo não descarta a continuidade das dificuldades enfrentadas pelo setor neste ano.
Leia mais:
Justiça volta a suspender obras de empreendimentos imobiliários na Praia do Buracão, em Salvador.






















